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A Nintendo confirmou, através de seus representantes na América Latina, a continuidade da produção e distribuição de jogos em formato físico para o console Switch 2. A declaração foi feita durante a Brasil Game Show (BGS) de 2026, evento que aconteceu em São Paulo entre os dias 10 e 12 de outubro, e solidifica a oferta de cartuchos em um cenário onde as vendas físicas ainda representam uma parcela significativa da receita de software da gigante japonesa.
O posicionamento da companhia, segundo Bill van Zyll, vice-presidente e gerente-geral da Nintendo para a América Latina, é de neutralidade em relação aos métodos de comercialização. Ele enfatizou que as escolhas da empresa são moldadas pelas preferências dos consumidores. “Historicamente, somos muito agnósticos, correto? Nós acompanhamos o que o público deseja e consideramos isso fundamental. Nossa plataforma, o NS2, foi lançada há pouco mais de um ano e suporta tanto o formato digital quanto o físico. Não há planos de abandonar a mídia física, pois sabemos o quanto os fãs valorizam essa opção”, explicou o executivo.
Desde sua introdução ao mercado em junho de 2025, o console Nintendo Switch 2 foi concebido para operar de forma integrada com as duas modalidades de aquisição de jogos. Os usuários podem tanto optar por downloads diretos da eShop, a loja virtual da marca, quanto por produtos em mídia física.
A distribuição de títulos fora do universo puramente digital no sistema atual ocorre por meio de duas vertentes principais. Uma delas são os cartuchos tradicionais, que armazenam diretamente os dados do jogo, permitindo sua execução. A outra consiste nos “game-key cards”, cartões físicos que contêm um código de licença, exigindo que o conteúdo completo seja baixado pela internet.
A permanência desse sistema híbrido assegura a continuidade de hábitos valorizados pelos consumidores da marca ao longo das últimas gerações de consoles. Romina Whitlock, diretora de marketing da Nintendo of America para a América Latina, destacou no sábado (10), durante o evento em São Paulo, que o modelo físico não desaparecerá, nem na região nem globalmente. Ela ressaltou que os jogadores continuam a utilizar os cartuchos para formar coleções em suas prateleiras, emprestar jogos a amigos, realizar trocas ou revender itens usados para adquirir novos lançamentos, possibilidades que o licenciamento digital não oferece.
Ainda segundo Bill van Zyll, a demanda e a preferência por jogos em embalagens físicas na América Latina, especialmente no Brasil, superam os índices observados em muitos outros mercados globais da Nintendo. Durante a edição de 2026 da BGS, no Distrito Anhembi, a empresa montou um estande de mil metros quadrados para atender aos visitantes até o encerramento do evento, na segunda-feira (12). Apesar do grande interesse por cartuchos no país, a diretora de marketing apontou que a presença da marca nas lojas físicas brasileiras ainda possui um considerável potencial de expansão.
Romina Whitlock expressou o apreço da Nintendo pelo público brasileiro. “Valorizamos imensamente o consumidor do Brasil. A paixão dos gamers aqui, a própria energia do ambiente, é algo notável. Esta é a nossa maior oportunidade de levar nossos jogos diretamente às mãos das pessoas. No cenário do varejo, especificamente nas lojas físicas brasileiras, nossa presença ainda não é tão robusta quanto gostaríamos”, declarou a executiva, indicando o foco em crescimento nesse segmento.
A escolha da Nintendo de persistir com os cartuchos diverge significativamente da estratégia adotada por outras grandes companhias do setor de videogames. Muitas delas têm intensificado a oferta de consoles que dispensam leitores de disco e priorizado o lançamento exclusivo de títulos em suas plataformas digitais, marcando uma clara tendência de transição no mercado.
No caso da Sony, uma das principais concorrentes, os jogos em formato físico corresponderam a apenas 15% do total de vendas de títulos para PlayStation no último trimestre do ano anterior. Esse percentual contrasta acentuadamente com os 38,5% registrados pela Nintendo no trimestre que terminou em 30 de junho de 2026. Em setembro do mesmo ano, a Sony enfrentou críticas de consumidores ao argumentar, em um processo judicial, que a aquisição de um título digital confere apenas uma licença de uso, e não a propriedade integral do software, reacendendo o debate sobre a posse de jogos digitais.
Pela Microsoft, Asha Sharma, diretora-executiva da divisão Xbox, reconheceu em setembro de 2026 o valor que o público atribui às mídias físicas e expressou o desejo de garantir poder de escolha aos usuários. Contudo, a empresa ainda não confirmou oficialmente se a próxima geração de consoles da marca incluirá um leitor de discos. No universo das desenvolvedoras, a Rockstar Games anunciou recentemente que seu aguardado título Grand Theft Auto 6 (GTA 6) será comercializado exclusivamente em formato digital, sem versões em disco físico.
As seguranças oferecidas por Bill van Zyll em São Paulo são específicas para o ciclo de vida atual do Nintendo Switch 2. Até o momento, a empresa japonesa não emitiu qualquer confirmação oficial sobre a manutenção de leitores de cartucho em uma possível futura geração de consoles que suceda o aparelho lançado em 2025, deixando em aberto o futuro de longo prazo da mídia física.
Em relação ao cronograma de lançamentos de curto prazo para a plataforma atual, o vice-presidente da Nintendo para a América Latina confirmou a chegada do jogo Pokémon Wind Wave. Previsto para 2027, o título será disponibilizado com uma edição em mídia física e contará com tradução completa para o português, atendendo ao público local.