
Crédito: Formula1.com
Fernando Alonso conquistou um impressionante nono lugar no Grande Prêmio da Holanda, um resultado que parecia improvável para a Aston Martin no início do fim de semana. A performance do piloto espanhol, somando dois pontos preciosos para a equipe, destacou-se em meio a uma corrida intensa, demonstrando a crescente capacidade tática do time e a maestria do bicampeão mundial.
Apesar da ação na ponta da corrida, a atuação de Alonso foi um dos pontos altos, superando muitos concorrentes diretos no pelotão intermediário. Embora a Aston Martin tenha mostrado avanços recentes, é precipitado afirmar que o AMR26 foi o sexto carro mais rápido em Zandvoort, o que torna o feito ainda mais notável.
O sucesso foi forjado por uma execução impecável da equipe e do piloto, em um dia onde adversários com veículos teoricamente superiores cometeram erros ou não conseguiram otimizar suas estratégias. Este desempenho não apenas valida a performance de Alonso, mas também sinaliza um futuro promissor para a equipe, que enfrentou um início de temporada desafiador em 2026.
O pacote de atualizações aerodinâmicas, introduzido em Budapeste, teve um impacto imediato, impulsionando a equipe à frente de rivais como Cadillac, Haas e Williams. Em Zandvoort, novas peças aerodinâmicas foram adicionadas, mas a grande novidade foi a estreia da mais recente unidade de potência da Honda. O fim de semana, com o formato de Sprint, representou um teste significativo para a otimização de todos os componentes.
O início do fim de semana foi discreto, refletindo a complexidade de integrar as novidades. A classificação para a Sprint não ocorreu sem percalços, com Lance Stroll na 17ª posição e Fernando Alonso na 22ª, ambos sem conseguir uma volta limpa para definir suas posições.
Com poucas chances de um bom resultado na Sprint, o ex-campeão mundial optou por realizar mudanças significativas na configuração do carro e iniciou a prova do pit lane. Utilizando a sessão como um valioso teste, Alonso finalizou a corrida na 18ª posição, logo atrás de seu companheiro de equipe.
Na sessão de Qualificação principal, a dupla da Aston Martin garantiu a 18ª e 19ª posições, com Alonso à frente de Stroll. Embora não tenha igualado o desempenho da Q2 em Budapeste, as diferenças de tempo eram mínimas, e Alonso demonstrou tranquilidade em relação às posições iniciais.
Após a sessão, Alonso comentou sobre a redução da diferença para os líderes: “Costumávamos ter uma média de 4,5 segundos de desvantagem para o primeiro colocado. Conseguimos cortar três segundos em apenas duas corridas. Isso é incrível. Tudo está funcionando como esperado, mas este é um esporte difícil e competitivo.”
Uma característica notável do AMR26 tem sido sua gestão eficiente dos pneus, permitindo aos pilotos realizar stints de abertura mais longos. Essa qualidade, mantida mesmo com o carro atualizado e mais rápido, provou ser decisiva para a estratégia de Alonso na corrida principal.
Assim como na Hungria, os pneus macios foram a escolha inicial em Zandvoort. Após uma relargada, Alonso optou por permanecer na pista com um novo conjunto de macios enquanto outros pilotos paravam, subindo gradualmente na classificação, mesmo enfrentando problemas de comunicação com o pit wall devido a falhas no rádio.
Quando finalmente realizou sua parada nos boxes na volta 34, Alonso havia alcançado a oitava posição, superado apenas pelos carros das quatro equipes de ponta. A parada o fez cair para a 13ª posição, mas crucialmente, abriu a possibilidade de uma estratégia de apenas uma parada — algo que nenhum outro competidor conseguiu concretizar naquele domingo.
Um stint de 37 voltas com pneus duros, quase uma maratona até a bandeira quadriculada, permitiu que ele subisse para a nona colocação à medida que os adversários à sua frente faziam suas paradas obrigatórias. Essa abordagem, embora não planejada inicialmente, foi a chave para o sucesso.
Alonso admitiu que a estratégia não era a “Não era o plano, eu acho. O plano era fazer duas paradas e seguir um caminho mais convencional. Mas, sim, às vezes precisamos nos desviar um pouco do que é o normal. Quando estamos no tráfego, não conseguimos usar nosso potencial. Somos mais rápidos nas curvas do que as pessoas à nossa frente, mas somos mais lentos nas retas e ficamos presos. Então, assim que temos pista livre à nossa frente, tentamos usar, mesmo que não seja o desempenho ideal e a estratégia ideal. E foi o que fizemos hoje.”
Ele adicionou, refletindo sobre os pontos conquistados: “Acho que marcamos um ponto em Mônaco com nove abandonos, e hoje marcamos dois pontos, com, se não me engano, o abandono do Max. Então, acho que foi bem merecido. Provavelmente em Budapeste poderíamos ter feito um pouco melhor. E, sim, dependerá de cada circuito, dependendo de quantas retas teremos. Então, não espero ser competitivo em Monza, mas talvez em alguns outros circuitos tenhamos outra chance de estar nos pontos.”
É evidente que o AMR26 está em constante aprimoramento. No entanto, os comentários de Alonso sobre o desempenho em linha reta contam sua própria história, indicando que a Honda ainda precisa de mais tempo para extrair o máximo da unidade de potência atualizada. A capacidade de gestão dos pneus, contudo, é um trunfo que a equipe soube explorar para compensar outras deficiências.
Alonso detalhou os avanços no chassi: “Acho que demos mais um passo à frente, especialmente no lado do chassi. Trouxemos quatro ou cinco componentes para cá. Além disso, o pacote de Budapeste foi compreendido durante o intervalo, e com todos os dados disponíveis após a corrida, ajustamos um pouco a configuração em torno dessa nova especificação, além das novas peças. Acho que agora estamos otimizando o lado do chassi e somos capazes de extrair o máximo.”
Sobre o motor, a avaliação foi mais cautelosa: “No motor, é mais difícil. Não acho que podemos ser tão claros sobre ter mais potência ou não. Do ponto de vista do piloto, você muda de circuito, um mês após a outra corrida – então, é difícil. Em termos de dirigibilidade, foi um fim de semana complicado. Tivemos problemas com as reduções de marcha novamente e com o freio motor nas curvas. Então, foi um fim de semana desafiador nesse aspecto.”
O lado negativo para a Aston Martin foi mais um abandono de Lance Stroll, que teve que parar a corrida devido a danos que causaram problemas de dirigibilidade em seu carro. Este incidente serve como um lembrete dos desafios que a equipe ainda enfrenta na busca por consistência para ambos os pilotos.
Apesar do revés de Stroll, o fim de semana foi encorajador para a equipe de Silverstone, como reconheceu o Diretor de Pista, Mike Krack. A capacidade de aprender e adaptar-se rapidamente às novas peças e à unidade de potência é um sinal positivo para o futuro imediato.
Krack observou após a corrida: “Estamos conhecendo este pacote cada vez mais. Acho que dissemos que com o grande pacote que introduzimos em Budapeste, levaríamos algumas sessões para aprender a lidar com ele e a configurá-lo. E o mesmo vale, na verdade, para a introdução da unidade de potência – agora precisamos aprender a usá-la. Precisamos aprender a otimizá-la, e acho que isso nos levará alguns eventos. Mas foi um bom passo à frente.”
Significativamente, ambos os pilotos expressaram satisfação com um balanço do chassi muito melhorado ao longo do fim de semana, um feedback crucial para o desenvolvimento contínuo do carro. A busca por um entendimento mais profundo das novas peças é um processo contínuo.
Krack explicou a importância desse entendimento: “Isso se alinha com o que acabei de dizer em termos de tentar entender o pacote. Se você tem mudanças nessa grande escala, com a intensidade das sessões, é sempre difícil tirar o máximo proveito o tempo todo. E quanto mais sessões tivermos, mais informações e dados coletaremos para refinar a performance.”