
Hayley Folk e Kyle Henderson vivem relação poliamorosa — Foto: Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com
A trajetória afetiva de Hayley Folk, uma mulher de 31 anos residente nos Estados Unidos, apresenta uma narrativa incomum, marcada por transformações significativas em suas concepções de relacionamento. Sua jornada, que começou com um casamento tradicional, culminou na descoberta do poliamor e, surpreendentemente, em uma nova união formal após um episódio de ciúme.
Inicialmente, Hayley vivia um casamento convencional com um homem que conheceu durante a faculdade cristã, unindo-se a ele aos 21 anos. Essa fase, que ela descreveu como um “sonho”, começou a se desdobrar quando percebeu uma profunda atração por mulheres. Ao compartilhar esses sentimentos com seu então marido, a sugestão de um casamento aberto surgiu, um conceito até então desconhecido para ela.
Foi nesse período de experimentação que Hayley se envolveu com outras mulheres e, subsequentemente, apaixonou-se por uma delas. Essa experiência a levou a uma busca pessoal, onde encontrou o termo “poliamor” ao questionar-se se seria possível amar múltiplas pessoas simultaneamente. Enquanto Hayley se identificava com essa nova forma de relacionamento, seu parceiro percebeu que não compartilhava da mesma visão, o que levou ao divórcio e ao encerramento daquela fase de sua vida.
Após a separação, Hayley decidiu recomeçar em Nova York. Seis meses depois, ela iniciou um relacionamento com Kyle Henderson, um técnico de guitarras 16 anos mais velho, com quem encontrou compatibilidade no estilo de vida poliamoroso. A relação, inicialmente casual, era caracterizada pela abertura, onde ambos compartilhavam detalhes de seus outros encontros, fomentando a exploração mútua de suas dinâmicas românticas e sexuais.
Este arranjo funcionou bem por dois anos, com Hayley considerando Kyle seu parceiro principal. Contudo, a dinâmica começou a mudar quando ela sentiu um desejo crescente de aprofundar a conexão com Kyle, sinalizando uma transição de um envolvimento casual para algo mais sério, mesmo mantendo outros relacionamentos.
A reviravolta mais inesperada na história de Hayley e Kyle ocorreu cerca de três anos após o início do relacionamento. Até então, Hayley só havia se envolvido com mulheres fora de sua relação com Kyle. No entanto, quando ela começou a sair com outro homem, um conflito emocional surgiu, abalando a estabilidade do casal. Esse episódio de ciúme, que poderia ter sido o fim, tornou-se um catalisador.
Eles buscaram terapia de casal para navegar pelo desafio, e, semanas depois, tomaram uma decisão surpreendente: casar-se. A união formal, celebrada em fevereiro de 2024 em uma cerimônia íntima com cerca de 45 convidados — muitos deles ex-parceiros do casal —, representou uma evolução do compromisso, não o encerramento do modelo poliamoroso.
Hayley reconhece que a decisão de se casar, mantendo o estilo de vida poliamoroso, pode parecer contraditória para alguns. Contudo, ela e Kyle viram na união uma forma de solidificar aspectos práticos e emocionais de seu relacionamento. O casamento oferece benefícios financeiros e a possibilidade de tomar decisões de saúde um pelo outro, aspectos importantes para a construção de um futuro conjunto.
Além disso, o status de “casada” simplificou a comunicação com outros parceiros. Hayley explicou que a oficialização do matrimônio estabeleceu um nível de compromisso principal e visível ao mundo, evitando questionamentos sobre a profundidade de sua relação com Kyle e diferenciando-a de outros envolvimentos. A união reforçou o “porquê isso importa” de seu relacionamento principal, mesmo que continuem a não morar juntos e a ter outros parceiros.
Atualmente, Hayley utiliza plataformas como o Instagram para compartilhar detalhes de sua vida afetiva, onde se tornou uma influenciadora digital. Ela aborda abertamente sua experiência como uma mulher bissexual em relacionamentos poliamorosos, especialmente após vivenciar uma desilusão amorosa com outro parceiro.
Sua decisão de expor a vida pessoal surgiu da percepção de que suas vivências, embora normais para ela, são frequentemente vistas como escandalosas ou tabus por muitos. A visibilidade de sua história contribui para a discussão mais ampla sobre diversidade de relacionamentos e a desconstrução de estigmas, mostrando a crescente aceitação e visibilidade de formas de amar que fogem ao padrão monogâmico tradicional.