
Michael Caruso foi representante da Flórida e também escrivão pelo estado — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
Michael Caruso, ex-deputado estadual republicano e atual secretário do tribunal do condado de Palm Beach, na Flórida, foi detido na última terça-feira, 18 de agosto, sob acusações graves de abuso sexual infantil. A prisão do político de 67 anos gera intensa repercussão, especialmente porque Caruso é um conhecido defensor de uma legislação que reintroduziu a pena de morte para adultos condenados por crimes sexuais contra crianças menores de 12 anos no estado.
As autoridades locais indiciaram Michael Caruso por cinco delitos distintos, que incluem sequestro, abuso sexual de menores, exibicionismo, aliciamento e abuso infantil com lesão mental. Os atos teriam sido cometidos contra uma criança de sua própria família, ocorrendo em diversas ocasiões entre os anos de 2024 e agosto de 2025, período em que ele já ocupava ou estava prestes a assumir uma posição de confiança pública.
Casado e pai de sete filhos, Caruso foi nomeado para o cargo de secretário do tribunal pelo governador da Flórida, Ron DeSantis, em agosto de 2025. O secretário judicial é responsável por funções cruciais como arquivar documentos legais, gerenciar provas, registrar desfechos de casos e auxiliar na seleção de jurados, posição que exige alta integridade e confiança da comunidade.
A situação de Caruso ganha contornos de ironia trágica devido à sua trajetória política. Eleito deputado estadual em 2018 e reeleito em 2024, o republicano abdicou de seu mandato no ano seguinte para assumir o posto de secretário do tribunal. Durante seu tempo na Câmara dos Representantes da Flórida, pelo Distrito 87, Caruso votou a favor da “Lei de Agressão Sexual Capital de 2023”. Esta legislação, sancionada por DeSantis, permite que promotores solicitem a pena capital em casos de estupro de vulneráveis com menos de 12 anos. A Flórida se tornou o primeiro estado a reintroduzir tal medida, um marco na legislação penal americana.
O “por que isso importa” é evidente: a prisão de Caruso levanta questões profundas sobre a moralidade pública e a aplicação da justiça, especialmente quando o acusado é alguém que defendeu punições extremas para crimes análogos aos que agora enfrenta. O caso pode se tornar um teste para a própria lei que ele ajudou a promulgar, caso seja condenado.
As investigações apontam que os abusos ocorreram em diferentes contextos, incluindo viagens familiares, como um cruzeiro, uma pescaria e durante um feriado de Ação de Graças. Segundo o depoimento policial, a vítima está em acompanhamento terapêutico desde abril de 2026, indicando a gravidade e o impacto duradouro dos supostos crimes. A cronologia dos eventos sugere que os abusos se estenderam até pouco antes ou durante o início de seu mandato como secretário judicial.
Diante da prisão, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, reforçou que a ocupação de um cargo público não exime ninguém da responsabilidade legal, afirmando que Caruso “enfrentará todo o rigor da lei”. O governador Ron DeSantis agiu prontamente, afastando Caruso do cargo imediatamente. Em coletiva de imprensa, DeSantis declarou que a decisão foi fácil e rápida, negando qualquer conhecimento prévio das acusações no momento da indicação e classificando os atos como “horríveis”.
DeSantis também comentou sobre a lei de pena de morte que Caruso apoiou, afirmando que, se o ex-deputado for condenado, “ele vai sofrer muito”. Atualmente, Caruso permanece detido sem direito a fiança na cadeia do condado de Orange. As autoridades estaduais continuam apurando o caso e não descartam a apresentação de novas acusações formais. Shannon Ramsey-Chessman assumiu interinamente a chefia do cartório do tribunal, enquanto o perfil oficial de Caruso foi removido do ar.