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Operação Falso 9 desmantela quadrilha que usava nome de técnico para fraudar jogadores de futebol

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Um indivíduo foi detido na manhã da última quarta-feira (2) no Rio de Janeiro, no município de Itaperuna, sob a acusação de integrar uma quadrilha especializada em golpes contra atletas profissionais. O grupo criminoso se apresentava como o técnico Luís Castro para solicitar transferências financeiras via PIX, alegando a compra de cestas básicas.

A ação, batizada de Operação Falso 9, revela que um dos jogadores do Grêmio, o atacante colombiano José Enamorado, efetuou um repasse de R$ 22 mil aos golpistas. A investigação, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro, aponta para um esquema sofisticado de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.

Luís Castro – Vitalii Vitleo / Shutterstock.com Crédito: Mixvale.com.br

Detenção e os alvos da investigação policial

A prisão do suspeito ocorreu como parte de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Além de José Enamorado, o zagueiro Walter Kannemann, também do Grêmio, foi contatado pela quadrilha, mas desconfiou da abordagem e prontamente alertou as autoridades, evitando o prejuízo.

O ex-jogador Andrés D’Alessandro também esteve na mira dos criminosos. No entanto, a polícia já estava monitorando a situação, o que impediu qualquer pagamento por parte do atleta argentino. As apurações indicam que o grupo tinha um alcance amplo, visando jogadores de outras equipes nacionais, um clube europeu e até mesmo uma figura artística de projeção nacional.

A estratégia elaborada dos golpistas para enganar atletas

O modus operandi da quadrilha envolvia a criação de perfis falsos em aplicativos de mensagens, utilizando a imagem do técnico Luís Castro. Eles iniciavam conversas com os jogadores, construindo um relacionamento ao longo de dias, com perguntas sobre a vida pessoal, família e desempenho em campo, sempre com elogios e demonstrações de atenção.

Após estabelecer essa relação de confiança, o falso treinador solicitava que o contato fosse mantido em sigilo, uma tática para isolar a vítima e dificultar a descoberta da fraude. O pedido financeiro surgia então, justificado como uma doação para um suposto grupo social no Rio de Janeiro, destinado à compra de 300 cestas básicas, avaliadas em R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil.

O golpe que vitimou Enamorado e a tentativa de novo prejuízo

Em 6 de maio de 2026, o atacante José Enamorado recebeu uma chave PIX aleatória, supostamente da responsável pela entidade beneficente, com a instrução para realizar o depósito. Uma primeira tentativa de transferência foi bloqueada devido ao limite diário do jogador, mas o golpista remarcou o pagamento para o dia seguinte, reforçando a necessidade de sigilo.

No dia subsequente, o valor foi finalmente transferido via PIX. Para concluir a etapa da fraude, o suspeito enviou uma falsa confirmação de recebimento das cestas pela instituição. Não satisfeito, no mesmo dia, o criminoso tentou extrair mais dinheiro, solicitando que Enamorado adiantasse R$ 50 mil para a compra de outras 600 cestas, alegando que outro jogador “de fora do Brasil” queria colaborar, mas estava incomunicável.

Para pressionar a vítima, o golpista chegou a citar a participação de outros atletas da equipe. Contudo, essa nova transferência não foi concretizada, pois novamente excedeu o limite diário de movimentação bancária de Enamorado, o que, por fim, interrompeu a sequência de golpes aplicados ao atleta.

Por que este golpe é um alerta para o esporte e a sociedade

Este incidente sublinha a crescente sofisticação dos golpes digitais e a vulnerabilidade de indivíduos, mesmo figuras públicas, a esquemas de engenharia social. A utilização de nomes conhecidos e a construção de uma falsa relação de confiança são táticas comuns que visam explorar a boa-fé e a credibilidade associada a certas posições.

O caso serve como um alerta crucial para a importância da verificação rigorosa de qualquer pedido financeiro incomum, especialmente aqueles que envolvem sigilo e urgência. A atuação da polícia em desmantelar essa quadrilha demonstra a necessidade de vigilância constante e da colaboração das vítimas para combater esse tipo de crime que afeta não apenas o patrimônio, mas também a segurança e a confiança nas relações pessoais e profissionais.