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O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, fez uma declaração contundente em 30 de julho de 2026, acusando a Apple de empregar lobistas em Washington. Segundo Sweeney, o objetivo seria minar as relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos. Esta suposta campanha de influência viria à tona após uma determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) brasileiro, que exigiu que a gigante da tecnologia permitisse a instalação de lojas de aplicativos de terceiros em seus dispositivos iPhone.
O fundador da empresa por trás do popular jogo “Fortnite” afirmou que a estratégia da Apple visa “destruir os bons laços entre nossas nações para preservar sua capacidade de continuar infringindo a lei e aplicando tarifas indevidas”. A declaração foi proferida durante uma coletiva de imprensa realizada online, direcionada especificamente a jornalistas brasileiros. A Epic Games e a Apple estão envolvidas em disputas legais e regulatórias globalmente, com a questão das lojas de aplicativos sendo um ponto central de conflito sobre o controle de plataformas digitais.
Em resposta às graves alegações de Sweeney e da Epic Games, a Apple emitiu um comunicado negando veementemente as acusações, classificando-as como inverídicas. A companhia reiterou seu compromisso em apoiar os desenvolvedores brasileiros e mencionou um acordo firmado com o Cade, que inclui a redução de comissões e a permissão para o uso de métodos de pagamento e canais de distribuição alternativos para aplicativos. A empresa também destacou sua colaboração com as autoridades reguladoras no Brasil para manter a integridade e a segurança do ecossistema digital.
Sweeney não recuou em suas declarações, insistindo que “a Apple está desrespeitando a legislação no Brasil”. Ele também apontou que os supostos defensores da Apple no governo americano, particularmente no escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), “estão constantemente ameaçando todos esses parceiros internacionais de grande importância”.
O USTR, uma agência governamental dos EUA responsável por desenvolver e coordenar a política comercial, teve um papel crucial ao sugerir ao então presidente Donald Trump a implementação das duas últimas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros. Essas tarifas, que poderiam alcançar 37,5%, foram impostas, sendo uma delas, em 22 de julho de 2026, justificada pela suposta penalização de práticas comerciais brasileiras ligadas a e-commerce e processamento de pagamentos. Este cenário demonstra como litígios corporativos podem escalar e influenciar diretamente as políticas econômicas entre países, gerando tensões diplomáticas e comerciais.
“Isso é profundamente preocupante e representa uma ameaça à democracia nos Estados Unidos, no Brasil e na Europa”, declarou Sweeney. Ele criticou a postura da Apple por agir “de maneira extremamente audaciosa e sem qualquer constrangimento”, e expressou a esperança de que “um dia, ela seja responsabilizada por seus atos. É inadmissível que uma empresa americana interfira nas boas relações internacionais desta forma”.
A Epic Games está engajada em uma extensa batalha jurídica contra a Apple, com processos em andamento tanto nos Estados Unidos quanto em diversas instâncias regulatórias internacionais. O cerne da disputa reside na contestação das taxas cobradas pela Apple em sua loja de aplicativos, consideradas abusivas, e na busca por garantir que o sistema operacional de seus dispositivos seja mais aberto e acessível a desenvolvedores concorrentes. Essa é uma discussão que permeia diversos mercados globais, com reguladores buscando um equilíbrio entre a inovação das plataformas e a concorrência justa.
Com base na decisão do Cade, proferida em dezembro de 2025, a Epic Games lançou sua própria plataforma de vendas de aplicativos para iPhones no Brasil em 30 de julho de 2026. No entanto, Sweeney alega que a Apple continua a erguer uma série de obstáculos considerados ilegais, impedindo a formação de um ambiente de competição verdadeiramente equitativo no mercado brasileiro.
Entre as táticas supostamente empregadas pela Apple, estão diversas taxas aplicadas a transações que ocorrem fora da App Store tradicional. Conforme detalhado pelo CEO da Epic Games, a empresa cobra uma comissão de 21% sobre compras que utilizam sistemas de pagamento externos, 15% sobre compras online iniciadas por meio de um aplicativo iOS, e 5% sobre a receita gerada por qualquer loja virtual instalada em seus dispositivos.
Sweeney observou que “os serviços de pagamento convencionais geralmente cobram taxas de 2% ou 3%. Esse é o custo real do processamento de pagamentos. A Apple mais do que duplica esse valor e cobra uma taxa sem realizar absolutamente nenhuma operação adicional”.
A Epic Games ressalta que o processo de instalação de um aplicativo em dispositivos Apple no Brasil exige nove etapas, um contraste notável com a Europa, onde o Digital Markets Act (DMA) simplificou o procedimento para apenas seis passos. No Congresso Nacional, uma legislação similar à europeia está sendo debatida, enfrentando forte oposição de grandes corporações de tecnologia, o que evidencia a dimensão política dessas disputas.
Sweeney afirmou que “a Apple possui os melhores designers de interface do mundo. Quando ela decide criar uma interface superior, ela o faz com enorme sucesso. Por isso, ao observar a Apple desenvolver uma interface deficiente, fica claro que isso é intencional e serve aos interesses comerciais da empresa, e não a qualquer propósito legítimo de design ou usabilidade”.
Um ponto adicional de crítica levantado pelo executivo é a impossibilidade de instalar o aplicativo da loja virtual da Epic Games em iPads no Brasil. Ele explicou que a Apple impôs um bloqueio similar no mercado europeu, mas foi obrigada a autorizar lojas de terceiros nesses aparelhos após intervenção regulatória, demonstrando uma inconsistência de tratamento entre mercados.
A loja virtual da Epic Games foi lançada para dispositivos iOS no Brasil com apenas dois títulos disponíveis: “Rocket League Sideswipe” e “Fortnite”, ambos desenvolvidos pela própria Epic. Segundo Sweeney, a ausência de jogos de outras desenvolvedoras é mais uma consequência direta das estratégias da Apple para sufocar a concorrência e limitar a escolha do consumidor.
“A Apple exige que os desenvolvedores instalem uma espécie de ‘spyware’ [programa espião], que envia de volta à empresa todas as informações sobre as transações comerciais realizadas nas lojas de terceiros”, acusou Sweeney. Ele detalhou que “integrar esse ‘spyware’ ao aplicativo demanda muito trabalho, fazendo com que muitos desenvolvedores simplesmente não queiram fazê-lo. Em segundo lugar, muitos têm uma objeção moral a permitir que a Apple monitore as transações entre eles e seus clientes”.
A fabricante do iPhone defende que o termo “spyware” é impreciso e enganoso. A empresa esclarece que solicita relatórios de vendas detalhados com o objetivo de calcular os pagamentos devidos pelo uso de suas tecnologias em transações de terceiros. Essa exigência, segundo a Apple, aplica-se tanto a aplicativos disponíveis na App Store oficial quanto àqueles distribuídos por outras vias, sendo uma prática padrão para assegurar a remuneração pelo uso de sua propriedade intelectual.
O executivo da Epic Games indicou que a empresa irá acionar o Cade novamente, buscando a remoção definitiva dos impedimentos que a Apple impõe às lojas de aplicativos de terceiros no Brasil, sinalizando a continuidade da batalha regulatória e jurídica no país.