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Grandes empresas impõem restrições severas ao uso de IAs externas por receio de vazamento de dados

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Corporações de peso nos setores de tecnologia e saúde, como a NVIDIA, Palantir e Novo Nordisk, implementaram a partir de setembro de 2026 uma série de limitações operacionais para o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT e o Claude. As medidas, aplicadas tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, visam mitigar o risco de exposição inadvertida de informações confidenciais, incluindo segredos comerciais e códigos-fonte sigilosos, em plataformas de tecnologia de terceiros. Essa postura cautelosa impacta diretamente os negócios de provedores líderes de IA, como OpenAI e Anthropic.

A preocupação corporativa intensificou-se após a Anthropic revisar suas diretrizes operacionais em junho de 2026. A empresa decidiu manter registros de interações de clientes em seu principal modelo, conhecido como Fable, sob a justificativa de combater fraudes internas e garantir a segurança do sistema.

Crédito: Mixvale.com.br

Apesar das preocupações, tanto a OpenAI quanto a Anthropic afirmam que seus acordos comerciais com clientes empresariais contêm cláusulas que impedem o uso de dados para o treinamento de modelos de IA. No entanto, ambas as empresas admitem que monitoram registros técnicos de navegação. A OpenAI explicou publicamente que esses dados são armazenados para “entender melhor como nossos serviços são usados”, enquanto a Anthropic declarou formalmente que “os dados são agregados e anonimizados” antes de qualquer análise.

A gestão de dados em modelos de inteligência artificial permanece como um dos maiores desafios tecnológicos da atualidade, gerando debates contínuos sobre privacidade e segurança da informação.

Empresas que contratam esses serviços, como a operadora norte-americana C Spire, expressam forte objeção. Elas argumentam que a coleta indiscriminada de registros técnicos pode inadvertidamente revelar conexões entre softwares internos e detalhes específicos de rotinas empresariais durante o processamento das respostas geradas pelas IAs.

Diante deste cenário de incerteza, a empresa de defesa Northrop Grumman optou por uma abordagem radical, transferindo seus fluxos de trabalho críticos para ferramentas de código aberto instaladas em servidores completamente isolados da internet. Já a farmacêutica Novo Nordisk, embora mantenha o acesso de seus colaboradores ao Claude, impôs um veto rigoroso ao carregamento de quaisquer fórmulas ou dados protegidos por sigilo.

Para atender às crescentes exigências de proteção de dados, a Microsoft começou a oferecer modelos de IA em ambientes de nuvem fechados, que não estabelecem comunicação com servidores de terceiros. Contudo, os custos elevados associados a essas soluções têm sido um impedimento significativo, levando clientes de médio porte a buscar alternativas mais acessíveis e viáveis.

A preocupação com a retenção de dados já causou o cancelamento de projetos. Uma concessionária do setor elétrico dos Estados Unidos, por exemplo, suspendeu testes que estavam programados com o modelo Fable, da Anthropic, após a empresa se recusar a aceitar termos contratuais que garantiam a retenção zero de dados.

A NVIDIA, por sua vez, também implementou um bloqueio à operação de ferramentas externas em tarefas que envolvem informações confidenciais, citando a ausência de garantias adequadas de privacidade. A gigante da tecnologia direcionou suas equipes para sistemas desenvolvidos internamente, uma decisão que contraria declarações anteriores do seu diretor-executivo, Jensen Huang, que defendia um consumo de tokens de inteligência artificial que poderia equivaler a até cinquenta por cento do salário anual dos funcionários.

As restrições impostas por grandes corporações sinalizam uma mudança significativa no mercado de inteligência artificial, impulsionando a transição para soluções de computação local e servidores próprios, onde o controle sobre os dados e a segurança é total.