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Invasor de loja baleado no Oregon busca indenização milionária de R$ 52 milhões

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Um homem que invadiu uma loja de mármores e granitos na cidade de Portland, no estado norte-americano do Oregon, e acabou ferido por disparos do proprietário, está agora pleiteando na justiça uma vultosa indenização de US$ 10 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 52 milhões. O incidente, ocorrido em março de 2023, desencadeou um embate judicial complexo, com versões divergentes sobre os fatos que levaram ao tiroteio.

Detalhes do confronto na madrugada

O episódio que resultou no pedido de compensação ocorreu na madrugada de 6 de março de 2023. Kenneth Voyles, que na época vivia em situação de rua, entrou no estabelecimento Touchstone Granite & Marble. Ele alegou que buscava um local aquecido para se abrigar, mas admitiu ter pegado uma bolsa de ferramentas dentro da loja.

Kenneth Voyles — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

Por volta das 5h30, James Grant, proprietário do negócio, chegou para trabalhar e se deparou com Voyles dentro da sua propriedade. A partir desse momento, os relatos dos dois envolvidos divergem drasticamente sobre a sequência dos acontecimentos que culminaram nos disparos.

A versão do invasor e as acusações legais

De acordo com a ação judicial movida por Kenneth Voyles, ao ser descoberto, ele tentou se desculpar, mas James Grant ignorou o pedido e teria arremessado uma caneca de café e pedaços pesados de revestimento em sua direção. Voyles afirmou ter pegado um alicate corta-vergalhões com o objetivo de se defender e tentou fugir, mas não conseguiu destrancar a porta.

Em seguida, segundo Voyles, Grant surgiu armado e abriu fogo sem qualquer aviso prévio, supostamente gritando “Você vai morrer, cara!”. O querelante alega ter sido atingido no peito à queima-roupa e que o empresário disparou novamente enquanto ele tentava escapar por uma abertura danificada na porta da garagem. Ele busca reparação por agressão física, ameaça, negligência e por intencionalmente causar sofrimento emocional, alegando ter sofrido lesões graves, incluindo colapso pulmonar, ferimentos penetrantes no tórax e fraturas no braço direito, que exigiram múltiplas cirurgias e reparações vasculares.

A defesa do proprietário e a percepção de ameaça

Em entrevista a uma emissora local, James Grant apresentou uma narrativa distinta. Ele relatou que sua vida foi posta em risco quando Voyles, após pegar o alicate corta-vergalhões, o levantou e começou a avançar em sua direção. Grant afirmou ter corrido alguns metros para pegar sua arma e, ao retornar, Voyles ainda estava ali, “pronto para agir”, e continuava a se aproximar.

O empresário garantiu ter ordenado repetidamente que o invasor se deitasse, mas Voyles se recusou. Grant declarou que só atirou quando o homem estava parado, olhando para ele e prestes a avançar. Ele enfatizou que tudo aconteceu muito rápido e que só queria que o confronto terminasse, agradecendo por estar armado naquela manhã.

O contexto legal da autodefesa nos EUA e o valor da indenização

Este caso levanta importantes discussões sobre as leis de autodefesa e a doutrina do “Castelo” (Castle Doctrine) nos Estados Unidos, que permite a um proprietário usar força letal para proteger sua residência ou negócio contra um invasor, sem a obrigação de recuar. No entanto, a aplicação dessa lei pode ser complexa, especialmente quando há alegações de que o invasor estava tentando fugir ou não representava mais uma ameaça iminente.

A magnitude do valor solicitado por Kenneth Voyles — US$ 10 milhões — reflete a extensão dos ferimentos alegados e o impacto em sua vida, conforme descrito no processo. Pedidos de indenização tão elevados são comuns em jurisdições americanas para casos de lesão corporal grave, buscando cobrir não apenas despesas médicas, mas também dor e sofrimento, lucros cessantes e danos morais. O desfecho deste litígio em Portland pode estabelecer precedentes sobre os limites da autodefesa e a responsabilidade civil em situações de invasão de propriedade.

Após ser baleado, Kenneth Voyles conseguiu fugir do prédio. Ele foi encontrado pela polícia nas proximidades e encaminhado a um hospital, onde seu quadro foi estabilizado. O processo judicial segue em andamento, buscando determinar a culpabilidade e a eventual compensação.