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A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo pedido para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta é a terceira solicitação formal da corporação para apurar o empresário, desta vez sob a acusação de suposto tráfico de influência para beneficiar uma empresa de tecnologia com contratos federais.
A investigação mais recente foca em indícios de que Lulinha teria utilizado o prestígio do nome de seu pai para favorecer a 3Structure It LTDA, uma companhia do setor de tecnologia. Essa empresa, com sede em Florianópolis e fundada em 2019, possui acordos vigentes com o governo federal que totalizam mais de R$ 55,7 milhões.
O foco da mais recente solicitação de inquérito, datada de 3 de agosto de 2026, reside na atuação de Fábio Luís para supostamente alavancar os negócios da 3Structure It LTDA. A empresa, que firmou seu primeiro contrato com o Centro Integrado de Telemática do Exército em novembro de 2022 no valor de R$ 21,8 milhões para soluções de TI, recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões em julho de 2026. A PF aponta a possibilidade de que o filho do presidente tenha agido para facilitar a obtenção de tais investimentos e negócios.
As evidências que fundamentam este e os demais pedidos de inquérito contra Lulinha emergiram das quebras de sigilo da Operação Sem Desconto. Esta operação da Polícia Federal investiga um complexo esquema de desvios e descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), movimentando bilhões de reais. A conexão entre as operações sugere que as ramificações do esquema do INSS podem ter levado a suspeitas sobre as atividades de Lulinha em outros setores.
Este pedido de inquérito se soma a outras duas investigações já autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, contra Fábio Luís Lula da Silva. Ambas também abordam suspeitas de tráfico de influência e corrupção:
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva rechaça as acusações, argumentando que o empresário é alvo de perseguição em razão de seu parentesco com o chefe do Executivo. Os advogados questionam a necessidade e a motivação das investigações, que consideram desproporcionais e politicamente influenciadas pela posição de seu pai.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, expressou indignação com a condução dos inquéritos. Ele criticou o que chamou de “desserviço” por parte de uma instituição tão relevante como a Polícia Federal, apesar de reconhecer o fortalecimento da independência da PF. Carvalho alertou que “alguns setores estão usando isso de maneira desnecessária”, em uma possível referência a agendas políticas.
Comparando a situação à Operação Lava Jato, Carvalho afirmou que “esses setores estão promovendo uma pesca probatória, que só teve precedentes na história do país na chamada Operação Lava Jato”. Ele descreveu as ações como uma “verdadeira caçada contra o Fábio, que carrega o peso do sobrenome”, e reiterou que, “se ele não fosse o filho do presidente Lula, esse inquérito jamais teria sido instaurado e os anteriores teriam sido arquivados”, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do processo investigatório.