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Mulher se declara culpada por homicídio culposo após matar e esquartejar marido em Sydney, alegando anos de abuso

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Uma mulher australiana se declarou culpada de homicídio culposo nesta quarta-feira (26/8) em um tribunal de Sydney, admitindo ter matado e esquartejado o marido, Mahmoud Noufl, em maio de 2023. Nirmeen Noufl, de 55 anos, revelou que o casamento de três décadas foi marcado por um histórico de abusos e infidelidade, culminando em uma briga violenta que, segundo ela, a levou a agir em legítima defesa.

Confissão e o Cenário de Abuso Conjugal

Nirmeen Noufl confessou ter tirado a vida do companheiro de 62 anos e, posteriormente, desmembrado o corpo, espalhando os restos em sacos de lixo por diversas áreas de Sydney. A admissão da culpa por homicídio culposo, que implica a ausência de intenção direta de matar, ocorreu de última hora, alterando a expectativa de um longo julgamento de 40 dias. O caso chocante trouxe à tona a complexidade de um relacionamento que, conforme relatos, era conturbado e abusivo.

Nirmeen Noufl confessou ter assassinado o marido, Mahmoud, em Sydney — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

O Confronto Fatal e a Alegação de Legítima Defesa

A defesa de Nirmeen se baseia na alegação de que o crime foi uma resposta a uma agressão. Ela descreveu uma discussão acalorada na qual Mahmoud a perseguiu pela casa antes de imobilizá-la no chão da cozinha e tentar estrangulá-la. Em um momento de desespero e temendo por sua vida, Nirmeen afirmou ter utilizado uma ferramenta de reforma que estava próxima, desferindo um golpe fatal no peito do marido. Uma testemunha chegou a ver Nirmeen com ferimentos no rosto na noite dos fatos, incluindo um corte na testa, lábio sangrando e mandíbula inchada, o que corrobora a versão de um confronto físico.

A Tentativa de Ocultação e a Farsa Mantida por Meses

Após a morte, Nirmeen Noufl tomou medidas drásticas para ocultar o corpo, dissecando-o e descartando os restos mortais em diferentes bairros de Sydney. Os sacos foram recolhidos como lixo comum, e os restos nunca foram encontrados, dificultando a perícia sobre a causa exata da morte. Por dois meses, Nirmeen manteve a farsa de que o marido ainda estava vivo, utilizando o celular dele para enviar mensagens e afastando parentes que tentavam visitá-lo, alegando que ele estava envergonhado e não queria contato devido a um caso extraconjugal.

Detalhes do Relacionamento e o Impacto da Infidelidade

Documentos judiciais revelaram que o casamento de mais de 30 anos era marcado por múltiplos episódios de violência e infidelidade. Dias antes de sua morte, Mahmoud havia confessado a Nirmeen que mantinha um caso e planejava se casar com a amante, a quem inclusive havia dado dinheiro para comprar uma casa no Egito. Nirmeen, inicialmente, exigiu o divórcio, mas, segundo ela, foi incapaz de ignorar “as vozes em minha cabeça”. Mahmoud, que possuía visões islâmicas conservadoras, exercia controle sobre a esposa e se recusava a se divorciar, mesmo planejando fugir com outra mulher. Nirmeen chegou a se passar pelo marido assassinado para tentar reaver o dinheiro dado à amante.

A Decisão Judicial: Homicídio Culposo e as Implicações

A declaração de culpa por homicídio culposo, em vez de assassinato, reflete a complexidade do caso e a influência das alegações de abuso e legítima defesa no sistema judicial. Embora a dissimulação do corpo e a ocultação da morte por meses sugiram premeditação ou um acobertamento meticuloso, a aceitação da culpa por homicídio culposo indica que a acusação considerou a possibilidade de que o ato inicial não foi intencional de matar, mas sim uma reação a uma ameaça iminente. Essa distinção legal é crucial para a pena a ser aplicada. Nirmeen, em depoimento a uma amiga, expressou que “não aguentava mais” ser tratada “como lixo” e que o marido “estava rindo de mim”, cuspiu nela, levando-a ao seu limite, mas que “não sabe como fez isso”, expressando arrependimento.