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Filha de 18 anos orquestra assassinato de médica que estudava violência juvenil em Ohio

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Uma renomada médica de Ohio, conhecida por seus estudos sobre o comportamento de jovens violentos e homicidas, foi tragicamente assassinada em sua própria residência em um plano supostamente arquitetado por sua filha de 18 anos. O crime, ocorrido em meados de agosto no condado de Delaware, envolveu o namorado da jovem e um amigo dele, que invadiram a casa da família.

O ataque fatal na residência familiar

Tamela Dutcher, a vítima, foi atingida por um disparo no rosto em 14 de agosto, logo após a meia-noite. Ela estava sentada no sofá da sala quando Christian Evans, namorado de sua filha, e Dajameous Payne, um amigo dele, invadiram a propriedade. O marido da médica, ao ouvir o tiro, correu para socorrer a esposa, mas os invasores abriram fogo contra ele, sem sucesso, antes de fugir do local.

Tamela Dutcher e a filha, Bryanna — Foto: Reprodução/GoFundMe Crédito: Extra.globo.com

Paramédicos foram rapidamente acionados e Tamela foi encaminhada a um hospital da região, mas não resistiu à gravidade do ferimento e faleceu. A polícia iniciou imediatamente uma investigação para desvendar os detalhes do brutal assassinato.

A trama familiar e o “amor proibido”

As autoridades revelaram que Bryanna Dutcher, a filha de 18 anos da médica, é a principal suspeita de ter planejado o ataque contra os próprios pais. A motivação para o crime teria surgido após uma discussão com a mãe a respeito de tarefas domésticas que deveriam ter sido cumpridas mais cedo naquele dia.

O pano de fundo da conspiração incluía um relacionamento secreto entre Bryanna e Christian Evans. A jovem temia a reação de seus pais, que ela descrevia como “muito racistas”, caso descobrissem que ela namorava um homem negro. O medo de ser expulsa de casa teria sido um fator crucial para a escalada dos eventos.

Mensagens incriminadoras e a execução do plano

Na noite do assassinato, após a briga familiar, Bryanna enviou mensagens a Christian, que teria sugerido o crime. “Se eu fosse você, teria matado ela”, teria dito o namorado. A partir daí, Bryanna teria aceitado a ideia e elaborado os detalhes para a execução.

Christian e Dajameous aguardaram do lado de fora da casa por cerca de 15 minutos, enquanto Bryanna os informava por mensagem sobre a localização de seus pais. “OK, ela está na sala e ele no porão; quando você chegar aqui, me avise”, escreveu a jovem, facilitando a entrada dos criminosos. Christian respondeu que eles estavam se preparando, colocando luvas, e que iriam “eliminar os dois ao mesmo tempo”.

Após os disparos, Bryanna tentou despistar a polícia, alegando não ter visto os atiradores e chegando a acusar uma amiga da mãe que, segundo ela, devia dinheiro a Tamela. Investigações subsequentes, no entanto, apontaram para a filha como mentora do crime. Christian e Dajameous foram identificados como os atiradores, e a polícia encontrou evidências, como um coldre e uma calça, descartadas por Christian em uma caçamba de lixo.

O legado da pesquisa e a ironia do caso

A tragédia ganhou um contorno ainda mais irônico, pois Tamela Dutcher era coautora de um artigo científico sobre “adolescentes violentos e homicidas”. Publicado em janeiro de 2002 no “International Journal of Adolescent Medicine and Health”, o estudo abordava justamente o perfil de jovens envolvidos em crimes de homicídio.

Em sua pesquisa, Dutcher e seu coautor, Daniel Davis, observaram que a “grande maioria dos jovens detidos por homicídio é do sexo masculino”, mas destacaram que “as poucas garotas que cometem homicídio tendem a matar membros da própria família”. O estudo também analisava a relação entre raça e status socioeconômico dos jovens infratores, apontando que, embora cerca de um sexto dos americanos com menos de 18 anos sejam afro-americanos, aproximadamente metade dos jovens detidos por homicídio nos anos recentes eram afro-americanos.

A morte da médica, portanto, ecoa de forma perturbadora os próprios temas de sua investigação, com uma jovem do sexo feminino supostamente orquestrando o assassinato de um membro da família, em um desfecho que sublinha a complexidade e a imprevisibilidade da violência juvenil, um campo que a própria vítima dedicou sua vida a compreender.