
'Graceful', superiate de Vladimir Puitn — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
A embarcação de luxo associada ao presidente russo Vladimir Putin, avaliada em cerca de R$ 700 milhões, está sendo deslocada para uma área mais segura no Ártico, sob a proteção de navios de guerra da Marinha russa, em meio ao crescente temor de investidas de drones ucranianos. A medida reflete a intensificação dos ataques de Kiev contra alvos marítimos e infraestruturas russas, elevando a preocupação com a segurança de ativos de alto valor, mesmo distantes das linhas de frente ativas.
Conhecido como “Graceful”, o superiate de 81 metros de comprimento partiu em direção ao porto de Murmansk, localizado no norte da Rússia. Essa escolha de destino oferece maior proteção contra possíveis ações de drones ucranianos, visto que a região de Murmansk é um importante polo naval russo, dotado de robustas defesas antiaéreas.
Acompanharam o superiate nesse trajeto o contratorpedeiro “Severomorsk”, uma embarcação de guerra pesadamente armada, e o navio de patrulha e salvamento “Voevoda”. A mobilização de tais recursos militares para a salvaguarda de um bem particular sublinha a gravidade da ameaça percebida pelos estrategistas russos, que buscam resguardar bens considerados estratégicos ou de grande simbolismo.
A movimentação do comboio russo foi acompanhada de perto por forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Navios-patrulha pertencentes às marinhas alemã e dinamarquesa realizaram o monitoramento das embarcações enquanto elas cruzavam o Mar Báltico. Essa vigilância por parte de membros da OTAN destaca a constante atenção da aliança sobre as atividades navais russas, especialmente em um cenário de conflito na Ucrânia.
Para mitigar a vulnerabilidade a ataques aéreos, o superiate “Graceful” já havia sido equipado com redes de proteção específicas contra drones. Essa adaptação tecnológica evidencia a preocupação crescente com as capacidades de ataque não tripuladas. A embarcação é um símbolo de luxo e sofisticação, contando com piscinas de água doce e salgada, um heliponto privativo, uma academia completa e um centro de comunicações seguras, projetado para garantir a privacidade e a segurança de seus ocupantes.
A decisão de reforçar a segurança de um ativo tão opulento, utilizando recursos militares que poderiam estar em outras frentes, reflete a prioridade dada à proteção de bens pessoais do líder russo. Isso acontece em um momento em que a Ucrânia tem intensificado seus ataques com drones contra alvos navais russos, inclusive na Frota do Mar Negro, demonstrando uma capacidade crescente de atingir embarcações em diferentes regiões.
A elegante embarcação branca é informalmente conhecida como o “ninho de amor” do presidente Putin. Acredita-se que ele tenha realizado inúmeras viagens a bordo do iate multimilionário, muitas delas na companhia de sua suposta parceira, a ex-ginasta Alina Kabaeva. Existem rumores de que eles teriam dois filhos, Ivan, nascido em 2015, e Vladimir Putin Jr., nascido em 2019. Contudo, o Kremlin nunca confirmou oficialmente nem o relacionamento nem a existência dessas crianças.
Um aspecto notável da história do iate é sua transferência estratégica. A embarcação foi movida de um estaleiro em Hamburgo, na Alemanha, para a cidade russa de Kaliningrado pouco mais de duas semanas antes do início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Essa movimentação antecipada levanta questões sobre um possível planejamento prévio e a intenção de manter o iate em águas consideradas mais seguras antes da eclosão do conflito em larga escala.