
Crédito: Mixvale.com.br
Eleitores de ao menos treze estados brasileiros precisarão verificar seu local de votação antes do segundo turno das Eleições de 2026, agendado para o próximo domingo, dia 25. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), confirmou ajustes em centenas de seções, enfatizando a necessidade de consulta prévia pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral para evitar transtornos no dia do pleito.
A orientação para que os cidadãos chequem seu endereço atualizado foi reforçada nesta segunda-feira (19) pelo TSE e pelo Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (COPTREL). As instituições esclareceram que essas transferências são decisões localizadas, tomadas pelas zonas eleitorais e pelos respectivos TREs, que avaliam a infraestrutura de cada município. Contrariando rumores em redes sociais, as alterações não são determinadas de forma centralizada em Brasília.
As mudanças nos pontos de votação, que abrangem diversas seções eleitorais, são motivadas por razões práticas. Entre elas, estão reformas de última hora em prédios públicos, melhorias de acessibilidade para garantir a inclusão de todos os eleitores e, de forma significativa, o impacto de fenômenos climáticos extremos. O TSE informou que fortes chuvas, por exemplo, exigiram a transferência preventiva de locais danificados para instalações vizinhas mais seguras.
Um caso emblemático ocorreu em Confresa, Mato Grosso, onde uma escola utilizada como local de votação teve sua cobertura seriamente comprometida por ventos e chuvas intensas nos dias 9 e 10 de outubro de 2026. Um laudo de engenharia interditou o prédio em 11 de outubro, exigindo a realocação das seções ali instaladas. Diante desse cenário e da preocupação com a logística do pleito, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, instituiu a Sala Nacional de Situação Climática para as Eleições 2026. Este grupo monitora tempestades, secas e outros desastres naturais em colaboração com órgãos como o Inmet, Cemaden, Inpe, ANA, Defesa Civil e as Forças Armadas.
Os estados com seções eleitorais impactadas por essas mudanças incluem Amapá, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais, por exemplo, 98 seções foram alteradas até a tarde de segunda-feira, representando uma pequena fração do total do estado.
Para verificar se houve mudança em seu local de votação para o segundo turno, o eleitor tem acesso a diversas ferramentas gratuitas, tanto digitais quanto presenciais. A consulta é essencial para todos os cidadãos aptos a votar, especialmente nas regiões com disputas estaduais e municípios que tiveram seções transferidas.
O volume exato de seções transferidas entre o primeiro e o segundo turno passou por revisões técnicas nos sistemas da Justiça Eleitoral. Inicialmente, a página de estatísticas do TSE chegou a indicar mais de 4,3 mil seções alteradas, um número que recuou significativamente após a correção de registros que haviam contabilizado como “mudança” prédios cujos endereços provisórios do primeiro turno foram simplesmente mantidos para a segunda etapa. Na última segunda-feira (19), os dados extraídos do sistema do TSE apresentaram variações, apontando entre 554 e 444 seções transferidas, afetando cerca de 130.490 eleitores. O TSE esclareceu que os números são constantemente atualizados à medida que as zonas eleitorais finalizam os registros e ajustes, incluindo a manutenção de locais que já haviam sido alterados temporariamente no primeiro turno.
A forma como essas alterações foram comunicadas gerou repercussão no Congresso Nacional. A bancada do PT na Câmara dos Deputados, liderada por Pedro Uczai (PT-SC), acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para solicitar uma investigação sobre os métodos de comunicação da Justiça Eleitoral, classificando os alertas emitidos como genéricos. Essa iniciativa sublinha a importância da clareza e da precisão na informação para garantir a tranquilidade e a participação dos eleitores no processo democrático.