
Crédito: Formula1.com
Vinte anos após sua primeira vitória no Grande Prêmio da Hungria, a trajetória de Jenson Button na Fórmula 1 é revisitada, não apenas por seus feitos nas pistas, mas também pela notável transformação de seu estilo pessoal. Sua imagem pública se desenvolveu em paralelo à carreira, tanto nos paddocks quanto fora dos holofotes.
A aparência de Jenson Button passou por uma mudança drástica ao longo das décadas. Desde o piloto novato que rapidamente gastou sua primeira grande remuneração, passando pelo campeão mundial que parecia saído de um conto de fadas, até o veterano elegante que hoje empresta sofisticação ao paddock, sua identidade visual sempre acompanhou sua jornada profissional.
Como acontece com muitas personalidades públicas, cada etapa de sua vida deixou uma marca distintiva. Do período de extravagância em seus vinte e poucos anos à segurança de um homem que descobriu o que realmente lhe caía bem, exploramos agora as diferentes fases do estilo de Button.
Jenson Button fez sua estreia na Williams em 2000, poucos dias após completar 20 anos, e rapidamente adotou o estilo de vida luxuoso que a Fórmula 1 proporcionava. Empréstimos para Benetton e Renault o levaram a possuir um apartamento em Mônaco, um carro Ferrari e um iate de 72 pés, que frequentemente ofuscavam seu desempenho nas pistas. Na época, Flavio Briatore, seu chefe na Benetton, chegou a criticá-lo publicamente como um “playboy preguiçoso”.
Ele mesmo recorda uma anedota dessa fase: aos 20 anos, recém-chegado à F1 e com as chaves de seu primeiro supercarro, Button entrou em uma boate em Milão vestindo um casaco Prada acolchoado com capuz.
Em 2003, a BAR-Honda o contratou, e seu novo colega de equipe, Jacques Villeneuve, comentou que Button parecia mais um integrante de boyband do que um piloto de corrida. Essa observação não era infundada: Button exibia cabelos descoloridos pelo sol e um charme descontraído típico da região de West Country, raramente sem um sorriso. Fora das pistas, ele preferia um visual relaxado e bronzeado, remetendo a um estilo surfista.
Paralelamente, sua carreira nas corridas se tornava cada vez mais séria. Embora conquistasse pódios, as vitórias permaneciam distantes, valendo-lhe a alcunha de “maravilha sem vitórias” até a chuva abençoar Budapeste em 2006. Sua primeira conquista, uma ascensão memorável da 14ª posição em uma corrida caótica sob chuva, veio em sua 113ª tentativa.
O título de Button emergiu de uma das temporadas mais marcantes da Fórmula 1 moderna. Após a saída da Honda no final de 2008, a equipe ficou sem proprietário até que Ross Brawn liderou uma aquisição e a reergueu em poucas semanas como Brawn GP. O carro resultante era o mais rápido do grid, e o piloto britânico aproveitou a oportunidade, vencendo seis das sete primeiras corridas antes de consolidar sua liderança na segunda metade da temporada e garantir o campeonato no Brasil. Aos 29 anos, após quase uma década no esporte, ele se tornava campeão mundial.
A nova equipe trouxe consigo novas cores para seu capacete. Button sempre manteve um toque patriótico em seu design, apresentando a bandeira do Reino Unido (Union Jack) com suas iniciais em cada lado e a bandeira na parte traseira.
Para 2009, ele manteve o formato, mas removeu o vermelho e o azul, repintando-o para combinar com o amarelo fluorescente do carro da Brawn, com as letras e a bandeira agora em preto. Alguns fãs lamentaram a ausência das cores clássicas britânicas, e com seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello, também adotando o amarelo, muitas vezes era difícil distingui-los.
Para sua corrida em casa, em Silverstone, Button elevou o design a um novo patamar, utilizando um capacete branco exclusivo adornado com botões e bandeiras do Reino Unido, além das palavras “Push the Button”, criado por um vencedor de concurso.
A Brawn GP, notavelmente, não tinha um patrocinador principal. Seu primeiro parceiro comercial foi a Henri Lloyd, uma marca de estilo de vida de Manchester, contratada dias antes da corrida de abertura em Melbourne para fornecer uniformes da equipe e roupas de viagem. Durante esse período, Button se tornou inseparável dos agora icônicos polos amarelo fluorescente e branco, que se tornaram itens cobiçados por colecionadores, marcando a influência de seu estilo na cultura dos fãs da F1.
Com o título mundial garantido, Button transferiu-se para a McLaren em 2010, período em que sua imagem e estilo começaram a amadurecer.
A renomada marca de moda masculina Hugo Boss vestia a McLaren desde 1981, o que significou que grande parte dos polos, roupas de viagem e trajes formais de Button em suas primeiras cinco temporadas com a equipe eram feitos sob medida.
Fora do cockpit, o britânico raramente dispensava roupas esportivas. Ele havia adotado o triatlo para manter a forma no final dos anos 2000 e, durante seu tempo na McLaren, era tão comum vê-lo fotografado em um circuito com equipamento de treino quanto com o uniforme da equipe.
Impulsionado por essa paixão crescente, Button lançou o “The Jenson Button Trust Triathlon”. O evento arrecadou milhares de libras para diversas instituições de caridade. Para um piloto que, em seus vinte e poucos anos, foi associado a um estilo de vida de playboy, essa iniciativa representou um sinal precoce de uma nova perspectiva e maior engajamento social, evidenciando uma profunda evolução pessoal.
Após o falecimento de seu pai, John, em janeiro de 2014, Button utilizou um capacete rosa em homenagem no Grande Prêmio de Silverstone, pedindo aos fãs que também vestissem a cor em memória das camisas rosa de seu pai.
Em uma mensagem publicada antes de sua última corrida em Abu Dhabi, em 2016, Button expressou gratidão à sua família, às equipes e aos fãs, ao mesmo tempo em que prestava homenagem a seu falecido pai.
Para essa ocasião especial, ele resgatou o design do capacete de seu ano de campeonato em 2009, adicionando um toque de rosa em memória de seu pai, e encerrou com uma frase que o acompanha desde então: “Cheguei com sonhos e parto com memórias.” Ele fez um retorno pontual no ano seguinte, substituindo Fernando Alonso em Mônaco.
Longe do cockpit da F1, Button desenvolveu uma compreensão clara de suas preferências de vestuário, o que o levou a uma nova vertente profissional. Ele se tornou o rosto da Hackett London, estrelando campanhas que iam de alfaiataria a ensaios com temática de safári, e também se tornou investidor e embaixador da marca de moda masculina LESTRANGE, cujas calças minimalistas se tornaram seu uniforme de viagem.
Button mencionou que seu guarda-roupa cresceu tanto quanto sua coleção de carros ao longo das décadas, até que ele percebeu, em suas próprias palavras, que “mais nem sempre é melhor”. Ele então reduziu sua seleção a algumas peças confiáveis e versáteis para viagens. Seu visual atual é limpo e sofisticado, refletindo o guarda-roupa de um homem cuja evolução de estilo atingiu seu ápice.
Seu gosto, segundo ele, é descomplicado. Ele prefere roupas em cores clássicas e deseja um guarda-roupa que o sirva desde um passeio casual até um terno sob medida. “Eu só gosto de roupas que vistam bem”, afirma.