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As forças militares dos Estados Unidos executaram uma nova e robusta série de ataques contra o Irã na quarta-feira, 8 de maio, visando neutralizar a capacidade iraniana de interferir na navegação de embarcações comerciais e civis no crucial Estreito de Ormuz. Esta ofensiva representa uma escalada significativa na região, com Washington justificando as ações como uma resposta à agressão iraniana contra navios mercantes.
Um comunicado emitido pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) detalhou que a operação atingiu cerca de 90 pontos estratégicos ao longo da costa iraniana. Os alvos incluíram sistemas de defesa antiaérea, equipamentos de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, além de recursos navais e infraestrutura logística militar. O objetivo principal é debilitar a marinha iraniana e suas capacidades de ameaçar o tráfego marítimo.
Imagens mostram a torre de controle marítimo de Chabahar, no Irã, após o ataque dos EUA na noite passada.
A torre foi atingida em uma tentativa de interromper o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz. https://t.co/emuic0xGqR pic.twitter.com/63uBXUhZkM
— Área Militar (@areamilitarof) July 9, 2026
De acordo com a agência de notícias iraniana Irna, Valiollah Hayati, vice-governador da província de Khuzestan, informou que três pessoas morreram e várias ficaram feridas nos arredores da cidade de Ahvaz em decorrência dos bombardeios. Essas perdas humanas sublinham o impacto direto dos confrontos militares na população local.
A ofensiva de quarta-feira sucede uma primeira rodada de ataques aéreos na noite anterior, 7 de maio. Naquela ocasião, as forças do Centcom já haviam bombardeado aproximadamente 80 alvos militares, incluindo mais de 60 pequenas embarcações pertencentes ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. A mídia estatal iraniana reportou que oito soldados da Força Aérea e da Marinha pereceram durante esses ataques iniciais nas cidades de Bandar Abbas e Bushehr.
O governo americano justificou a retaliação como uma resposta direta à violação de um acordo de cessar-fogo por parte do Irã. Teerã teria atacado três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do mundo para o comércio global e o transporte de petróleo. Imagens divulgadas após os ataques mostraram a torre de controle marítimo de Chabahar, no Irã, danificada, em uma aparente tentativa de desorganizar o controle iraniano sobre a passagem.
A escalada militar ganhou um novo e dramático desenvolvimento com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, 8 de maio. Durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump afirmou que o pacto com Teerã “chegou ao fim”. “Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Não quero mais negociar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (…) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde sei, acabou”, declarou o presidente americano, adotando um discurso contundente.
Pouco depois, em outro momento, Trump amenizou ligeiramente o tom, mencionando não ter “certeza se o acordo vai se manter”, mas reiterou a condenação ao Irã por supostamente ter afundado 28 embarcações e indicou que a ofensiva militar continuaria. “Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite”, disse a repórteres, complementando com uma ameaça explícita: “Se for necessário, cortaremos o sistema de energia elétrica e as estações de tratamento de água, mas não queremos isso”.
Em resposta direta às ameaças e aos ataques, o Irã afirmou que fechará o Estreito de Ormuz caso ocorram novos bombardeios contra o país. A informação foi veiculada pela emissora iraniana Press TV, citando uma fonte de segurança anônima. A mesma fonte indicou que Teerã atacará alvos “inimigos” em uma proporção de pelo menos dois para um, caso as promessas de Trump na Otan se concretizem. A via marítima, por onde transitam impressionantes 20% de todas as exportações globais de petróleo, havia sido reaberta após um acordo assinado no mês anterior, e um possível fechamento teria repercussões econômicas globais catastróficas.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também reivindicou a autoria de ataques a bases militares dos Estados Unidos localizadas no Kuwait e no Bahrein. O comunicado detalhou que a investida retaliatória mirou especificamente as instalações em Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, e Jufayr e Sheikh Isa, no Bahrein, ameaçando ampliar os ataques para outras bases americanas na região se os EUA voltarem a atacar. Durante a noite, sirenes de alerta foram acionadas em países parceiros dos americanos, e os sistemas de defesa aérea foram ativados, indicando a tensão elevada em todo o Oriente Médio.
A escalada militar entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz tem gerado ondas de preocupação em nível global. A instabilidade na região, por onde transita uma parcela significativa do petróleo mundial, já provocou uma disparada nos preços da commodity e impactou negativamente as bolsas de valores internacionais. A ameaça de fechamento do estreito, uma rota vital para o comércio global, sublinha a importância estratégica da área e o potencial de desestabilização da economia mundial caso o conflito persista ou se intensifique. A comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos, ciente de que a paz no Oriente Médio é crucial para a segurança energética e a estabilidade econômica global.