
Garçonete Cyane Panine teria iniciado o incêndio no Constellation, na Suíça — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Uma revelação nos autos judiciais do caso do devastador incêndio que ceifou 41 vidas e deixou uma centena de feridos em um bar na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, em janeiro, aponta que a dona do estabelecimento havia alertado a equipe sobre a iminência de uma catástrofe. A proprietária, Jessica Moretti, enviou uma mensagem a seus funcionários meses antes do ocorrido, demonstrando conhecimento dos perigos envolvidos nas operações do local.
Documentos apresentados pelos advogados das vítimas indicam que Jessica Moretti estava plenamente ciente dos riscos associados ao uso de “sparklers”, velas de faísca comumente utilizadas para celebrações, pelo seu pessoal no bar Le Constellation. A comunicação, feita via grupo de WhatsApp em 13 de dezembro de 2019, detalhava os potenciais perigos.
Na mensagem, Moretti foi direta ao instruir os colaboradores: “Se eles [clientes] quiserem velas de faísca, tenham muito cuidado: fiquem ao lado delas até que se apaguem. Se as deixarem cair no sofá ou no chão, ou se as levantarem muito e queimarem a espuma do teto, o Constel vai pegar fogo.” Este aviso, emitido com meses de antecedência, levanta questões sobre as medidas preventivas adotadas e a gravidade da negligência alegada.
Pouco antes do fatídico evento, imagens capturadas no interior do bar registraram a garçonete Cyane Panine, de 24 anos, executando uma acrobacia perigosa. Ela foi vista subindo nos ombros de um colega, segurando duas garrafas de champanhe adornadas com as velas faiscantes acesas, um espetáculo que se tornou o estopim da tragédia.
Cyane, que infelizmente faleceu no incêndio, utilizava um capacete protetor, o que sugere uma tentativa de segurança em meio à imprudência. No entanto, ela não teria percebido que os artefatos pirotécnicos estavam diretamente atingindo o revestimento de espuma altamente inflamável do teto do subsolo do bar, dando início às chamas que se espalharam rapidamente. A combinação da advertência explícita da proprietária com a continuidade do uso dessas velas em um ambiente com materiais tão combustíveis sublinha uma grave falha na gestão de segurança, transformando um risco conhecido em uma fatalidade anunciada.
Os cidadãos franceses Jacques e Jessica Moretti, proprietários do Le Constellation, enfrentam acusações graves relacionadas ao incidente. Eles respondem em liberdade a processos por homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio culposo, refletindo a seriedade das perdas humanas e materiais.
A situação de Jacques Moretti é ainda mais complexa, dada sua extensa ficha criminal, que inclui passagens por envolvimento com prostituição e até sequestro. Ele chegou a ser detido preventivamente pelas autoridades, que consideraram alto o risco de fuga, mas foi posteriormente liberado mediante pagamento de fiança.
Testemunhas do incêndio devastador relataram ter visto Jessica Moretti, a mesma que havia emitido o alerta prévio, fugindo do local em meio ao caos. O detalhe mais perturbador é que ela teria levado consigo o dinheiro que estava na caixa registradora do bar, em um momento de desespero e destruição generalizada.