
Christa Pike — Foto: Reprodução/Tennessee Dept. of Correction Crédito: Extra.globo.com
Christa Pike, uma mulher condenada por assassinato e tortura, enfrenta pesadelos aterradores enquanto se aproxima da data de sua execução, agendada para 30 de setembro no Tennessee. Ela será a primeira mulher a ser submetida à pena de morte no estado desde 1819, um fato que ressalta a raridade de tais eventos na história penal americana e reacende debates sobre a pena capital.
A detenta expressou estar “aterrorizada” com a perspectiva de uma morte dolorosa por injeção letal, o método padrão adotado no Tennessee. O protocolo prevê a administração de uma dose única de pentobarbital enquanto ela estiver contida em uma maca. Embora haja um apelo por clemência direcionado ao governador republicano Bill Lee, as expectativas de sucesso da iniciativa são consideradas baixas.
A poucos dias da aplicação da pena capital, Christa Pike fez uma solicitação peculiar: ela deseja que uma equipe de execução composta exclusivamente por mulheres seja responsável pelo procedimento. Além disso, ela pediu que o processo ocorra diante de testemunhas, incluindo membros da família de sua vítima. Até o momento, o governo não se pronunciou sobre essa solicitação.
A justificativa para o pedido, segundo seus advogados, reside em alegados abusos sofridos por Christa nas mãos de homens durante sua infância, com relatos de violência desde os dois anos de idade. Este contexto, conforme a defesa, teria moldado sua percepção e a motivação por trás da solicitação incomum.
Christa Pike foi considerada culpada em 1995 pela tortura e assassinato de Colleen Slemmer, então com 18 anos, em Knoxville. O crime foi cometido em coautoria com seu namorado da época, Tadaryl Shipp, e uma amiga, Shadolla Peterson. O caso ganhou notoriedade nacional devido à sua natureza extremamente violenta.
Em 12 de janeiro de 1995, Colleen Slemmer, uma jovem migrante da Flórida que buscava uma nova vida no Tennessee, foi atraída para uma área arborizada no campus agrícola da Universidade do Tennessee. Lá, ela foi brutalmente espancada e esfaqueada várias vezes pelos agressores. Em um ato de selvageria, um pentagrama foi entalhado em seu peito. O corpo de Colleen foi descoberto por um zelador no dia seguinte.
A promotoria revelou que o motivo por trás do crime era o ciúme: Christa temia que Colleen estivesse tentando seduzir seu namorado, o que a levou a orquestrar o ataque contra a “rival amorosa”. Tadaryl Shipp teria concordado em participar para demonstrar sua lealdade a Pike. Além disso, o casal de namorados levou um pedaço do crânio de Colleen como um “lembrança” do ato bárbaro. Há também menções de que Christa e seu namorado estariam envolvidos em um culto satanista na época do crime.
A iminente execução de Christa Pike no Tennessee destaca a extrema raridade da aplicação da pena de morte para mulheres nos Estados Unidos. Historicamente, a vasta maioria dos indivíduos executados no país são homens. Desde a reinstauração da pena de morte em 1976, poucas mulheres foram executadas em comparação com centenas de homens.
Este caso remonta a um período de mais de dois séculos sem uma execução feminina no Tennessee, sublinhando a excecionalidade da situação. A última mulher executada em nível federal nos EUA foi Lisa Montgomery, em janeiro de 2021. A raridade desses eventos frequentemente intensifica o escrutínio público e o debate sobre a justiça, a equidade e a humanidade da pena capital, especialmente quando questões como traumas passados e pedidos específicos de detentos vêm à tona.