
Hamza em ação com a sua pistola de água em Paris — Foto: Reprodução/TikTok Crédito: Extra.globo.com
A tranquilidade de uma das mais charmosas e movimentadas áreas de Paris, o Canal Saint-Martin, tem sido abalada pela ação persistente de um adolescente de 14 anos. Conhecido por si mesmo como “Hamza La Douane”, ou “Agente Alfandegário Hamza”, o jovem tem sido detido diversas vezes, mas continua a importunar moradores e turistas com uma pistola de água, especialmente durante as altas temperaturas do verão parisiense, que atraem multidões à região.
Armado com um brinquedo que dispara água, Hamza F. implementou um peculiar sistema de cobrança ao longo das margens do canal. Ele exige um pagamento de 2 euros de pedestres e frequentadores, prometendo em troca que não serão alvo de seus jatos. Aqueles que se recusam a desembolsar a quantia acabam encharcados, transformando o passeio em uma experiência desagradável para muitos.
O próprio adolescente explicou que a ideia surgiu de uma observação sobre práticas em seu país natal, a Argélia. “Na Argélia, quando você paga os agentes da alfândega, eles não revistam você, você pode seguir viagem. Tive a mesma ideia”, afirmou o garoto a veículos locais. Essa interpretação distorcida de autoridade e transação levanta discussões sobre como jovens podem reinterpretar normas sociais em contextos diferentes, embora suas ações em Paris claramente configurem perturbação da ordem.
Apesar das repetidas apreensões pelas forças policiais desde o final de junho, o jovem não demonstra arrependimento ou preocupação com as consequências. Ele é consistentemente visto de volta às ruas após ser liberado, muitas vezes descalço e sem camisa, e parece encarar suas ações como uma diversão. “Na maioria das vezes, não peço desculpas; eu borrifo água e saio correndo”, revelou, evidenciando uma total falta de empatia pelas pessoas que incomoda.
A audácia do adolescente é tamanha que até mesmo um membro da polícia já foi alvo de seus jatos d’água. Essa reincidência e a aparente impunidade geram frustração entre os cidadãos e levantam um desafio para as autoridades locais sobre como lidar com a delinquência juvenil persistente em áreas públicas.
As travessuras de Hamza não se limitam apenas à pistola de água. O adolescente já esteve envolvido em outros incidentes de natureza mais grave. Ele foi filmado empurrando uma mulher que tomava sol para dentro do canal e é suspeito de invadir o apartamento de uma moradora, gravando a si mesmo enquanto a insultava. Há também indícios de seu envolvimento com um grupo de imigrantes que foi detido por roubos de celulares, o que sugere um padrão de comportamento problemático que vai além de simples brincadeiras.
A situação do jovem ressalta a complexidade dos desafios sociais enfrentados em grandes centros urbanos, onde a delinquência juvenil pode escalar de pequenas infrações a atos mais sérios, afetando a segurança e o bem-estar da comunidade. O caso de Hamza F. no Canal Saint-Martin serve como um lembrete da necessidade de abordagens eficazes para a prevenção e o combate a esses comportamentos.