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A decisão da Sony de descontinuar a produção de jogos físicos para PlayStation, com previsão para janeiro de 2028, desencadeou uma onda contínua de descontentamento que já atinge diretamente os criadores de jogos independentes. Nesta quarta-feira, 17 de julho de 2026, estúdios que divulgaram seus lançamentos nos canais oficiais do PlayStation, como o YouTube e outras plataformas sociais, observaram suas publicações serem tomadas por mensagens de reprovação à estratégia da empresa sobre o formato físico.
Um exemplo marcante é o caso de Teeto, um inovador jogo de plataforma 3D desenvolvido pelo estúdio neozelandês Eat Pant Games. O vídeo de apresentação do título, veiculado no canal do PlayStation, foi bombardeado por comentários relacionados ao futuro dos jogos em disco nos consoles da marca, desviando completamente a atenção do novo lançamento. Essa situação é particularmente relevante porque o abandono da mídia física pode impactar a percepção de valor e posse dos jogos pelos consumidores, um fator crítico para a sustentabilidade de estúdios menores.
O estúdio relatou que a euforia inicial, ao constatar centenas de interações em seu vídeo, transformou-se em desânimo ao perceber que a maioria esmagadora das manifestações não abordava o próprio jogo. O incidente ilustra como o intenso debate em torno da política da Sony tem se espalhado, prejudicando até mesmo as produções independentes destinadas ao PS5.
Em uma publicação na plataforma Bluesky, a Eat Pant Games descreveu sua animação ao ver o trailer de Teeto ultrapassar a marca de 400 comentários poucas horas após sua publicação. “Meu Deus! Nosso jogo acabou de ser lançado e a PlayStation publicou o trailer de lançamento! 400 comentários, uau! Será que as pessoas estão gostando do nosso jogo? Ai… ai, não”, escreveu a equipe, expressando a frustração.
Na verdade, a maioria das mensagens focava no encerramento da fabricação de jogos em mídia física para o PlayStation. Entre as manifestações dos jogadores, destacaram-se frases como “não deixem que destruam nosso futuro”, “não ficaremos em silêncio — mantenham os discos vivos” e “queremos ser donos de nossos jogos físicos”.
O trailer também registrou um alto número de avaliações negativas. No momento em que os dados foram coletados, o vídeo somava aproximadamente 950 votos negativos, em contraste com apenas 259 positivos. Isso ocorreu apesar de o YouTube ter desativado a exibição pública da contagem de “dislikes” em 2021, evidenciando que ferramentas de terceiros ainda permitem estimar a proporção de avaliações, ressaltando a forte mobilização da comunidade gamer.
Outro jogo independente que foi diretamente afetado por essa onda de protestos é Denshattack, lançado na quinta-feira, 16 de julho de 2026. O game recebeu uma campanha de divulgação nas redes sociais da Sony para sua estreia no PS5, mas a maior parte dos comentários se concentrou na discussão sobre o fim da mídia física. Para desenvolvedores menores, cada lançamento é crucial, e a visibilidade negativa pode comprometer o sucesso inicial.
A postagem sobre Denshattack na plataforma X (antigo Twitter) alcançou mais de 2 milhões de visualizações e gerou cerca de 4 mil comentários de usuários. Além de memes e críticas diretas à Sony, alguns usuários chegaram a sugerir que o jogo fosse adquirido em outras plataformas, e não no PS5, como uma forma de boicote ou manifestação.
Adicionalmente aos comentários, a Sony tem enfrentado “notas da comunidade” no X, um recurso que permite adicionar correções ou contexto extra a publicações. Essas notas trazem detalhes sobre os protestos do público em postagens de divulgação da companhia, complementando a insatisfação geral e ampliando o alcance da controvérsia.
Conforme informações divulgadas por Moore’s Law Is Dead, essa avalanche de comentários negativos tem gerado um incômodo considerável entre alguns desenvolvedores de jogos terceirizados. Eles estariam insatisfeitos com a forma como a PlayStation tem conduzido suas estratégias nas redes sociais, especialmente considerando os investimentos feitos.
O relatório aponta que os estúdios aplicam milhares de dólares para garantir publicações promocionais nas contas oficiais da PlayStation. No entanto, com os canais de mídia social da empresa atualmente saturados de críticas, “essas promoções pagas estariam sendo ofuscadas pela reação negativa direcionada à Sony, e não aos jogos em si”, comprometendo o retorno do investimento em marketing.
Fontes anônimas citadas no relatório ainda afirmam que alguns desenvolvedores estão questionando a viabilidade de continuar investindo em marketing premium, dado que seus anúncios promocionais continuam sendo eclipsados pela negatividade em relação ao fim da mídia física no PlayStation. Este cenário levanta preocupações sobre a eficácia futura das campanhas de lançamento na plataforma.
O caso de Teeto não é isolado; diversos outros trailers publicados recentemente no canal oficial da PlayStation também começaram a receber mais avaliações negativas do que positivas, independentemente do jogo que estava sendo apresentado. Isso demonstra a amplitude do movimento de protesto, que transcende títulos específicos.
Vídeos de jogos como Mai: Child of Ages, Where Winds Meet, Moss: The Forgotten Relic, Farming Camp e The Mound: Omen of Cthulhu tiveram suas seções de comentários dominadas por pedidos para a manutenção dos discos físicos no PlayStation, evidenciando uma coordenação por parte da comunidade.
Nem mesmo grandes produções escaparam dessa repercussão. O trailer do Homem-Aranha em Marvel Tokon: Fighting Souls, por exemplo, recebeu aproximadamente 5.100 votos negativos contra 1.700 positivos, além de mais de 1.100 comentários que, em sua maioria, faziam referência à decisão da Sony, mesmo em conteúdos de franquias populares.
A mobilização da comunidade também alcançou franquias de terceiros. O trailer do novo conteúdo “Golpe no Centro Kortz”, de GTA Online, acumulou cerca de 3.100 votos negativos contra 675 positivos, acompanhado de comentários como “agora precisamos de um assalto para pegar os discos físicos na sede da Sony”, refletindo o tom de insatisfação generalizada.
Outro exemplo foi o título Denshattack, que possui uma nota 88 no Metacritic, mas recebeu cerca de 1.300 avaliações negativas e centenas de comentários clamando por um lançamento em mídia física do jogo, demonstrando que a qualidade do game não é suficiente para desviar o foco da controvérsia.