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Brasil se prepara para eclipse lunar parcial que cobrirá quase a totalidade da Lua na madrugada de 28 de agosto

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Os céus brasileiros prometem um espetáculo astronômico na virada de 27 para 28 de agosto, com a ocorrência de um eclipse lunar parcial de grande magnitude. Observadores em todo o país terão a oportunidade de acompanhar o fenômeno, que projetará a sombra da Terra sobre 96,2% da superfície lunar, oferecendo uma visão muito próxima de um eclipse total.

O evento terá seu início na noite de 27 de agosto, por volta das 22h24, e se estenderá pela madrugada do dia seguinte. O ponto de máxima cobertura lunar, quando a maior parte do satélite estará imersa na sombra terrestre, está previsto para a 1h13 de 28 de agosto, considerando o horário de Brasília. Para regiões com fusos horários diferentes, como estados com uma hora a menos, o auge ocorrerá à 0h13.

Eclipse solar Crédito: Mixvale.com.br

Entenda a dinâmica de um eclipse lunar

Um eclipse lunar acontece quando o Sol, a Terra e a Lua se alinham perfeitamente no espaço, com o nosso planeta posicionado entre os outros dois corpos celestes. Nesse alinhamento, a Terra projeta sua sombra sobre a Lua, causando o escurecimento.

A sombra terrestre é dividida em duas partes principais: a penumbra, uma região mais tênue e externa, e a umbra, a porção central e mais densa. A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional (ON), explica que, embora este eclipse seja classificado como parcial, a porção obscurecida será tão significativa que o diferenciará visualmente de um eclipse total por uma margem muito pequena.

Em um eclipse penumbral, a Lua apenas atravessa a parte mais clara da sombra, sendo muitas vezes difícil de notar a olho nu. Já nos eclipses parciais, uma parte do disco lunar adentra a umbra. Somente em um eclipse total é que a Lua fica completamente imersa nessa área mais escura.

Cores e visibilidade no céu noturno

Mesmo não sendo um eclipse total, o fenômeno promete exibir variações de cor interessantes na porção da Lua que estiver na umbra. Diferente da popularmente conhecida “Lua de Sangue”, que exige um eclipse total, a parte esmaecida do disco lunar pode assumir tons mais escuros, alaranjados ou avermelhados.

Esse efeito cromático fascinante ocorre porque a luz solar, ao atravessar a atmosfera terrestre antes de alcançar a Lua, tem suas ondas azuis dispersas com mais facilidade. As ondas de comprimento maior, como as tonalidades de vermelho e laranja, conseguem transpor essa camada e atingir a superfície lunar. A NASA, em uma analogia vívida, descreve o evento como se todos os amanheceres e entardeceres do planeta estivessem sendo projetados simultaneamente na Lua.

Alessandra Abe Pacini, cientista do grupo de Física Espacial da Universidade do Colorado, detalha o processo: “É o mesmo fenômeno que torna o pôr do Sol vermelho. É como se a luz do Sol fosse filtrada pela nossa atmosfera e sobrasse esse vermelho que espalha a luz do Sol que incide sobre a Lua”.

Como observar o espetáculo celeste

A boa notícia para os entusiastas da astronomia é que não é necessário nenhum equipamento especial para apreciar o eclipse lunar parcial. O evento pode ser contemplado a olho nu, sem representar qualquer risco à visão, ao contrário dos eclipses solares. A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento reforça que “para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”.

Contudo, o uso de binóculos ou telescópios pode amplificar a experiência, revelando detalhes mais nítidos da superfície lunar e da progressão da sombra. A principal condição para uma boa observação será o clima local; a presença de nuvens pode, infelizmente, obscurecer a vista.

O Observatório Nacional (ON) acompanhará o fenômeno, oferecendo comentários e imagens, seguindo o padrão de cobertura de eventos astronômicos anteriores. O eclipse será visível em todas as regiões do Brasil, desde que as condições meteorológicas permitam, e também poderá ser observado em outras partes das Américas, Europa e África. No território brasileiro, será possível acompanhar todas as etapas, desde a entrada da Lua na penumbra até a sua saída completa, por volta das 4h de 28 de agosto. A fase parcial, a mais perceptível, durará aproximadamente 3 horas e 18 minutos, enquanto a duração total do eclipse, incluindo as fases penumbrais, se estenderá por cerca de 5 horas e 38 minutos.