Categories: Notícias

Mulher relata arrependimento após preenchimento mamário com gordura cadavérica: Parece a superfície da Lua

Share

Uma moradora da Califórnia, nos Estados Unidos, enfrenta um pesadelo estético e psicológico após se submeter a um procedimento de aumento dos seios que utilizou gordura de origem cadavérica. Nicole, que está na casa dos 40 anos, descreve o resultado de seu busto como “a superfície da Lua”, repleto de nódulos e cistos que se revelaram impossíveis de remover cirurgicamente.

A busca por um novo contorno corporal e tentativas anteriores

Com um desejo de moldar uma silhueta que considerava ideal, Nicole, que prefere não revelar seu sobrenome, já havia investido aproximadamente US$ 20 mil em duas intervenções anteriores de enxerto de gordura. Nestes procedimentos, o objetivo era transferir parte de sua própria gordura para os seios, que ela descrevia como “quase inexistentes”. Contudo, os resultados obtidos não atenderam às suas expectativas.

AlloClae: método não cirúrgico e popular de aumento dos seios e das nádegas que utiliza preenchimento com gordura de origem cadavérica obtido de forma 'ética'. — Foto: Divulgação Crédito: Extra.globo.com

Frustrada com as tentativas de modelar o corpo, a americana descobriu o AlloClae, um método não cirúrgico que prometia o aumento de seios e glúteos através do preenchimento com gordura de doadores falecidos, comercializado como um produto de origem “ética”. O que parecia ser a solução definitiva para seus anseios estéticos transformou-se em uma experiência traumática.

Consequências severas: nódulos endurecidos e cistos oleosos

Após a aplicação do AlloClae, os seios de Nicole desenvolveram nódulos rígidos, comparáveis a pedras, e cistos oleosos persistentes. A condição tornou-se uma fonte constante de desconforto. “Deito-me na cama todas as noites e toco nos caroços, nas pedrinhas”, lamentou ela, evidenciando o impacto diário do procedimento malsucedido em sua vida.

A gravidade do quadro é acentuada pela impossibilidade de remoção cirúrgica desses nódulos, o que significa que Nicole terá que conviver com as sequelas do tratamento. Sua experiência serve como um alerta para os riscos associados a procedimentos estéticos inovadores, especialmente aqueles que utilizam materiais biológicos de origem controversa.

O AlloClae sob escrutínio: disputas legais e reclamações crescentes

A insatisfação de Nicole não é um caso isolado. O AlloClae, apresentado como pioneiro na aplicação de tecido adiposo estrutural de doadores falecidos em procedimentos estéticos, está no centro de uma disputa legal. O Departamento de Saúde do Estado de Nova York move uma ação contra a Tiger Aesthetics, empresa de tecnologia médica responsável pela fabricação do produto.

Embora a situação de Nicole não esteja diretamente ligada ao processo judicial, ela apoia firmemente qualquer investigação aprofundada sobre o produto. “Quando vi pela primeira vez a postagem de um cirurgião plástico no Instagram sobre o AlloClae, parecia um milagre. Agora, arrependo-me amargamente de tê-lo feito”, declarou a californiana, refletindo o sentimento de muitas outras usuárias.

O coro de arrependimento se amplifica nas redes sociais, onde diversas clientes compartilham suas frustrações. Uma usuária anônima alertou que o produto é “dinheiro mal gasto”, alegando que seus efeitos são de curta duração. Outra mulher expressou profunda decepção, afirmando que o procedimento “não valeu o dinheiro nem a dor de cabeça”, após desenvolver cistos recorrentes em ambos os seios, tendo desembolsado cerca de US$ 14 mil.

A posição da fabricante e os riscos inerentes a procedimentos estéticos

Questionada sobre as crescentes reclamações e os problemas relatados, uma porta-voz da Tiger Aesthetics enfatizou que o AlloClae, como qualquer tratamento ou procedimento estético, “não é isento de riscos”. A empresa ressaltou que a transferência de gordura autóloga (do próprio corpo) também apresenta riscos, e o produto alogênico (de doador) não deve ser visto como uma exceção.

A fabricante aconselha que “qualquer novo nódulo ou cisto mamário deve ser avaliado pelo médico responsável”. Este posicionamento reforça a importância da cautela e da pesquisa minuciosa por parte dos pacientes antes de optar por tratamentos estéticos, especialmente aqueles que envolvem tecnologias emergentes ou materiais menos convencionais. A controvérsia em torno do AlloClae destaca a necessidade de regulamentação rigorosa e transparência sobre os potenciais efeitos adversos de procedimentos estéticos inovadores para a segurança dos consumidores.