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Liam Lawson Abre o Jogo sobre Vida Fora das Pistas e Trajetória Turbulenta na Fórmula 1

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O piloto neozelandês Liam Lawson, da equipe Racing Bulls, ofereceu um raro vislumbre de sua vida pessoal e dos desafios enfrentados em sua jornada no automobilismo, em uma recente entrevista. A conversa, que faz parte de uma série documental, explorou os sacrifícios familiares e a determinação incansável que o levaram ao grid da Fórmula 1, além de revelar um de seus passatempos favoritos longe dos autódromos.

Em um dia de folga dedicado à produção do programa, Lawson mostrou um pouco de seu cotidiano, levando a equipe a um local especial próximo à sua residência. A iniciativa permitiu mergulhar na intimidade do competidor, que, apesar de uma carreira relativamente curta, já acumula uma experiência considerável e uma história de superação.

A Senda Fragmentada Rumo ao Grande Prêmio

Embora Liam Lawson tenha um número limitado de largadas em corridas de Fórmula 1, sua presença na categoria parece ser de longa data. Essa percepção é resultado de uma ascensão profissional fragmentada, que se estendeu por quatro temporadas e foi marcada por idas e vindas inesperadas no cenário da elite do automobilismo.

O jovem neozelandês teve sua primeira oportunidade de pilotar um carro de F1 em 2023, substituindo Daniel Ricciardo na então AlphaTauri devido a uma lesão do australiano. Contudo, sua participação foi previamente definida para apenas cinco corridas, e ele só retornaria ao cockpit no final do ano seguinte, novamente no lugar de Ricciardo, para o restante da temporada.

Uma surpreendente promoção para a Red Bull veio em 2025, mas a permanência foi breve: após apenas duas corridas, Lawson foi realocado para a Racing Bulls, equipe irmã da Red Bull. Lá, ele se dedicou a reconstruir sua carreira, conquistando uma segunda campanha em tempo integral em 2026, onde já pontuou oito vezes em 11 Grandes Prêmios, demonstrando seu valor e resiliência.

A jornada tem sido árdua para o piloto vindo da Nova Zelândia, cujos pais venderam a casa e seus irmãos abriram mão dos próprios sonhos para que ele pudesse perseguir suas aspirações no esporte a motor, mesmo sem um conhecimento profundo da indústria por parte da família.

“Meus pais venderam a casa quando eu ainda corria de kart para poder continuar competindo”, recorda Lawson. “Todos fizeram sacrifícios enormes: férias em família, coisas desse tipo. Minhas irmãs, ambas dançarinas internacionais, também deixaram suas carreiras de lado.”

O pai de Lawson, que não possuía nenhum conhecimento sobre automobilismo, foi quem o ensinou a dirigir. “Meu pai é um motorista péssimo!”, brinca Lawson. “Saíamos na chuva torrencial, ele testava meus pneus slick e ficava parado em uma curva, me dizendo para frear onde ele estava. Eu tinha uns seis anos, e se seu pai manda você frear onde ele está, você obedece. A cada volta, ele dava um passo para trás, até que eu, obviamente, passava direto da reta por frear tarde demais. Então ele dava um passo à frente e dizia: ‘Ok, é aqui que você freia!'”

Aos 16 anos, Lawson mudou-se para a Europa para aprimorar sua experiência em monopostos, alcançando o segundo lugar na Fórmula 4 Alemã em 2018. No ano seguinte, ingressou no Programa Júnior da Red Bull, o que lhe proporcionou um caminho mais claro em direção à Fórmula 1.

O Momento Decisivo e a Luta por uma Oportunidade na F1

A Red Bull apoiou seu desenvolvimento nas categorias de base, culminando em uma campanha na popular série Super Formula do Japão em 2023. O neozelandês chegou a disputar o campeonato, mas um acidente em Motegi, em agosto, o levou a um território desconhecido de dúvida sobre sua entrada na F1, um sentimento que ele nunca havia experimentado antes, mostrando a intensidade da pressão na base da categoria.

“Provavelmente foi a primeira vez que comecei a ter pequenas dúvidas sobre isso, sobre chegar à Fórmula 1”, confessa. “Estava chegando o fim do ano e eu não estava recebendo muitas notícias. Pela primeira vez, pensei: ‘isso pode não acontecer’, e nunca tinha me sentido assim.”

No entanto, uma sequência de acontecimentos mudou sua vida poucos dias depois, quando ele voou para a Holanda para o Grande Prêmio de Zandvoort. O primeiro desses eventos foi um encontro que Lawson forçou com Helmut Marko, consultor de automobilismo da Red Bull, figura de grande influência nas promoções para a F1.

“Tive três dias basicamente refletindo sobre as coisas e então voei para Zandvoort”, relata. “Decidi que ia sentar com Helmut e pressioná-lo, basicamente descobrir o que ele estava pensando. Fui ao escritório dele na manhã de sexta-feira em Zandvoort e disse: ‘Por que você não me dá uma chance? Você investiu todo esse dinheiro em mim. Qual é o sentido? Estou no programa há cinco anos.’ Chegou ao ponto em que acho que ele ficou um pouco irritado e basicamente me dispensou. Saí daquela reunião, liguei para meu treinador, que estava lá, e disse: ‘Isso é muito difícil.'”

Poucas horas depois, Daniel Ricciardo sofreu um acidente, lesionando a mão e sendo forçado a abandonar o fim de semana de corrida – e, como se viu, as quatro provas seguintes. Esta poderia ser a chance de Lawson, mas sua estreia na F1 ainda não estava garantida.

“Não foi uma decisão direta: ‘Liam vai para o carro'”, explica Lawson. “Era: ‘Quem mais podemos colocar que potencialmente tenha experiência, que já pilotou o carro?’ Fui até Helmut, entrei na sala, ele olhou para mim e perguntou: ‘Você está pronto?’ Eu disse: ‘Sim’. E essa foi toda a conversa.”

Consolidação e Paixão Longe dos Circuitos

Lawson impressionou durante sua passagem de cinco corridas, inclusive eliminando o tetracampeão mundial Max Verstappen da classificação em Singapura e conquistando seus primeiros pontos na corrida. Contudo, foi afastado quando Ricciardo se recuperou e pôde retornar.

A equipe optou por manter Ricciardo para a temporada seguinte, deixando Lawson na reserva. Apesar disso, ele continuou a pleitear sua vaga nos bastidores. “Eu estava apenas tentando abrir aquela porta – durante todo o ano, conversando com Helmut, falando com Christian Horner, chefe da Red Bull, apenas perguntando: ‘Quando terei a chance?'”

Essa oportunidade surgiu em Austin, quando a Red Bull decidiu dispensar Ricciardo e conceder a Lawson a vaga – desta vez, até o fim da temporada. Questionado se sentiu algum conflito ao assumir o lugar de Ricciardo, sabendo que isso poderia significar o fim da carreira do australiano na F1, Lawson é categórico:

“Nunca senti, porque, por mais que seja difícil, todos nós estamos lutando por essas vagas. Não há nada de pessoal nisso. Mas quando você está lutando pela sua carreira, é tudo, e você não pode colocar nada acima disso.”

Liam Lawson tem aproveitado sua chance com as duas mãos e parece estar fazendo tudo ao seu alcance para convencer a Racing Bulls a mantê-lo para a próxima temporada, consolidando sua posição no grid da Fórmula 1.

Após um breve tour por seu apartamento e uma viagem pelas colinas próximas, a equipe de filmagem chegou a uma pista de terra batida. Ali, Lawson pôde desfrutar de um de seus passatempos favoritos: o motocross, uma paixão que o reconecta com suas raízes e o afasta da alta pressão das pistas de asfalto da F1.