
Anthony Pollio — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
A morte de Anthony Pollio, ocorrida em maio no Parque Nacional Glacier, em Montana (EUA), foi muito mais complexa e dramática do que se supunha inicialmente. Uma investigação recente revelou que o trilheiro não apenas enfrentou um urso-pardo, mas também sobreviveu a uma queda de 28 metros antes de ser fatalmente atacado pelo animal.
O Parque Nacional Glacier, localizado em Montana, Estados Unidos, foi palco de uma tragédia em maio, quando Anthony Pollio, um entusiasta de atividades ao ar livre vindo da Flórida, perdeu a vida em um encontro com um urso-pardo. Inicialmente, as autoridades presumiram um ataque súbito e fatal, mas a minuciosa análise da cena pelos investigadores desvendou um cenário de intensa batalha pela sobrevivência.
A reconstrução dos últimos instantes de Pollio aponta que ele descia a montanha sozinho, sob a penumbra, quando se viu de repente diante de um urso-pardo macho adulto. A vegetação densa e a pouca luz impediram que tanto o homem quanto o animal percebessem a presença um do outro até que a distância entre eles se tornasse perigosamente curta, culminando no início do ataque, marcado por arranhões em uma árvore e uma pedra deslocada.
Em um ato de defesa, Anthony conseguiu acionar seu spray de proteção contra ursos, descarregando todo o conteúdo, embora não se possa afirmar com certeza se o produto atingiu o animal. Logo em seguida, ele sofreu uma queda abrupta de uma encosta íngreme, despencando cerca de 28 metros. Seus pertences, como celular, carregador, chapéu e o coldre danificado do spray, ficaram espalhados ao longo do declive, evidenciando a violência do incidente.
Apesar da impressionante queda e dos ferimentos resultantes, uma concentração de sangue na base da encosta indicou que o urso se afastou momentaneamente de Anthony. Este breve intervalo permitiu que o trilheiro, com grande esforço, tentasse escapar, escalando aproximadamente 5,5 metros de volta pela encosta em uma desesperada tentativa de encontrar segurança.
Contudo, a breve trégua foi interrompida. O urso-pardo retomou o ataque, desferindo mordidas fatais que esmagaram a cabeça do trilheiro. Os investigadores descreveram o desfecho como um ataque “provavelmente breve e intenso, e não prolongado”, indicando a rapidez e a brutalidade do golpe final. O corpo de Pollio foi encontrado a cerca de 21 metros abaixo do percurso original da trilha, confirmando seu esforço para subir antes de sucumbir.
As autoridades concluíram que o ataque foi de natureza defensiva, e não predatória. Este tipo de incidente ocorre geralmente quando um urso se sente ameaçado ou é pego de surpresa, reagindo para proteger a si mesmo ou seus filhotes. No caso de Anthony Pollio, a escuridão e a proximidade inesperada com o animal provavelmente desencadearam essa reação, um ponto crucial para entender a dinâmica de encontros com a vida selvagem em parques nacionais.
É importante ressaltar que ursos-pardos, como os encontrados no Parque Nacional Glacier, são animais selvagens poderosos e imprevisíveis. Embora ataques a humanos sejam raros, eles podem ser extremamente perigosos. Conhecer as diretrizes de segurança, como portar spray de urso, fazer barulho ao caminhar e evitar trilhas em horários de pouca luz, é fundamental para quem se aventura em áreas selvagens com presença desses animais.
Anthony Pollio era uma figura respeitada em sua comunidade na Flórida, onde atuava como diácono católico na cidade de Davie. Ele era amplamente reconhecido por sua “fé profunda” e por sua grande paixão por atividades ao ar livre, uma paixão que o levou às montanhas de Montana e, tragicamente, ao seu destino final.