
Sarah Koseki tem 41 anos e desenvolveu DGM (Disfunção das Glândulas de Meibomius) — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal Crédito: Extra.globo.com
Uma consultora de 41 anos, residente em Idaho, Estados Unidos, enfrenta uma condição ocular crônica e incurável, resultado de anos de um costume aparentemente inofensivo: dormir sem remover a maquiagem dos olhos. Diagnosticada com Disfunção das Glândulas de Meibomius (DGM), Sarah descreve a dor como excruciante, impactando severamente sua qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades diárias.
Por muito tempo, Sarah atribuiu a sensação constante de olhos secos a fatores genéticos ou ao processo natural de envelhecimento, conforme também sugerido por primeiros diagnósticos médicos. A situação, no entanto, escalou drasticamente há cerca de cinco anos, quando ela acordou com a pálpebra aderida ao globo ocular, uma experiência que descreveu como se “fosse velcro”. A tentativa de abrir os olhos resultou em uma dor aguda e persistente.
A partir desse episódio, a americana passou a sofrer lacerações na córnea a cada três meses, transformando sua rotina em um ciclo de crises dolorosas. Essas crises a obrigam a se isolar em ambientes escuros, afastada do trabalho e do convívio com os filhos, enquanto aguarda o alívio da agonia.
A DGM, condição diagnosticada em Sarah após investigações mais aprofundadas, é uma doença crônica caracterizada pelo bloqueio das glândulas de Meibomius. Localizadas nas pálpebras, essas glândulas são essenciais para a produção da camada lipídica do filme lacrimal, responsável por prevenir a evaporação da lágrima e manter a lubrificação ocular. Quando bloqueadas, elas causam olho seco severo, inflamação e danos à superfície ocular. Além do uso inadequado de maquiagem, fatores como envelhecimento, uso prolongado de lentes de contato, doenças autoimunes e tempo excessivo de tela também podem contribuir para o desenvolvimento da DGM.
Sarah revelou que o hábito de dormir maquiada remonta à sua juventude, período marcado por uma intensa vida noturna. Ela recorda o uso de maquiagens elaboradas, incluindo delineadores na linha d’água, e a prática comum de ir para a cama sem remover os produtos. Essa rotina permitiu que resíduos de maquiagem se acumulassem e bloqueassem gradualmente suas glândulas de Meibomius.
O impacto na sua vida é devastador. A dor das rupturas da córnea é tão intensa que ela a compara a uma tortura, afirmando preferir passar por um parto novamente. Atividades corriqueiras como dirigir ou trabalhar tornaram-se praticamente impossíveis, evidenciando a gravidade da doença.
Para gerenciar a doença e tentar mitigar os danos, Sarah segue um rigoroso protocolo de cuidados. Ele inclui a aplicação de colírios seis vezes ao dia, higienização com óleo de melaleuca e o uso regular de máscaras térmicas. Embora tratamentos como a luz pulsada intensa (IPL) e lentes de contato terapêuticas tenham proporcionado algum alívio, a consultora lamenta profundamente não ter adotado uma rotina de higiene ocular preventiva mais cedo.
A história de Sarah serve como um alerta para a importância da saúde ocular e a necessidade de informações mais claras sobre cuidados básicos. Ela enfatiza que muitas pessoas, assim como ela no passado, não recebem orientações adequadas sobre a relevância de remover a maquiagem e manter a higiene dos olhos, um fator crucial na prevenção de condições graves como a DGM.