
Monge budista Phra Wachirayan Wi e sua amante secreta foram flagrados fazendo sexo dentro de templo na Tailândia — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Uma série de revelações chocantes, envolvendo casos de quebra de celibato, tráfico de drogas, extorsão milionária e posse de itens proibidos, lançou uma sombra sobre a venerada instituição do budismo na Tailândia. Os recentes escândalos, que incluem monges de alto escalão, têm provocado um intenso debate público e exigem reformas urgentes na governança e fiscalização dos templos, que são pilares da identidade cultural e espiritual do país.
As câmeras de segurança de um templo histórico na Tailândia revelaram um episódio perturbador envolvendo o abade Phra Wachirayan Wi, de 66 anos, também conhecido pelo seu antigo título monástico Luang Pho Atichot Dhammavaro. O monge sênior foi filmado em um encontro íntimo com uma mulher dentro do Wat Phutthaisawan, um templo do século XIV localizado na antiga cidade de Ayutthaya, quebrando seus votos de celibato e causando grande comoção nacional após as imagens serem exibidas na televisão local.
Phra Wachirayan Wi desfrutava de grande prestígio, com uma vasta rede de seguidores que incluía figuras influentes do governo, empresários e oficiais militares. Sua reputação era amplamente ligada à criação e consagração de amuletos budistas, um mercado multimilionário no país. Investigações subsequentes da polícia apontaram para o desvio de fundos, com duas fontes de doações destinadas ao templo identificadas, mas nenhum valor correspondente encontrado nas contas oficiais da instituição.
A crise se aprofunda com a descoberta de um sofisticado esquema de chantagem que visava monges de alto escalão. Em julho de 2025, Wilawan Emsawat, uma mulher de 35 anos conhecida como Sika Golf, foi detida sob a acusação de gravar encontros íntimos com religiosos. Ela supostamente ameaçava expor fotos e vídeos das relações sexuais, exigindo quantias exorbitantes para manter o silêncio.
As autoridades revelaram que o golpe teria rendido o equivalente a R$ 65 milhões, após a apreensão de um arquivo digital contendo cerca de 80 mil fotos e vídeos utilizados nas extorsões. Este caso expõe a vulnerabilidade de membros do clero e a audácia de criminosos que exploram a reputação e a posição dos monges.
Em outro incidente alarmante ocorrido este ano, uma operação policial no Mosteiro de Phrom Sunthon, na província de Chonburi, resultou na investigação de quatro monges. A ação, motivada por denúncias de armas e drogas no local, revelou a posse de materiais que violam os votos monásticos:
Três dos monges envolvidos testaram positivo para metanfetamina e foram encaminhados para reabilitação. O abade do mosteiro também enfrentará uma investigação por parte das autoridades de imigração, agravando a percepção pública sobre a conduta dos religiosos.
A extensão da crise alcançou até mesmo o tráfico de drogas em escala internacional. Em abril, um grupo de 22 monges budistas foi detido no Aeroporto Internacional Bandaranaike, no Sri Lanka, após desembarcar de um voo vindo da Tailândia. Eles transportavam 110 kg de kush, uma variedade potente de maconha, escondidos em fundos falsos de suas malas.
Embora os monges alegassem estar retornando de férias financiadas por um empresário, as investigações levantaram a suspeita de que poderiam ter sido usados como “mulas” no esquema de tráfico, talvez sem pleno conhecimento da carga ilícita, o que sublinha a complexidade e a profundidade dos problemas enfrentados pela ordem budista.
Esses episódios sucessivos têm causado um desgaste significativo na confiança pública no budismo, uma das pedras angulares da sociedade tailandesa. Críticos, sociólogos e a própria população expressam preocupação com a crescente comercialização da fé e a falta de transparência na gestão das fortunas geradas por doações e pela venda de amuletos sagrados. O clamor por reformas urgentes na fiscalização financeira e na governança dos templos é cada vez mais forte, visando restaurar a integridade e a credibilidade de uma instituição tão central para a vida nacional.