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Futebol em Bangladesh: nação asiática se divide entre paixões por Brasil e Argentina

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Milhões de habitantes em Bangladesh, uma nação asiática distante dos grandes centros do futebol mundial, demonstram uma paixão fervorosa e dividida por duas seleções: Brasil e Argentina. Longe de almejar uma vaga na Copa do Mundo com sua própria equipe, que ocupa a modesta 181ª posição no ranking da FIFA, o país se transforma em um palco vibrante de torcidas sul-americanas, onde ídolos como Lionel Messi e Neymar são celebrados com um fervor que a própria seleção nacional não consegue inspirar.

A realidade do futebol local e as aspirações internacionais

Apesar de o número de vagas na Copa do Mundo ter sido expandido para 48, Bangladesh permanece distante de sua primeira participação no torneio global. A seleção nacional, que figura entre as últimas posições no ranking da FIFA, conseguiu avançar apenas uma fase nas eliminatórias, superando as Maldivas antes de ser eliminada em um grupo desafiador que incluía Austrália, Palestina e Líbano, terminando com apenas um ponto.

Esse desempenho modesto não surpreende os fãs locais, que há muito tempo direcionaram seu entusiasmo para potências estrangeiras. O críquete é o esporte mais popular e bem-sucedido internacionalmente no país, relegando o futebol a um segundo plano. A liga profissional de futebol de Bangladesh sofre com a falta de público, registrando uma média irrisória de cerca de 500 torcedores por partida, com o clube mais engajado, o Bashundhara Kings, atraindo aproximadamente 1.600 espectadores. Outras equipes, como Brothers Union e Chittagong Abahani, mal ultrapassam 200 torcedores por jogo.

As raízes históricas da paixão por Brasil e Argentina

A devoção do povo bengalês pelo futebol internacional, em especial pelo Brasil e pela Argentina, tem origens históricas e culturais profundas. O fervor pela seleção argentina começou a se consolidar na Copa do Mundo de 1986, no México, impulsionado pela atuação lendária de Diego Maradona, especialmente no confronto contra a Inglaterra.

Para muitos em Bangladesh, essa vitória carregava um significado que transcendia o esporte, ressoando com sentimentos anticolonialistas e abrindo caminho para o primeiro título mundial dos “hermanos”. O amor pelo futebol brasileiro, por sua vez, cresceu e se solidificou ao longo das décadas seguintes, atingindo seu ápice com a conquista do pentacampeonato mundial em 2002.

O paradoxo da rivalidade e o potencial de um mercado vibrante

A paixão por essas duas nações sul-americanas é tão intensa que o país asiático, com uma população de 175 milhões de habitantes, se divide em ferrenhas torcidas, protagonizando episódios de rivalidade comparáveis aos da própria América do Sul. Um exemplo notório foi o incidente em que torcedores argentinos, infiltrados em um grupo que celebrava a vitória do Brasil sobre o Haiti, foram arremessados em um canal.

Apesar de ser um país que enfrenta desafios econômicos, com 18,7% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, Bangladesh é um mercado consumidor em expansão. As significativas reformas econômicas e o forte crescimento industrial e de infraestrutura demonstram um potencial notável, onde a paixão pelo futebol internacional, ainda que por seleções estrangeiras, representa um fenômeno cultural e de engajamento em massa.

A mídia local aponta que, historicamente, a torcida pelo Brasil tem sido mais numerosa, mas o recente sucesso da Argentina nas últimas edições da Copa do Mundo pode estar reequilibrando essa balança, mostrando a dinâmica e a vitalidade dessa inesperada rivalidade futebolística no coração da Ásia.