
Marzieh Ebrahimi Shamsabadi — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Uma proeminente influenciadora digital no Irã recebeu a pena de morte por acusações graves que incluem “corrupção na Terra”, um termo legal frequentemente empregado contra críticos do governo. Marzieh Ebrahimi Shamsabadi, de 33 anos, conhecida por seus seguidores como Sevda, foi detida meses após compartilhar uma mensagem nas redes sociais que as autoridades interpretaram como um desafio direto à liderança suprema do país.
Antes de ser presa e sentenciada, Sevda deixou uma publicação final para seus cerca de 10 mil seguidores no Instagram, que ressoou como um testamento de suas convicções. Em 23 de fevereiro, ela escreveu: “Se um dia eu deixar este mundo, saibam apenas uma coisa: escolhi o caminho em que acreditava.”
A mensagem, exibida sobre um fundo escuro e adornada com imagens de uma pomba branca e uma rosa vermelha, foi amplamente interpretada como uma declaração de sua prontidão em enfrentar as consequências de sua oposição ao aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã. A postura da influenciadora destacou o risco que ativistas e figuras públicas enfrentam ao expressar opiniões dissidentes no país.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) informou que Marzieh Ebrahimi Shamsabadi foi condenada à morte com base na acusação de “corrupção na Terra” (Mofsed-e-filarz). Essa é uma das mais severas imputações no sistema judicial iraniano, frequentemente utilizada para silenciar vozes críticas ao Estado.
Além da acusação principal, Sevda também enfrentou outras imputações, como “insultar o líder supremo” (Toheen-e-Rahbar) e “publicar propaganda contra o regime islâmico”, que está no poder desde a revolução de 1979. No Irã, meras declarações que questionam as políticas governamentais podem ser criminalizadas como “insultos” ou “propaganda subversiva”, servindo como ferramentas políticas para o Poder Judiciário e os Tribunais Revolucionários.
Entre as acusações adicionais, figuram a realização de atividades de inteligência e segurança em nome de “governos hostis” e a suposta captura e envio de uma fotografia de um local atingido por mísseis para fora do país, conforme alegações de Teerã.
O caso de Sevda sublinha a repressão à liberdade de expressão no Irã, onde a pena de morte é aplicada para crimes que em muitas nações democráticas seriam considerados exercício legítimo de direitos civis. A situação da influenciadora destaca os perigos enfrentados por blogueiros, ativistas e qualquer cidadão que ouse criticar abertamente o regime teocrático.
A utilização de acusações como “corrupção na Terra” e “insulto ao líder supremo” reflete um padrão de controle e intimidação para manter a ordem imposta pela Revolução Islâmica. Para o mundo exterior, o caso serve como um alerta sobre a severidade das leis e a falta de garantias de direitos humanos fundamentais para aqueles que desafiam o status quo no Irã.
Atualmente, Marzieh Ebrahimi Shamsabadi permanece detida na penitenciária de Bandar Abbas, aguardando o cumprimento de sua sentença de morte, que gerou condenação internacional por parte de organizações de direitos humanos.