Mulher perde mais de US$ 10 mil em golpe após acreditar flertar com Jon Bon Jovi por meses

Leslie Pickett achava que estivesse flertando com o roqueiro Jon Bon Jovi — Foto: Reprodução; Reprodução/Instagram

Leslie Pickett achava que estivesse flertando com o roqueiro Jon Bon Jovi — Foto: Reprodução; Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com

Uma moradora da Louisiana, Leslie Pickett, enfrentou um pesadelo financeiro e emocional após cair em um elaborado golpe online, que a levou a crer que estava desenvolvendo um relacionamento com o astro do rock Jon Bon Jovi. Durante meses, a fã, que idolatrava o líder da banda Bon Jovi desde a adolescência, trocou mensagens com um impostor, resultando em uma perda superior a 10 mil dólares e a iminência de perder sua residência.

A construção de uma falsa intimidade digital

Desde o fim de 2023, Leslie acreditou estar em contato pessoal com o músico. Tudo começou com um comentário em uma publicação verificada de Bon Jovi no Instagram, seguido por uma resposta rápida de uma conta que, embora não fosse verificada, parecia genuína. O golpista, que se passava pelo artista, justificava a falta de selo de verificação dizendo que buscava uma conexão mais autêntica com os fãs, longe dos olhos de sua equipe, que supostamente encerraria a conta secreta caso a descobrisse.

Leslie Pickett achava que estivesse flertando com o roqueiro Jon Bon Jovi — Foto: Reprodução; Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com

As conversas se intensificaram, ocorrendo “várias vezes ao dia e à noite”, forjando um laço baseado em interesses musicais e pessoais. O impostor demonstrava uma memória impressionante para detalhes de diálogos anteriores, expressava sentimentos como “Eu te amo” e chegou a enviar um buquê de flores para a casa de Leslie, solidificando a crença da vítima na autenticidade do relacionamento.

Tecnologia e persuasão: a face do impostor

A farsa alcançou outro nível quando o suposto Bon Jovi enviou vídeos gravados e, posteriormente, participou de chamadas de vídeo ao vivo. Leslie, sem conhecimento sobre inteligência artificial na época, estava convencida de que estava interagindo diretamente com seu ídolo, em uma dimensão romântica. Ela chegou a compartilhar capturas de tela das videochamadas com um primo, que confirmou a identidade do artista, reforçando a ilusão.

O golpe progrediu para uma proposta de encontro pessoal. Para isso, Leslie deveria lidar com uma suposta “equipe de gestão de carreira” do músico. Foi nesse momento que surgiram os pedidos de dinheiro, com o impostor instruindo a vítima a realizar pagamentos por meio de métodos incomuns para ela, como criptomoedas. “Eu nunca tinha nem ouvido a palavra ‘cripto'”, relatou Leslie, que apesar de sentir um alerta, acreditou que os pagamentos eram um procedimento normal para encontros com celebridades e que as transações em bitcoin seriam a forma mais segura de envio.

A escalada financeira e o desmascaramento da fraude

As solicitações de dinheiro começaram com valores menores, cerca de 100 a 150 dólares, mas rapidamente escalaram. O golpista alegava que os pagamentos não haviam sido processados e instruía Leslie a enviar quantias maiores por diversas plataformas, incluindo Venmo, PayPal, Cash App e criptomoedas. A vítima chegou a passar noites em claro tentando efetuar as transferências, acumulando uma dívida que ultrapassou os US$ 10 mil. A dura realidade se impôs quando ela percebeu que as quantias não retornavam à sua conta, levando-a a um ponto de endividamento extremo, com sua casa sob risco de retomada.

A jornalista e diretora Mariana van Zeller, que abordou a história de Leslie em um documentário, ressaltou a gravidade da situação. Segundo ela, os golpes românticos representam a modalidade de crime financeiro de crescimento mais rápido e a mais devastadora, afetando um em cada sete americanos. A investigação de Mariana, com o auxílio de um hacker, rastreou a origem da fraude contra Leslie e outras vítimas até Lagos, na Nigéria, um conhecido centro de operações de golpes online.

Romance online: um cenário fértil para criminosos

A história de Leslie serve como um alerta contundente para os perigos das interações online, especialmente quando envolvem figuras públicas. É crucial lembrar que o verdadeiro Jon Bon Jovi é casado desde 1989 com Dorothea Hurley, sua paixão de infância em Nova Jersey, e o casal tem quatro filhos. A discrepância entre a narrativa do golpista e a vida real do artista sublinha a sofisticação e a crueldade desses criminosos, que exploram vulnerabilidades emocionais e financeiras de suas vítimas.

A conscientização sobre as táticas utilizadas por fraudadores, como a criação de perfis falsos, o uso de inteligência artificial para simular identidades e a insistência em métodos de pagamento incomuns, é fundamental para proteger os usuários da internet. A verificação rigorosa de contas, a desconfiança de pedidos de dinheiro e a busca por informações em fontes confiáveis são passos essenciais para evitar cair em armadilhas digitais.