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Um marco significativo foi alcançado no cenário tecnológico chinês com a revelação, nesta terça-feira (30), de um novo sistema de inteligência artificial de larga escala pela empresa Meituan. A companhia descreve esta inovação como a primeira do gênero a ser completamente desenvolvida utilizando microprocessadores fabricados dentro do próprio território asiático, conforme reportado por agências internacionais.
Este avanço sucede o lançamento da IA DeepSeek, em janeiro de 2025, uma solução chinesa que se destacou por oferecer custos operacionais aproximadamente 75% menores em comparação com alternativas de mercado de outras corporações. Tais desenvolvimentos sinalizam uma crescente capacidade da China no campo da IA.
O panorama tecnológico global é atualmente marcado por uma intensa disputa geopolítica entre a China e os Estados Unidos, especialmente no setor de semicondutores e dos chips de alta performance, que são indispensáveis para as aplicações de inteligência artificial.
As tensões se intensificaram após o governo norte-americano, durante a administração de Donald Trump, impor restrições à importação de chips de alto desempenho da Nvidia (NVDA), líder mundial neste segmento. Essa medida impulsionou a China a acelerar seus investimentos e esforços na criação de componentes semicondutores avançados de fabricação própria.
Neste contexto de busca por autossuficiência, a Meituan, uma empresa com um portfólio vasto que engloba desde plataformas de entrega de alimentos e reservas de hospedagem até o desenvolvimento de tecnologias de ponta, anunciou o LongCat-2.0. A companhia posiciona este modelo de linguagem de grande porte como um rival direto do Gemini 3.1, lançado pelo Google em fevereiro.
Os modelos de linguagem de grande porte (LLMs) representam a infraestrutura tecnológica essencial para o funcionamento de assistentes virtuais, como os chatbots, e de inúmeras outras aplicações inovadoras baseadas em inteligência artificial.
Em um comunicado oficial, a Meituan especificou que o LongCat-2.0 constitui “o primeiro modelo com um trilhão de parâmetros da indústria a concluir o treinamento e a inferência de ponta a ponta em uma infraestrutura computacional nacional composta por 50.000 chips”. Este feito demonstra a capacidade de processamento em larga escala alcançada com recursos internos.
Apesar da relevância tecnológica do anúncio, a empresa optou por não divulgar o nome do grupo chinês responsável pela produção dos semicondutores empregados no processo de desenvolvimento e treinamento da sua nova inteligência artificial.
Este lançamento é considerado um divisor de águas para a indústria de IA na China, principalmente porque o treinamento de modelos competitivos, que demandam um processamento massivo de dados digitais, exige chips com altíssima capacidade e performance de computação.
A equipe de pesquisa da Meituan iniciou a exploração e a aplicação de chips de fabricação doméstica já em 2023. Segundo a empresa, esses esforços “demonstraram a viabilidade de realizar o treinamento de modelos em larga escala utilizando clusters de computação integralmente nacionais”.