
Morgan Armstrong e a namorada, Sophie Bryant — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com
Uma ex-estudante de uma instituição de ensino cristã particular em Cleveland, no Tennessee (EUA), conquistou uma vitória judicial significativa este mês. Morgan Armstrong foi indenizada em US$ 10 mil (equivalente a cerca de R$ 52 mil) após processar a Tennessee Christian Preparatory School por ter sido barrada da cerimônia de formatura do ensino médio depois de revelar sua orientação sexual.
A controvérsia teve início quando Morgan Armstrong, na época com 18 anos e uma proeminente jogadora de basquete na Tennessee Christian Preparatory School, foi suspensa. A medida foi aplicada apenas duas semanas antes da tão esperada formatura. Pouco antes, a estudante havia tornado público seu relacionamento amoroso com Sophie Bryant, conforme divulgado.
A escola, por sua vez, refutou a alegação de que a exclusão de Morgan da formatura estaria ligada à sua sexualidade. A defesa da instituição argumentou que a proibição decorreu de uma mensagem de cunho “depreciativo” que a jovem teria enviado a um grupo privado de amigos.
Morgan assumiu publicamente sua homossexualidade em abril do ano passado, por meio de uma postagem no Facebook. Na ocasião, ela anunciou que “o segredo foi revelado” e incentivou amigos a interagir com a publicação. Em um desabafo, ela expressou preocupação com a repercussão, mencionando a presença de comentários de “caras insuportáveis que apoiam o Trump e se dizem seguidores de Jesus”, e o receio de um possível rompimento familiar.
Durante o processo, a jovem questionou a lógica por trás da decisão da escola. “Então, só porque tenho namorada e sou uma garota, por que isso significaria que não posso fazer isso (expor o relacionamento)? Eu amo a minha namorada e queria demonstrar isso”, declarou Armstrong, ressaltando o desejo de expressar seu afeto.
O juiz responsável pelo caso analisou as evidências e rejeitou a tese apresentada pela defesa da escola, concedendo a vitória a Morgan. Além da compensação financeira, a decisão judicial impôs uma restrição importante à Tennessee Christian Preparatory School: a instituição está proibida de fazer comentários sobre Morgan Armstrong para futuras faculdades. A escola declarou que o caso está encerrado e optou por não emitir mais declarações sobre o assunto.
A sentença não apenas assegura a indenização monetária, mas também estabelece um precedente sobre a conduta de instituições de ensino em relação à orientação sexual de seus alunos. A proibição de emitir comentários negativos sobre a ex-aluna para outras instituições de ensino é um ponto crucial, pois protege o futuro acadêmico e profissional de Morgan, minimizando possíveis retaliações ou preconceitos velados.
O estado do Tennessee é reconhecido por seu perfil fortemente conservador, historicamente considerado um “red state” (estado republicano). O eleitorado local tende a apoiar majoritariamente candidatos alinhados a pautas de direita, com grande influência de valores tradicionais, religiosos e conservadores na política. Essa vitória judicial de Morgan Armstrong, portanto, ganha ainda mais relevância ao ocorrer em um ambiente social e político que, muitas vezes, apresenta resistência a pautas progressistas relacionadas aos direitos LGBTQIA+.