
Timothy Hudson, de 16 anos, é acusado de matar a irmã de consideração, Anna Kepner, que tinha 18, durante cruzeiro no Caribe — Foto: Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com
Um caso de assassinato envolvendo um adolescente e sua irmã de consideração em um cruzeiro caribenho ganhou um novo e dramático desdobramento judicial. Um magistrado federal nos Estados Unidos expressou profundo espanto com o que descreveu como o nível de “depravação e psicopatia” manifestado pelo jovem acusado.
Timothy Hudson, de 16 anos, enfrenta acusações pela morte de Anna Kepner, sua irmã de consideração, que tinha 18 anos. O corpo da estudante foi descoberto em novembro do ano passado, enrolado em um cobertor e envolto em salva-vidas, dentro da cabine da família a bordo do navio Carnival Horizon, durante uma viagem de férias pelo Caribe.
O atestado de óbito de Anna indicou que a causa da morte foi “asfixia mecânica”, um tipo de sufocamento provocado por um objeto ou força física externa que impede a respiração.
O juiz federal Edwin G. Torres, responsável pelo caso, não poupou palavras ao descrever a natureza do crime. Em um documento judicial de 10 de junho, Torres afirmou que o comportamento sugeria um “nível de psicopatia e falta de remorso” que, por si só, levantava sérias preocupações. Ele acrescentou que “o nível de depravação e psicopatia envolvido na prática desse crime brutal seria demasiado difícil de ignorar para a maioria dos juristas”.
A força das evidências levou o juiz a determinar a prisão preventiva de Timothy. Embora o jovem estivesse em liberdade condicional supervisionada sob a guarda de familiares desde sua detenção em fevereiro, Torres concluiu que a permanência em um ambiente com crianças representava um risco, além da possibilidade de o próprio adolescente se colocar em perigo. A decisão ressalta a gravidade das acusações e a preocupação do sistema judicial com a segurança pública e a integridade do acusado.
Os promotores sustentam que grande parte das provas, incluindo análises de DNA, aponta Timothy como o autor do crime. A acusação complementar detalha uma “obsessão doentia” do adolescente pela vítima, alegando que ele teria forçado Anna a “praticar um ato sexual” e a penetrado antes de tirar sua vida.
Timothy é filho de Shauntel Hudson, casada com Christopher Kepner, pai de Anna. Apesar da relação familiar, os adolescentes não possuíam laços sanguíneos. O jovem será julgado como adulto, dada a natureza hedionda das acusações.
A investigação do caso ganhou um impulso crucial após a família de Anna relatar que ela nunca se separava de seu telefone celular. Inicialmente, as buscas pela embarcação da Carnival Cruise Line foram infrutíferas.
Um agente do FBI teve a ideia de verificar a seção de achados e perdidos do navio, onde, para surpresa de todos, o aparelho foi encontrado. Um funcionário da Carnival testemunhou que o celular estava em uma lixeira, “seriamente danificado, como se tivesse sido quebrado, e a tela estava rachada”.
Mesmo com os danos, o FBI conseguiu extrair o conteúdo do telefone e rastrear seu percurso aparente desde a cabine de Anna até o local onde foi abandonado, do outro lado do navio. O dispositivo se conectou a quatro roteadores distintos em um intervalo de apenas 20 minutos. Imagens de câmeras de segurança mostraram Timothy em todos esses quatro locais, incluindo um registro de 22 segundos próximo à lixeira onde o celular foi descartado, conforme o relatório policial.
Atualmente, Timothy Hudson está detido na prisão do condado de Citrus, na Flórida. Ele será submetido a uma série de testes de saúde mental para avaliar seu estado psicológico. Embora permaneça na ala juvenil da instituição, documentos judiciais indicam que ele terá permissão para receber visitas e utilizar a internet para se comunicar com seus familiares.
O início do julgamento de Timothy está agendado para o mês de setembro.