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A Meta Platforms, gigante da tecnologia por trás do Facebook e Instagram, dará início à produção de seu próprio chip de inteligência artificial (IA) a partir de setembro. Este movimento estratégico visa impulsionar significativamente sua capacidade de computação, projetando um aumento para 14 gigawatts (GW) até o próximo ano, conforme detalhado em um memorando interno recente.
Denominado “Iris”, o processador desenvolvido para data centers é parte do projeto Meta Training and Inference Accelerators (MTIA), uma iniciativa interna que já abrange quatro gerações de hardware. O propósito central desse componente de silício customizado é otimizar as tecnologias de IA que sustentam as vastas operações das redes sociais da empresa.
Os testes do chip foram concluídos com sucesso em apenas seis semanas, sem que falhas significativas fossem detectadas, conforme o mesmo documento interno. Essa agilidade na validação representa um marco positivo para um empreendimento que, embora lançado há mais de cinco anos, enfrentou desafios em suas fases iniciais.
A Meta projetou o chip de acordo com suas necessidades específicas, contando com a colaboração da Broadcom no design, enquanto a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) será a responsável pela manufatura. Essa abordagem visa não apenas reduzir os elevados custos de infraestrutura de computação da companhia, mas também garantir maior autonomia frente a fornecedores tradicionais de processadores, como Nvidia e Advanced Micro Devices (AMD), crucial em um cenário de alta demanda e “chipflation”.
Até então, os detalhes sobre a finalização dos testes de desempenho e o cronograma de produção não haviam sido tornados públicos. Questionada, a Meta preferiu não se manifestar sobre as informações.
O novo processador foi concebido para atuar em conjunto com as volumosas Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) que a Meta adquire da Nvidia e da AMD, que já são empregadas em suas diversas aplicações de inteligência artificial.
Contudo, o memorando interno ressaltou que a integração das mais recentes GPUs em uma organização da escala da Meta “tem se mostrado um processo laborioso, gerando perda de tempo para a empresa”.
As ações da companhia registraram uma leve queda após a divulgação inicial da notícia, mas logo se recuperaram. A valorização ocorreu depois que a Meta anunciou a abertura de seu modelo de IA para codificação a desenvolvedores, posicionando-a em concorrência direta com empresas como OpenAI e Anthropic. Ao final do pregão da tarde, os papéis da empresa operavam com alta de 4,6%.
“Não é viável se estabelecer como um líder em inteligência artificial dependendo de terceiros para a fabricação de chips”, declarou Mike Gualtieri, vice-presidente e principal analista da consultoria Forrester. Ele complementou que “as grandes corporações de tecnologia e até mesmo a SpaceX planejam desenvolver seus próprios chips, pois essa será a única maneira de garantir competitividade de preço no uso de modelos”.
A Meta já havia apresentado o Iris, com sua designação técnica, em março deste ano, junto a outros três processadores de inteligência artificial. A empresa estabeleceu a meta de lançar um novo chip a cada seis meses até 2027, um cronograma notavelmente mais agressivo, considerando que as empresas geralmente liberam chips de IA em intervalos anuais ou mais longos.
Para o ano corrente, a Meta planeja implementar uma infraestrutura de computação de sete gigawatts, segundo o memorando. Para alcançar esse objetivo, a companhia já adicionou um GW no primeiro semestre e prevê incorporar mais 2,5 GW até o término de 2024.
Para fins de comparação, um gigawatt de energia é suficiente para fornecer eletricidade a aproximadamente 800 mil residências.
A empresa tem como objetivo dobrar essa capacidade novamente no próximo ano, visando atingir um total de 14 gigawatts em 2027, conforme indicado no documento.
A expectativa é que a Meta invista até 145 bilhões de dólares em infraestrutura de IA somente neste ano, uma cifra que representa uma fatia considerável dos mais de 700 bilhões de dólares que as principais empresas de tecnologia estimam gastar com essa tecnologia.
Para sustentar a expansão de sua infraestrutura de computação, a Meta firmou acordos de fornecimento de longo prazo, com duração de vários anos, conforme revelado no memorando. Entre os parceiros estratégicos estão a Samsung Electronics, para chips de memória; a Sandisk, para armazenamento flash; e a Sumitomo Electric, para equipamentos de fibra óptica.
Esses contratos de longa duração provaram ser indispensáveis para as ambiciosas metas de expansão dos data centers, especialmente em um período de escassez de chips de memória que tem levado empresas como a Apple a registrar aumentos em seus custos.
A Sandisk preferiu não se manifestar sobre os acordos. Já a Samsung Electronics e a Sumitomo Electric não responderam aos pedidos de comentários.
Componentes cruciais como chips de memória e de inteligência artificial têm experimentado um aumento substancial na demanda, impulsionado pela corrida das empresas de tecnologia para expandir seus data centers e satisfazer a crescente necessidade de poder computacional para IA.
Os preços de chips de memória e de outros tipos de semicondutores subiram de forma acelerada e significativa, a ponto de a “chipflation” (inflação de chips) ter se tornado um tópico de preocupação macroeconômica, conforme análises de especialistas do Morgan Stanley.