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As principais companhias de inteligência artificial dos Estados Unidos, como Anthropic e OpenAI, emitiram um alerta ao governo sobre o que descrevem como uma campanha de apropriação indevida de sua tecnologia mais avançada pela China. A tática envolve a criação de chatbots de código aberto e baixo custo, desenvolvidos a partir de modelos complexos protegidos, uma prática que coloca em risco a proeminência americana no setor e gera preocupações significativas de segurança nacional. Especialistas indicam que essa abordagem chinesa pode reduzir drasticamente o tempo necessário para equiparar o desenvolvimento tecnológico.
Em uma ação de grande relevância, a Anthropic, sediada em São Francisco, encaminhou um documento formal ao Congresso dos EUA. A empresa acusou diretamente a Alibaba de um “furto descarado” de propriedade intelectual em IA, utilizando um método conhecido como “destilação”. Essa técnica consiste em empregar um modelo de inteligência artificial de alta capacidade para treinar uma versão menos sofisticada, sem a permissão adequada dos criadores originais, o que resulta em uma drástica redução de custos e tempo de desenvolvimento. Dario Amodei, CEO da Anthropic, tem sido uma voz ativa nessas acusações.
Meses antes, em fevereiro, a OpenAI, sob a liderança de Sam Altman, já havia alertado sobre “esforços parasitários contínuos” por parte da empresa chinesa DeepSeek em relação aos seus próprios trabalhos. No mesmo período, o Google também manifestou preocupação com um aumento na “atividade maliciosa” originada não apenas da China, mas também do Irã, Coreia do Norte e Rússia. Esses incidentes, quando analisados em conjunto, sugerem um padrão de ações coordenadas com o objetivo de obter vantagem tecnológica.
A “destilação” de modelos de inteligência artificial confere às empresas chinesas a capacidade de oferecer chatbots próprios com preços significativamente mais baixos no mercado global. Essa competitividade agressiva tem atraído clientes corporativos nos EUA, que buscam economizar nos “tokens” caros exigidos para operar os modelos mais avançados. Fontes próximas à Anthropic revelam que, se a China não pudesse empregar essa técnica, a desvantagem tecnológica em relação aos modelos de ponta dos EUA se estenderia de 6-9 meses para mais de 18 meses, uma diferença crucial no ritmo da inovação e na manutenção da liderança americana.
A eficácia da estratégia chinesa é evidente no panorama global da inteligência artificial. Atualmente, seis dos dez modelos de IA mais utilizados foram desenvolvidos por companhias de tecnologia chinesas. Essas empresas estão rapidamente alcançando capacidades avançadas, comparáveis às de modelos renomados como Claude da Anthropic ou ChatGPT da OpenAI.
As preocupações com o roubo de tecnologia de IA ultrapassam o domínio comercial. Modelos poderosos da Anthropic, como “Mythos” e “Fable”, chegaram a ser temporariamente desativados devido a apreensões da Casa Branca sobre um possível uso bélico pela China. Funcionários de segurança nacional, incluindo membros da administração Trump, têm sido informados regularmente sobre os ataques de destilação. Uma das fontes indicou que “praticamente todas as esferas do governo”, incluindo a Casa Branca e o Congresso, foram comunicadas sobre a questão. Caso esses ataques não sejam contidos, existe um risco real de que a liderança global dos EUA no desenvolvimento de IA seja irreversivelmente comprometida, afetando a capacidade de defesa e inovação do país.
A persistência desses ciberataques e o avanço dos modelos chineses podem, ainda, facilitar a disseminação de habilidades de hacking altamente perigosas e o desenvolvimento de armamentos autônomos. A carta da Anthropic ao Congresso pode ser um catalisador para uma resposta mais formal e rigorosa por parte do governo americano. O desfecho dessa disputa tecnológica terá um impacto profundo na geopolítica e na economia mundial nos próximos anos, redefinindo o equilíbrio de poder global.