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A performance decrescente de smartphones mais antigos, caracterizada por notável lentidão, travamentos recorrentes e uma duração de bateria drasticamente reduzida, é um desafio comum para muitos usuários. A frustração de ter que esperar por um aplicativo simples se abrir leva à crença de que um novo dispositivo é a única alternativa viável.
Entretanto, antes de considerar a compra de um aparelho mais recente, especialistas indicam que uma série de medidas e manutenções estratégicas podem revitalizar o desempenho do seu telefone, prolongando seu tempo de uso e contribuindo para a economia e sustentabilidade.
Nem sempre a solução mais rápida é a melhor ou a única. Em diversas situações, intervenções focadas ou reparos específicos podem restaurar o funcionamento ideal do equipamento e estender significativamente seu ciclo de vida útil.
A principal razão por trás da diminuição da velocidade em celulares reside na disparidade entre as crescentes demandas dos softwares e a capacidade física limitada do hardware. À medida que sistemas operacionais e aplicativos são aprimorados, eles exigem mais memória e poder de processamento, muitas vezes superando o que os modelos mais antigos podem oferecer.
Mesmo com a lentidão, um aparelho não precisa ser descartado automaticamente. A troca da bateria, por exemplo, pode conferir uma sobrevida considerável ao dispositivo, conforme explica Felipe Piva, diretor executivo da Trocafy, empresa que atua na recompra de aparelhos em programas de trade-in de operadoras.
Piva afirma que uma bateria nova pode garantir cerca de dois anos de funcionamento pleno antes que o processo de degradação comece novamente.
Para detalhar as ações que os consumidores podem adotar e identificar quando a situação exige uma intervenção profissional, diversos especialistas foram consultados. As recomendações práticas estão listadas a seguir.
Aplicativos populares, como WhatsApp e Instagram, são conhecidos por acumular um grande volume de conteúdo multimídia, incluindo fotos, vídeos e áudios, o que pode sobrecarregar consideravelmente o sistema operacional do smartphone.
Felipe Piva ressalta que esse acúmulo de dados é um dos maiores fatores para a perda de velocidade do dispositivo. No entanto, ele também representa uma das maneiras mais eficientes de reverter o problema.
Piva sugere que a forma mais rápida de melhorar a situação é realizar uma “limpeza” dos dados armazenados nesses aplicativos. Ele acrescenta que desinstalar softwares pouco utilizados e restringir as operações em segundo plano são passos fundamentais para liberar memória RAM e aliviar a carga sobre o processador.
Para gerenciar as atividades que rodam em segundo plano, o usuário deve acessar as configurações do telefone e encontrar essa função na seção dedicada aos aplicativos instalados.
Em casos de lentidão extrema, Piva recomenda restaurar o aparelho às configurações de fábrica. Essa medida funciona como uma “faxina profunda”, eliminando arquivos residuais e inconsistências do sistema que se acumulam ao longo do tempo.
Contudo, o especialista alerta que essa solução não é permanente para todos os problemas; se a desaceleração for um reflexo da evolução constante dos aplicativos, o dispositivo voltará a ficar lento após a reinstalação dos programas mais exigentes.
Um problema comum em dispositivos mais antigos é a diminuição da eficiência da bateria, que se manifesta quando o aparelho não consegue mais manter a carga por um período adequado de uso diário, ou quando o tempo de recarga se torna incomumente rápido.
Luciano Siqueira, técnico e gerente da Luctel, empresa especializada em manutenção de smartphones, informa que essa questão geralmente surge após cerca de dois anos de uso, período em que as células da bateria começam a degradar-se de forma acelerada.
Piva, da Trocafy, explica que os proprietários de iPhones podem verificar a “Saúde da Bateria” diretamente nas configurações do aparelho, onde um nível abaixo de 80% já indica um desempenho comprometido.
Ele complementa que, para usuários de Android, que não contam com um medidor nativo padrão, a utilização de ferramentas de diagnóstico como o aplicativo AccuBattery é aconselhada para avaliar a capacidade de retenção de carga.
De acordo com Siqueira, o valor para substituir a bateria pode variar entre R$ 199 e R$ 399 para smartphones Android, enquanto para os modelos iOS, o custo fica entre R$ 299 e R$ 699.
Considerando que a incompatibilidade entre as inovações de software e os componentes físicos mais antigos é a principal causa da lentidão em smartphones, surge a dúvida: a melhor estratégia seria simplesmente evitar as atualizações do sistema operacional?
A resposta, no entanto, é complexa. Conforme Piva, as atualizações são vitais para a segurança do aparelho e para a introdução de novas funcionalidades; manter um celular desatualizado pode expô-lo a vulnerabilidades, falhas de segurança e perda de compatibilidade com aplicativos mais recentes.
Por outro lado, o avanço contínuo de softwares e aplicativos resulta em uma demanda crescente por espaço e recursos de processamento, muitas vezes excedendo as capacidades originais do hardware. Nesse cenário, o equipamento mais antigo é, em certa medida, sobrecarregado pela complexidade das versões contemporâneas dos programas.
Piva descreve essa situação como um “dilema para o usuário”: escolher entre preservar a velocidade do dispositivo mantendo um sistema mais antigo ou garantir a segurança das informações pessoais através das atualizações, mesmo que isso resulte em uma ligeira perda de fluidez na operação.
O risco aumenta consideravelmente quando o smartphone armazena aplicativos bancários e de carteira digital, que exigem atualizações constantes para se protegerem contra as táticas de criminosos cibernéticos. A recomendação geral é, portanto, manter o aparelho sempre atualizado para proteger suas informações mais sensíveis.