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Deputado Hugo Motta Confirma Viagem a Lisboa em Jato Particular e Hotel Pago por Banqueiro Sob Investigação

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O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) admitiu ter viajado para Lisboa, capital de Portugal, a bordo de um jato particular pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro. A confirmação veio após um convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI), e Motta também reconheceu que as diárias de sua hospedagem em um hotel de luxo na cidade foram custeadas pelo mesmo banqueiro, fato que já havia sido apontado em apurações da Polícia Federal (PF).

Essa declaração do parlamentar emergiu depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu autorização para o levantamento do sigilo de documentos anteriormente restritos. Tais informações foram enviadas pela Polícia Federal e estão diretamente ligadas ao caso que envolve Vorcaro, adicionando novos capítulos à investigação.

Crédito: Mixvale.com.br

Detalhes da Admissão e o Envolvimento do Banqueiro

O conjunto de dados recém-liberados faz parte de um vasto material coletado no âmbito da Operação Compliance Zero. Esta operação investiga possíveis irregularidades financeiras e esquemas de fraude que teriam ligação com o Banco Master, do qual Daniel Vorcaro é figura central. A viagem de Motta e os pagamentos associados são agora peças-chave neste quebra-cabeça.

Divergências nos Registros de Hospedagem

A versão apresentada pelo deputado Hugo Motta sobre a duração da estadia difere das conclusões dos investigadores. Enquanto Motta afirmou que o banqueiro cobriu apenas duas diárias em Lisboa, o relatório da Polícia Federal indica que Vorcaro teria quitado cinco dias de hospedagem. Para complicar, a fatura do hotel registra um total de sete diárias, criando uma disparidade significativa que se tornou um ponto crucial para a elucidação completa dos fatos investigados e para entender a extensão do benefício concedido.

Interceptações e o Tratamento “Privilegiado” a Políticos

No relatório elaborado pela Polícia Federal, há menção a diálogos entre Vorcaro e um de seus assistentes. Nessas conversas, o banqueiro expressa a necessidade de dois quartos na capital portuguesa, especificamente para “Ciro e Hugo”. A PF interpreta que “Ciro” se refere ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem Vorcaro estaria concedendo um “tratamento privilegiado”, incluindo o custeio de viagens internacionais, acomodação e refeições em estabelecimentos de alto padrão.

Dias após esses diálogos sobre a viagem, o auxiliar de Vorcaro confirmou a disponibilidade de duas suítes no prestigiado hotel Four Seasons. O assistente solicitou a Vorcaro uma “lista dos homens”, e o banqueiro respondeu com uma relação que incluía os nomes de Ciro Nogueira e Hugo Motta. Isso demonstra a coordenação direta do banqueiro na organização da estadia.

Os policiais também destacam que, na mesma comunicação, Vorcaro encaminhou um áudio ao seu auxiliar, solicitando atenção especial à privacidade e segurança durante a estadia. “Leo, preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro. Tem que ter alguém lá embaixo, quando você sai do elevador já dá para ver tudo, quem tá, o que está acontecendo”, declarou Vorcaro no áudio, recebendo a confirmação “Ok.” do auxiliar.

Cruzamento de Dados e o Custo da Estadia de Luxo

A Polícia Federal realizou o cruzamento das informações contidas nas mensagens com diversos documentos extraídos dos e-mails de Vorcaro. Entre eles, foi encontrada uma fatura que detalhava uma viagem a Lisboa em junho de 2024, identificada pela corporação como sendo a mesma mencionada nas conversas. Esse cruzamento de dados fornece uma base sólida para as conclusões da investigação.

“O confronto destes dados com os diálogos travados no mesmo período, conforme já citado, oferece elementos coincidentes que fortalecem a conclusão de que determinados pagamentos se referem à hospedagem de Ciro Nogueira e Hugo Motta”, afirma o relatório. A PF calculou que as diárias, neste caso específico, somaram EUR 3.155,71, um valor equivalente a aproximadamente R$ 18.256,21 na cotação da época, evidenciando o alto custo do luxuoso tratamento.

A hospedagem ocorreu no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, um estabelecimento cinco estrelas situado em uma das áreas mais nobres de Lisboa. O hotel é conhecido por sua arquitetura que mescla Art Déco com o estilo Luís XVI, e abriga uma notável coleção particular de arte portuguesa do século XX, com obras distribuídas por seus ambientes. A escolha do local reforça a tese de um “tratamento privilegiado” e as preocupações com a discrição durante a estadia.