O Avaí obteve um empate sem gols contra o Athletic neste domingo, em partida disputada na Ressacada, um resultado que se mostrou prejudicial para as ambições do clube catarinense de permanecer na divisão principal do futebol nacional. A igualdade no placar, diante de sua torcida, não foi suficiente para impulsionar a equipe na tabela, intensificando a pressão na reta final da competição e redefinindo os próximos adversários na corrida contra a queda para a Série C.
Com este desfecho, o Leão da Ilha estacionou nos 37 pontos, vendo a distância para os concorrentes diretos aumentar. O cenário da disputa contra o descenso sofreu uma alteração significativa, forçando o time a recalibrar sua estratégia e mirar em novos alvos para garantir a sobrevivência na elite. A urgência por vitórias se tornou ainda mais premente.
A situação se agravou após a vitória do Botafogo-SP, que antes era o adversário mais próximo na tabela, mas agora se distanciou para 44 pontos. Diante desse panorama, o Náutico, com 42 pontos e um jogo a menos, desponta como o principal concorrente a ser superado, tornando-o o novo foco da equipe azurra na luta por pontos cruciais.
O resultado da 34ª rodada reconfigurou a dinâmica da parte inferior da tabela, colocando o Avaí em uma posição de perseguição direta ao Náutico. Enquanto o time catarinense lamentava o ponto conquistado em casa, o Botafogo-SP celebrava uma vitória crucial de 1 a 0 sobre o CRB, com um gol marcado pelo ex-avaiano Hygor, consolidando sua ascensão para uma posição mais confortável e distanciando-se do perigo iminente. Este movimento do Botafogo-SP não apenas aliviou sua própria situação, mas também elevou o sarrafo para o Avaí, que agora se vê com menos margem de manobra.
Ainda com quatro rodadas pela frente até o encerramento do campeonato, o Avaí tem um total de 12 pontos em disputa, distribuídos em dois jogos como mandante e dois como visitante. A margem de erro para a equipe de Florianópolis precisa ser mínima, ou quase inexistente, a partir deste momento. Cada partida se transforma em uma verdadeira “final”, com a necessidade imperativa de somar pontos para superar o Náutico e evitar o descenso à Terceira Divisão do futebol brasileiro.
A sequência de jogos do Avaí nas rodadas derradeiras do Campeonato Brasileiro apresenta desafios significativos e confrontos diretos que podem selar o destino do clube. O próximo compromisso será um embate crucial contra o Botafogo-SP, agendado para o dia 24, na Ressacada. Este jogo é vital, pois representa a chance de diminuir a diferença para um adversário que acabou de se afastar na tabela. Em seguida, a equipe viajará para Recife para enfrentar o Náutico, em um duelo que pode ser decisivo na briga direta contra o rebaixamento. A penúltima partida da temporada colocará o Avaí frente a frente com o São Bernardo, novamente em Florianópolis, buscando o apoio de sua torcida para somar pontos preciosos. A jornada se encerrará em Belo Horizonte, contra o América-MG, uma equipe já rebaixada, o que, embora possa parecer uma vantagem, muitas vezes resulta em um adversário sem pressão e com a liberdade de jogar sem amarras, tornando o confronto imprevisível. A somatória desses 12 pontos em jogo é a linha tênue que separa a permanência na Série B da dolorosa queda para a Terceira Divisão.
Em campo, o técnico Marquinhos Santos, que vinha de duas vitórias consecutivas, optou por manter a mesma formação que havia superado o Cuiabá na rodada anterior, buscando dar continuidade ao bom momento. A estratégia inicial era encurralar o Athletic desde os primeiros minutos, aproveitando o apoio fervoroso da torcida que lotava as arquibancadas da Ressacada. Contudo, a equipe avaiana esbarrou em uma tarde de pouca inspiração criativa, especialmente de seus principais articuladores, Daniel Penha e Jean Lucas, cujas jogadas não resultaram na efetividade esperada.
Apesar do volume de jogo e da tentativa de controle da posse de bola, as ações ofensivas do Avaí careceram de precisão e objetividade. Cruzamentos mal executados e chutes que não representavam perigo real para o goleiro Luan Polli foram a tônica da primeira etapa. Do outro lado, o goleiro avaiano Bruno Ferreira teve uma tarde relativamente tranquila, sendo pouco exigido e demonstrando que a defesa conseguiu conter as investidas do adversário, mas o ataque não correspondeu à altura da necessidade de vitória.
A chance mais clara de gol para o Avaí nos primeiros 45 minutos veio de uma jogada aérea, quando o lateral DG conseguiu superar o marcador e cabecear a bola com força, acertando o travessão antes de sair pela linha de fundo. Esse lance, que por pouco não abriu o placar, foi um dos poucos momentos de real perigo gerados pela equipe catarinense, evidenciando a dificuldade em transformar a posse de bola em oportunidades concretas.
Na etapa final, com a necessidade urgente de uma vitória para mudar o cenário na tabela, o Avaí intensificou sua pressão e conseguiu finalizar mais vezes. No entanto, o goleiro do Athletic, Luan Polli, mostrou-se seguro ao defender arremates de Jean Lucas e Daniel Penha, ambos de fora da área, frustrando as tentativas dos donos da casa de balançar as redes.
O grande susto sofrido pela equipe azurra não veio do adversário, mas de um erro na própria defesa. Em um lance despretensioso, o zagueiro Allyson tentou recuar a bola para Bruno Ferreira, mas o goleiro estava fora de sua posição habitual para receber o passe. Por muito pouco, a bola não encontrou o caminho do gol, resultando em um gol contra que teria sido desastroso e gerando muita apreensão e reclamação por parte da torcida presente na Ressacada.
Já na reta final da partida, as esperanças do Avaí foram renovadas com duas oportunidades claras de gol. Primeiro, João Vitor cruzou da direita e Vizeu, em uma tentativa de finalização de letra, acabou chegando atrasado e errando o lance crucial. Pouco depois, em uma sequência de jogadas, DG fez um novo cruzamento e Vizeu, desta vez com o gol aberto e sem a presença do goleiro, cabeceou livremente, mas mandou a bola por cima da meta, selando o empate sem gols e a frustração da torcida.
Após o apito final, o capitão e camisa 10 do Avaí, Jean Lucas, expressou seu desapontamento com o resultado obtido em casa contra o Athletic. Em suas declarações, o meio-campo lamentou a oportunidade perdida de somar três pontos fundamentais, independentemente dos resultados de outros jogos que poderiam impactar a briga contra o rebaixamento. Ele enfatizou a importância de cada partida e a necessidade de uma mudança de postura.
“Foi um resultado muito ruim. A gente sabia da importância dos três pontos, independentemente da partida do Botafogo-SP. Agora, precisamos nos concentrar e trabalhar intensamente durante a semana para buscar a vitória contra o Botafogo. Temos outros confrontos diretos com clubes que estão próximos na tabela, e é fundamental que consigamos os resultados positivos nestes jogos decisivos”, afirmou Jean Lucas, evidenciando a urgência da situação e o foco nos próximos embates.
A fala do capitão reflete a consciência da equipe sobre a gravidade do momento e a necessidade de reagir imediatamente. A partir de agora, cada confronto será tratado como uma final, com o objetivo claro de salvar o Leão da queda para a Terceira Divisão, buscando pontos onde quer que seja possível e explorando ao máximo os duelos contra os adversários diretos.
A partida contra o Athletic foi marcada por uma notável mobilização da torcida avaiana, que compareceu em peso à Ressacada. Em uma iniciativa denominada “Avaí para todos”, com o patrocínio da Univali, o clube registrou um novo recorde de público para jogos da equipe em seu estádio no ano de 2026, com impressionantes 14.872 torcedores presentes. Este número superou a marca anterior de 12.490 pessoas, alcançada na final da Copa Sul-Sudeste contra a Chapecoense, demonstrando um apoio massivo e incondicional. A entrada dos atletas foi acompanhada por um vibrante mosaico, e a torcida azurra manteve o incentivo durante os 90 minutos, apesar das diversas reclamações sobre as marcações do árbitro Rodrigo José Pereira de Lima. No entanto, a ausência da vitória ao final do jogo transformou o apoio inicial em manifestações de descontentamento com o desempenho dos jogadores.
A formação inicial do Avaí contou com Bruno Ferreira no gol; João Vitor (substituído por Wallison), Allyson, Jefferson e DG (que deu lugar a William) na linha defensiva; Zé Ricardo, Luiz Henrique (substituído por Paulo Vitor), Wenderson (entrou Rildo), Daniel Penha e Jean Lucas no meio-campo; e Caio Suassuna no ataque, sob o comando do técnico Marquinhos Santos. Pelo lado do Athletic, a equipe entrou em campo com Luan Polli; Jhan Pool, Zeca (que saiu para Enzo) e Lucas Belezi; Diogo Batista, João Miguel, Yago (substituído por Dixon Vera) e Negrucci; Kauan Rodrigues (entrou Pedro), Max (substituído por Yarlen) e Carlinhos (que deu lugar a Aponzá), liderados pelo técnico Alex de Souza. A arbitragem da partida ficou a cargo de Rodrigo José Pereira de Lima (PE), auxiliado por Karla Renata Cavalcanti De Santana (PE) e Naiara Mendes Tavares (RJ), com o VAR operado por Douglas Schwengber da Silva (RS). Foram aplicados cartões amarelos para João Vitor, DG e Wenderson do Avaí, e para Zeca e João Miguel do Athletic, indicando a intensidade e a disputa física do confronto.