
Crédito: Formula1.com
As equipes de Fórmula 1 revisitam suas decisões pós-corrida, e o chefe da McLaren, Andrea Stella, detalhou as escolhas estratégicas implementadas durante o Grande Prêmio da Bélgica. A análise minuciosa busca compreender os resultados e as oportunidades perdidas no desafiador circuito de Spa-Francorchamps.
Lando Norris cruzou a linha de chegada em sétimo lugar na Bélgica, no último domingo, após largar da 13ª posição. À primeira vista, essa ascensão representou uma recuperação sólida para o piloto da McLaren. Contudo, o fato de Norris ter liderado a prova em certo momento levantou questionamentos sobre um potencial ainda maior que poderia ter sido alcançado.
O dirigente principal da equipe, Andrea Stella, reconheceu posteriormente que a estratégia aplicada ao piloto, que é o atual campeão mundial, não foi totalmente precisa. Ele fez questão, no entanto, de ressaltar que a clareza proporcionada pela retrospectiva é sempre um fator poderoso, mas indisponível no calor da competição.
No sábado, Norris havia conquistado a terceira posição no grid, demonstrando que o carro da McLaren exibia um ritmo competitivo em Spa-Francorchamps. Sua largada foi comprometida por uma penalidade de dez posições, imposta pela troca de componentes da unidade de potência, o que o fez iniciar a corrida do 13º posto. A partir daí, a equipe optou por iniciar sua prova com pneus de composto duro.
A velocidade intrínseca do carro, combinada com um longo primeiro stint, impulsionou Norris através do pelotão, levando-o à liderança. Contudo, quando outros competidores realizaram suas paradas nos boxes e se beneficiaram de um período de Safety Car Virtual (VSC), a McLaren optou por manter Norris na pista – uma decisão que, em retrospecto, se revelou determinante para o desfecho da corrida.
Naquele momento, havia uma preocupação considerável com a durabilidade de um período tão extenso com pneus médios. A equipe acreditava que o ritmo de Norris seria forte o suficiente para colocá-lo em uma posição vantajosa caso houvesse outro Safety Car ou Safety Car Virtual, conforme explicou Stella após a corrida, justificando a permanência na pista.
Com a vantagem da visão retrospectiva perfeita, e observando o desempenho de Lando com os pneus médios – e o fato de que, ao contrário do primeiro stint, o composto médio parecia resistir relativamente bem –, Stella admitiu que a equipe deveria ter arriscado a parada. Norris acabou perdendo tempo ao ser ultrapassado enquanto permanecia na pista, e nenhuma nova intervenção do Safety Car ocorreu.
Após sua parada tardia, Norris caiu para trás do Red Bull de Isack Hadjar, ficando sem voltas suficientes para alcançar o piloto francês. Esse cenário o deixou com a sétima colocação, duas posições atrás de seu companheiro de equipe, evidenciando o custo da decisão estratégica.
“Foi uma situação de 50-50”, acrescentou Stella. “Queríamos evitar que Lando perdesse tempo em uma parada dupla nos boxes, já que ele era o segundo carro a entrar.” Assim, a escolha foi mantê-lo na pista, mas, como mencionado, tratava-se de uma incerteza e, em retrospecto, provavelmente teria sido mais benéfico parar.
Embora as escolhas estratégicas não tenham sido perfeitas, foi encorajador observar o ritmo que Norris demonstrou com uma unidade de potência mais nova, especialmente em uma volta rápida. A McLaren tem se consolidado como o quarto carro mais rápido nos eventos recentes, e Stella acredita que, sem a penalidade no grid, Norris estaria disputando a segunda posição.
“Acredito que o carro tinha o ritmo para a classificação e, com base no que vimos hoje, tinha o ritmo na corrida para lutar por pódios”, afirmou Stella. “Ao mesmo tempo, penso que o carro se adaptou bem às condições da Bélgica, o que é um ponto positivo para a evolução que estamos buscando.”
No momento, a equipe ainda se mostra sensível às condições da pista e ao nível de aderência disponível. O objetivo principal da McLaren é garantir que o desempenho do carro se torne independente dessa variabilidade, permitindo que a equipe compita em alto nível, pois o veículo possui a força necessária para tal em qualquer circunstância.
Norris não foi o único piloto da McLaren a sentir alguma frustração ao término do Grande Prêmio da Bélgica; Oscar Piastri também enfrentou uma corrida difícil. Ele esteve no meio da disputa com as duas Ferraris no início, mas teve um contato com Charles Leclerc ao tentar uma ultrapassagem no final da reta Kemmel.
Os comissários optaram por não tomar nenhuma medida adicional, concluindo que Piastri não estava suficientemente ao lado do carro da Ferrari para completar a manobra e, portanto, não tinha direito ao espaço. Esse tipo de incidente ilustra a complexidade das regras de corrida e a subjetividade das decisões dos comissários.
Apesar de Piastri ter sofrido danos na borda de seu assoalho, Stella ainda acredita que o australiano pode tirar pontos positivos da experiência – especialmente considerando que ele estava utilizando uma unidade de potência mais antiga que a de seu companheiro de equipe. O dano causou uma perda de downforce que equivalia a dois ou três décimos de segundo por volta.
“A principal forma como esse dano se manifestou foi, na verdade, o fato de que ele precisou forçar mais os pneus do que os concorrentes para se manter com eles na primeira parte do stint, e então teve uma degradação muito alta na segunda parte dos stints”, explicou Stella, detalhando o impacto indireto na estratégia e performance de Piastri.
Contudo, além desses percalços, Stella avalia que Oscar aprendeu bastante ao longo do fim de semana. Na classificação, por exemplo, no Q3, ele apresentava o mesmo ritmo de Lando, se não fosse pelo tempo perdido devido à unidade de potência. Hoje, sem os danos, Stella acredita que Piastri teria alcançado um resultado significativamente melhor, mostrando seu potencial crescente.