Em 16 de setembro de 1961, uma jornada empresarial notável teve seu início em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Três visionários – Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus – uniram forças para criar a Eletromotores Jaraguá, que mais tarde se tornaria a multinacional WEG, um dos maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo.
O capital social inicial da empresa era de Cr$ 3.600, um montante que, na época, equivalia aproximadamente ao valor de três veículos Volkswagen Fusca, considerando a participação individual de cada fundador. Essa modesta quantia representava o ponto de partida para uma trajetória de inovação e expansão global.
A história da WEG é um exemplo emblemático de como a persistência, o investimento em tecnologia e uma visão estratégica podem transformar um pequeno empreendimento local em um conglomerado de alcance mundial, gerando milhares de empregos e impactando significativamente a indústria.
A fundação da Eletromotores Jaraguá não foi apenas o nascimento de uma empresa, mas a materialização de um sonho compartilhado por seus criadores. Werner Ricardo Voigt, com sua expertise em engenharia e paixão por motores elétricos, foi o pilar técnico. Eggon João da Silva trouxe a visão comercial e administrativa, essencial para estruturar o negócio. Geraldo Werninghaus, por sua vez, complementou a equipe com seu conhecimento em gestão e processos industriais.
A sinergia entre esses três homens foi crucial para superar os desafios iniciais. Eles não apenas investiram financeiramente, mas dedicaram seu tempo, talento e energia para construir uma empresa sólida em um mercado em crescimento no Brasil. A escolha de Jaraguá do Sul, uma cidade com vocação industrial emergente, também se mostrou estratégica para o desenvolvimento futuro da companhia.
A comparação do capital inicial com o valor de um Fusca, um carro popular e acessível na década de 1960, serve para ilustrar a simplicidade e a audácia daquele momento. Cada um dos fundadores contribuiu com uma fatia que representava um investimento considerável para a época, mas que estava longe dos grandes capitais que normalmente iniciam empresas de tal porte.
Esse investimento, que hoje seria um valor relativamente baixo em termos de capital de risco para uma startup de alta tecnologia, foi o suficiente para alugar um pequeno galpão, adquirir as primeiras máquinas e contratar os primeiros funcionários. A partir dessa base humilde, a empresa começou a produzir motores elétricos, um item fundamental para a crescente industrialização do país.
A história ressalta a importância da iniciativa empreendedora e da crença no potencial de um produto e de um mercado. O Fusca, símbolo de mobilidade e acessibilidade, contrasta com a complexidade e o alcance global que os motores da WEG viriam a ter, mostrando o poder transformador de um capital modesto bem aplicado.
Nos anos seguintes à sua fundação, a Eletromotores Jaraguá, já conhecida como WEG (uma sigla formada pelas iniciais dos sobrenomes dos fundadores), iniciou um processo contínuo de crescimento e diversificação. A empresa não se limitou à produção de motores elétricos, expandindo seu portfólio para atender às demandas variadas da indústria.
A diversificação incluiu a fabricação de geradores, transformadores, tintas e vernizes industriais, e mais tarde, soluções completas em automação e energia. Essa estratégia permitiu à WEG criar um ecossistema de produtos e serviços que se complementam, oferecendo soluções integradas para seus clientes e consolidando sua posição no mercado.
A busca por novas tecnologias e a adaptação às necessidades do mercado foram pilares dessa expansão. A empresa investiu pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, garantindo que seus produtos estivessem sempre na vanguarda tecnológica, o que foi fundamental para sua competitividade e crescimento sustentável ao longo das décadas.
A capacidade de antecipar tendências e inovar em seus processos produtivos e em seu portfólio de produtos foi um diferencial. Isso permitiu que a WEG não apenas acompanhasse o ritmo da industrialização no Brasil, mas também se preparasse para os desafios e oportunidades dos mercados internacionais.
A partir da década de 1970, a WEG começou a olhar para além das fronteiras brasileiras, iniciando sua jornada de internacionalização. A qualidade de seus produtos e a competitividade de seus preços abriram portas em diversos países, solidificando sua reputação como fornecedor global de soluções industriais.
Hoje, a WEG possui unidades fabris e filiais comerciais em todos os continentes, com uma presença marcante em mercados estratégicos como Estados Unidos, Alemanha, China e Índia. Essa capilaridade global não apenas impulsionou seu faturamento para bilhões de reais anualmente, mas também a posicionou como uma das líderes mundiais em seus segmentos de atuação.
O percurso da WEG, de uma pequena empresa com capital modesto a uma multinacional de bilhões, é um testemunho da força do empreendedorismo e da inovação. A companhia não só se tornou um gigante industrial, mas também um motor de desenvolvimento para a região de Jaraguá do Sul e para o Brasil, gerando milhares de empregos diretos e indiretos e contribuindo para a balança comercial do país.
Sua atuação abrange desde a fabricação de motores para eletrodomésticos até grandes projetos de geração de energia eólica e solar, passando por soluções de automação industrial que otimizam a produção em diversas indústrias. A WEG é um exemplo de como a visão de futuro, combinada com a capacidade de execução e adaptação, pode construir um legado duradouro e relevante no cenário econômico global.
A cidade de Jaraguá do Sul não é apenas o local de fundação da WEG, mas parte integrante de sua identidade e sucesso. A região, conhecida por sua forte tradição industrial e pela mão de obra qualificada, ofereceu o ambiente propício para o crescimento da empresa. A colaboração entre a comunidade, as instituições de ensino e o setor privado foi fundamental para o desenvolvimento de um polo tecnológico e industrial que se destaca no cenário nacional.
A WEG, por sua vez, retribuiu à cidade com investimentos em infraestrutura, educação e programas sociais, fortalecendo ainda mais o elo entre a empresa e a comunidade. Essa relação simbiótica demonstra como o desenvolvimento de grandes corporações pode estar intrinsecamente ligado ao crescimento e à prosperidade de sua região de origem.