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Uma jovem de 24 anos foi vítima de uma agressão violenta na noite da última segunda-feira (15) na estação Parada Inglesa, que faz parte da Linha 1-Azul do Metrô de São Paulo, na Zona Norte da capital. Larissa Ramos Raudenberg, auxiliar de compras, sofreu diversas fraturas graves, incluindo o maxilar, o joelho esquerdo, o nariz e a perda de três dentes, após ser atacada por um homem.
O incidente ocorreu quando Larissa acessava a plataforma de embarque com destino a Tucuruvi. Segundo o boletim de ocorrência, ela foi surpreendida por Rodrigo de Oliveira, de 25 anos, que iniciou as agressões sem qualquer provocação aparente. A vítima relata que o ataque começou quando o agressor perseguiu sua amiga, Ana Claudia Calbo de Oliveira, após um breve contato visual.
Ao tentar intervir ou se proteger, Larissa foi atingida por um chute no joelho, sendo derrubada ao chão. Mesmo caída e visivelmente ferida, o agressor continuou a violência, desferindo múltiplos chutes em seu rosto e cabeça. “Ele veio para cima da gente com tudo. Não foi uma tentativa de roubo, pois eu carregava dois celulares. Os aparelhos caíram e ele nem sequer os tocou. Mesmo percebendo que eu havia desmaiado, ele continuou me batendo”, testemunhou a vítima, enfatizando a natureza do ataque.
Larissa Ramos Raudenberg foi socorrida ainda na estação por equipes do Metrô e encaminhada prontamente ao Hospital Mandaqui, onde recebeu os primeiros cuidados e permaneceu sob observação médica. Ela já recebeu alta e está em recuperação domiciliar, lidando com as consequências físicas da agressão. “Quebrei o nariz, o maxilar, estou com o rosto bastante inchado, perdi três dentes e fraturei o joelho, o que me faz mancar ao andar”, detalhou a jovem sobre a extensão de suas lesões.
O caso foi inicialmente registrado pela polícia no 73° Distrito Policial (Jaçanã) como lesão corporal. No entanto, Larissa contesta veementemente essa classificação, considerando a ação uma tentativa de feminicídio devido à intensidade e natureza da violência. “Para mim, foi uma tentativa de feminicídio. Quiseram soltá-lo, hoje fui eu, mas amanhã pode ser outra mulher que talvez não sobreviva a um ataque desses”, desabafou a vítima, que planeja prestar uma nova queixa após o exame de corpo de delito.
A discussão sobre a qualificação do crime é crucial, pois a interpretação legal pode impactar diretamente a punição do agressor e a proteção de outras potenciais vítimas. A tentativa de feminicídio, que reflete a violência de gênero com intenção de morte, acarreta penas mais severas e um tratamento diferenciado no sistema de justiça, enquanto a lesão corporal pode resultar em sanções mais brandas, como a liberdade provisória do agressor, como ocorreu neste caso.
Informações adicionais indicam que o agressor não portava documentos no momento da prisão. A amiga de Larissa, Ana Claudia, também foi atingida por um chute na perna direita, mas conseguiu escapar e não apresentava lesões visíveis.
A vítima expressou profunda insatisfação com a percepção de falha na segurança dentro da estação. “O agressor estava na plataforma, no local onde os passageiros aguardam o trem. Isso significa que ele passou pela catraca e não havia nenhum agente de segurança do Metrô presente. Eles só apareceram após o incidente”, relatou Larissa. Ela também mencionou ter sido informada de que o homem já possuía histórico de passagens pela polícia por assédio a mulheres no metrô, aumentando a preocupação com a reincidência e a falta de prevenção.
O Metrô de São Paulo, em comunicado, informou que seus agentes de segurança agiram rapidamente para identificar e deter o agressor, confirmando o socorro à vítima e o encaminhamento do caso à investigação da Polícia Civil. Contudo, o trauma psicológico da agressão é evidente. “Sinto um grande receio de usar o metrô novamente”, confessou a jovem, que busca acompanhamento psicológico para lidar com as consequências da violência e a sensação de vulnerabilidade.