
Nos EUA, par de robôs humanoides realiza primeira cirurgia sozinhos, em marco para a medicina — Foto: Reprodução/YouTube Crédito: Extra.globo.com
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego) anunciaram um avanço significativo na área da robótica médica: uma dupla de máquinas com design humanoide conseguiu remover com sucesso a vesícula biliar de porcos, marcando a primeira vez que robôs realizam esse tipo de procedimento cirúrgico sem intervenção manual direta. O feito, detalhado na revista científica “Nature” em 8 de julho, sinaliza um futuro onde a cirurgia pode ser drasticamente transformada.
O experimento pioneiro envolveu uma série de operações. Inicialmente, um robô humanoide executou a cirurgia com o apoio de um cirurgião. Em um segundo momento, dois desses robôs, apelidados coletivamente de “Surgie” pela equipe de pesquisa, trabalharam em conjunto para completar o procedimento. Segundo a universidade, o desempenho impecável dessas máquinas representa um salto fundamental para a aplicação da tecnologia em seres humanos.
Ryan Broderick, diretor interino do Centro para o Futuro da Cirurgia da UC San Diego, expressou entusiasmo com os resultados. “Funcionou perfeitamente”, afirmou, destacando a eficácia do sistema. Michael Yip, professor na mesma instituição, complementou a visão otimista: “Creio que demonstramos ser possível utilizar robôs humanoides em uma sala de cirurgia para realizar procedimentos reais que, futuramente, podem salvar vidas.”
Diferentemente dos sistemas robóticos cirúrgicos já empregados em muitos hospitais, os robôs “Surgie” apresentam uma estrutura com cabeça e braços, o que lhes confere uma particularidade crucial: a otimização do espaço. Enquanto equipamentos robóticos convencionais podem ser volumosos e exigir adaptações significativas no ambiente cirúrgico, o formato compacto e humanoide do “Surgie” permite que ele se integre de maneira mais fluida ao fluxo de trabalho e ao espaço físico já estabelecido.
Essa característica é vital, especialmente em cirurgias laparoscópicas, onde a mobilidade e o espaço são limitados. Broderick explicou que “não houve as restrições de espaço comuns na cirurgia robótica tradicional. Era um assistente de cabeceira com formato humano; portanto, ele se encaixou perfeitamente no espaço que normalmente ocupamos durante cirurgias laparoscópicas.” Essa adaptabilidade não só melhora a ergonomia para a equipe humana, mas também abre portas para o uso da robótica em cenários menos equipados ou em locais remotos, expandindo o acesso a cuidados cirúrgicos de alta precisão.
O sucesso das intervenções em porcos é um passo decisivo antes que a tecnologia possa ser avaliada em testes clínicos com pacientes humanos. Os pesquisadores preveem que o avanço poderá redefinir a prática cirúrgica, estendendo-a muito além dos ambientes hospitalares tradicionais e pavimentando o caminho para uma era de maior precisão, segurança e acessibilidade em procedimentos médicos complexos.
A capacidade de “Surgie” de operar de forma colaborativa e autônoma, combinada com seu design eficiente, sugere um futuro onde a assistência robótica não apenas complementa, mas também amplia as capacidades dos cirurgiões, tornando procedimentos complexos mais padronizados e menos dependentes de variáveis humanas, com o potencial de impactar positivamente a vida de milhões de pessoas.