
Crédito: Formula1.com
A Fórmula 1 tem se destacado não apenas pela velocidade e rivalidade nas pistas, mas também pela capacidade de suas equipes em celebrar a rica tapeçaria de sua história através de designs visuais únicos. Recentemente, a McLaren apresentou uma pintura inspirada em 1966 para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, um tributo ao carro que seu fundador, Bruce McLaren, pilotou na temporada inaugural de sua equipe. Este design em branco e verde chamou a atenção, demonstrando como as cores e os gráficos podem ser mais do que mera estética, conectando o presente com as glórias do passado e reforçando a identidade da marca para fãs e parceiros.
A iniciativa da McLaren não é um caso isolado. Na temporada anterior, o Grande Prêmio dos Estados Unidos foi palco de diversas pinturas especiais, com a Williams escolhendo homenagear seus carros do início dos anos 2000. O monoposto foi adornado com amplas faixas de azul escuro e branco, remetendo a uma era de sucesso e renovando a conexão com os aficionados de longa data.
A escolha do ano de 2002 pela Williams foi estratégica, marcando não apenas o ano de fundação de seu parceiro de título, a empresa de software Atlassian, mas também uma temporada de destaque para a equipe. Naquele ano, a Williams conquistou o segundo lugar no Campeonato de Construtores, além de um memorável resultado de dobradinha com Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya no Grande Prêmio da Malásia, enfatizando a importância de celebrar conquistas e parcerias através do visual dos carros.
No entanto, o desempenho em Austin não conseguiu espelhar o sucesso de 2002. Tanto Alex Albon quanto Carlos Sainz se envolveram em colisões durante a corrida, impedindo-os de pontuar. Apesar do revés na prova principal, Sainz conseguiu um pódio na corrida Sprint, mostrando um lampejo de competitividade.
Em meio às celebrações do 75º aniversário da Fórmula 1, a Ferrari realizou uma emocionante homenagem a Niki Lauda no Grande Prêmio da Itália. A Scuderia relembrou o título conquistado pelo piloto 50 anos antes, quando ele dominou a classificação e superou Emerson Fittipaldi por uma margem de 19,5 pontos, um feito considerável sob o antigo sistema de pontuação. Esses tributos ressaltam não apenas a história da equipe, mas também a memória de figuras lendárias que moldaram o esporte.
Além da adição de branco à tampa do motor, a Ferrari utilizou números de pilotos e calotas de rodas em estilo retrô, aproximando o carro do icônico Ferrari 312T. Este modelo foi o mesmo que Lauda e seu companheiro de equipe, Clay Regazzoni, pilotaram para a vitória no Campeonato de Construtores de 1975, solidificando a ligação entre a estética e os momentos de triunfo.
Apesar da beleza da pintura especial em seu evento em casa, Monza, tanto Charles Leclerc quanto Lewis Hamilton não conseguiram alcançar o pódio naquele dia. Eles terminaram a corrida em quarto e sexto lugares, respectivamente, mostrando que a homenagem histórica nem sempre se traduz em resultados imediatos na pista.
A Ferrari mereceu outro destaque por sua pintura especial no Grande Prêmio de Miami de 2024, onde reviveu os históricos tons de azul Azzurro La Plata e Azzurro Dino. A iniciativa visava celebrar 70 anos da presença da marca na América do Norte, demonstrando como as equipes utilizam o design para honrar marcos geográficos e culturais importantes em sua trajetória global.
As cores vibrantes foram aplicadas na carroceria e nas rodas do SF-24, remetendo aos anos 1950. Naquela época, o azul mais claro era usado por Alberto Ascari como um amuleto de sorte nas pistas. A crença pareceu funcionar, já que o piloto italiano conquistou títulos consecutivos com a Ferrari em 1952 e 1953, marcando uma era de ouro para a equipe.
A equipe continuou a usar os tons de azul em seus macacões e carros nas décadas seguintes. Essas cores estiveram presentes, por exemplo, no Ferrari 158 de John Surtees quando ele foi coroado Campeão Mundial no Grande Prêmio do México de 1964, perpetuando a ligação entre a cor e os campeões.
A mais recente aparição desse esquema de cores em Miami resultou em uma dobradinha entre os cinco primeiros para Leclerc e Sainz. O monegasco, em particular, garantiu seu terceiro de treze pódios em 2024, mostrando que o azul histórico ainda traz bons resultados para a Scuderia.
Embora alguns possam considerar um exagero chamar o período entre 2006 e 2013 de “retrô”, é notável a rapidez com que a pintura cromada e vermelha da McLaren se tornou uma das mais icônicas da história recente da Fórmula 1. Esse design marcou uma era de modernidade e agressividade para a equipe.
A memorabilidade dessa pintura foi, sem dúvida, impulsionada pela conquista do primeiro título de Lewis Hamilton em uma dramática temporada de 2008, que incluiu sua espetacular vitória em um Silverstone encharcado pela chuva. Esse legado levou a McLaren a resgatar o acabamento prateado para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2023, reforçando a conexão entre a estética e os grandes feitos de seus pilotos.
A versão de 2023 combinou o cromo com o tradicional papaya da equipe, criando um visual renovado que Lando Norris exibiu em seu caminho para o primeiro pódio em sua corrida em casa. Oscar Piastri, por sua vez, ficou por pouco de se juntar a ele, terminando na quarta posição.
Como a equipe mais emblemática e longeva do esporte, a Ferrari naturalmente possui um vasto arquivo histórico para explorar em suas pinturas especiais. De forma semelhante ao tributo a Lauda, o Grande Prêmio inaugural de Las Vegas em 2023 apresentou um reconhecimento mais geral dos primeiros sucessos da equipe nos Estados Unidos, reafirmando sua presença histórica no mercado americano.
O evento em Las Vegas se somou a uma extensa lista de corridas disputadas pela Ferrari no país, incluindo locais lendários como Watkins Glen e Long Beach. Nesses circuitos, a equipe conquistou vitórias com pilotos como Lauda, Regazzoni, Carlos Reutemann e Gilles Villeneuve ao longo da década de 1970, consolidando sua reputação no automobilismo norte-americano.
Leclerc não conseguiu igualar essas vitórias em Las Vegas, sendo superado por Max Verstappen. Contudo, o retorno do design vermelho e branco característico da década de 70 foi mais uma homenagem apropriada ao passado glorioso da Ferrari, mantendo viva a memória de seus triunfos históricos.
Pinturas especiais são notáveis por uma razão: geralmente, elas brilham mais quando representam uma ruptura significativa com o design habitual de uma equipe. Foi o que aconteceu quando a McLaren trouxe de volta as lendárias cores azul e laranja da Gulf Oil para o Grande Prêmio de Mônaco de 2021, após a renovação da parceria na temporada anterior. Essa escolha não apenas celebrou um patrocínio, mas também evocou uma nostalgia poderosa entre os fãs do automobilismo.
As duas empresas tiveram uma ligação inicial nos primórdios da equipe sob Bruce McLaren, colaborando na F1 e nas corridas Can-Am entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970. No entanto, a icônica pintura azul pastel com uma faixa laranja neon no meio só havia sido utilizada em outra ocasião: as 24 Horas de Le Mans de 1997, tornando sua aparição na F1 ainda mais exclusiva e aguardada.
A reintrodução de uma das pinturas mais queridas do automobilismo foi um sucesso instantâneo entre os fãs. Lando Norris aproveitou a oportunidade, conquistando um P3 no Principado. A estética voltou a ser vista brevemente no Grande Prêmio de São Paulo de 2025 com a Williams, que havia fechado um novo acordo com a Gulf dois anos antes, mostrando a durabilidade e o apelo da marca.
No final de 2020, a Honda anunciou que a temporada seguinte seria sua última na Fórmula 1, encerrando a parceria com a Red Bull, iniciada em 2018. Embora a montadora japonesa tenha continuado a auxiliar a equipe na criação de sua própria unidade de potência, a Red Bull Powertrains, antes de se unir à Aston Martin, a equipe de Milton Keynes se despediu da Honda com uma pintura especial no Grande Prêmio da Turquia de 2021.
A homenagem ocorreu em meio à inesquecível batalha pelo título de Max Verstappen com o então piloto da Mercedes, Lewis Hamilton. Essa temporada se tornaria a maior conquista da Honda como fabricante de motores desde que venceu ambos os campeonatos com Ayrton Senna e McLaren em 1991, sublinhando o impacto histórico da parceria.
Com um design elegante em branco e vermelho, a pintura buscou inspiração no Honda RA272, vencedor do Grande Prêmio do México de 1965 com Richie Ginther. O carro especial marcou o quinto segundo lugar do holandês na temporada. A Red Bull, posteriormente, homenagearia a empresa japonesa com um esquema de cores semelhante em outras ocasiões, mantendo viva a memória da colaboração vitoriosa.