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Fraude do sósia: criminosos usam inteligência artificial para burlar biometria facial no Brasil

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Uma nova e sofisticada modalidade de fraude, conhecida como “golpe do sósia”, está em ascensão no Brasil, utilizando o reconhecimento facial para enganar sistemas de segurança e comprometer cadastros biométricos. Essa tática criminosa contribuiu para um número alarmante de 2.860.957 tentativas de fraude de identidade registradas no primeiro semestre de 2026, o que se traduz em um ataque a cada 5,5 segundos no território nacional.

Dados recentes do Mapa da Fraude revelam um crescimento de 32,9% nos incidentes em comparação com o mesmo período de 2025. Felizmente, as barreiras de proteção implementadas pela entidade conseguiram evitar um prejuízo potencial que ultrapassaria os R$ 3,77 bilhões ao longo dos seis primeiros meses do ano.

Crédito: Mixvale.com.br

Diferentemente das abordagens fraudulentas convencionais, onde os criminosos primeiro obtêm dados pessoais da vítima para depois falsificar documentos, o “golpe do sósia” inverte essa lógica. O fraudador usa sua própria imagem e emprega tecnologias avançadas de inteligência artificial e comparação facial. Essas ferramentas são utilizadas para vasculhar vastas bases de dados vazadas e fotografias disponíveis publicamente na internet, buscando um indivíduo real que possua uma similaridade estética de até 99% com o próprio golpista, permitindo que este último consiga passar por verificações biométricas automatizadas.

Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, ressaltou que “este cenário indica uma alteração significativa na dinâmica das fraudes de identidade. O transgressor agora emprega a própria tecnologia para selecionar um alvo que maximize suas chances de superar as proteções de segurança”.

Impacto alarmante: Setor financeiro e varejo sofrem com o crescimento das tentativas de fraude

O segmento financeiro, que abrange desde bancos e administradoras de cartões até financeiras e plataformas de pagamento, foi o mais visado, concentrando 61,1% de todas as investidas de fraude de identidade mapeadas no primeiro semestre de 2026. Paralelamente, o varejo demonstrou a aceleração mais expressiva no período, com um aumento de 120,7% no volume de ataques direcionados a lojas e ambientes de comércio eletrônico. As estatísticas do relatório focam exclusivamente nas tentativas identificadas na etapa de “onboarding”, ou seja, no momento em que novos clientes realizam seus cadastros iniciais ou validações para acessar serviços.

A complexidade e a adaptabilidade das ameaças cibernéticas sublinham a importância de uma vigilância constante e de inovações em defesa digital para proteger os dados dos usuários.

Reforçando a segurança: Biometria facial requer múltiplas camadas de proteção

Apesar da sofisticação do golpe, a tecnologia de biometria facial não foi comprometida em sua essência, conforme esclarecido por especialistas. Contudo, é fundamental que ela seja complementada por outras camadas de verificação técnica para garantir a robustez contra brechas. A recomendação clara para as empresas é que a validação facial nunca seja utilizada como um método isolado de segurança.

Bartolassi enfatizou que “a biometria não deve operar de maneira solitária. A combinação estratégica de diversos indicadores, como a verificação documental, a prova de vida, a análise de dados cadastrais e a avaliação do dispositivo utilizado, é crucial para identificar inconsistências que uma única camada de segurança poderia não detectar.”

Para os usuários, a principal orientação é evitar a divulgação de imagens de documentos pessoais e, principalmente, não publicar selfies segurando registros oficiais em plataformas de redes sociais ou aplicativos de mensagens. Além disso, é vital desconfiar de quaisquer links ou comunicações que solicitem validação biométrica fora de plataformas e ambientes digitais já conhecidos e seguros.