
Mehdi Nosrati Bildashi hospitalizado — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
Mehdi Nosrati Bildashi, um talentoso atleta de taekwondo de apenas 21 anos, faleceu no dia 12 de setembro no Irã, encerrando uma batalha de oito meses por sua vida. O jovem havia sido atingido por disparos de forças de segurança durante uma manifestação em Pakdasht, nas proximidades de Teerã, em 8 de janeiro, e passou por cerca de trinta intervenções cirúrgicas na tentativa de se recuperar dos graves ferimentos.
A trajetória de Mehdi nos hospitais foi marcada por uma intensa batalha contra as consequências dos ferimentos. Após ser socorrido inicialmente em uma unidade de saúde local, o atleta foi transferido para um hospital na capital, onde permaneceu internado por um período de oito meses.
Os múltiplos tiros causaram lesões severas no pâncreas e nos intestinos do jovem, exigindo um número impressionante de procedimentos cirúrgicos. Durante esse longo período, ele perdeu mais de 30 quilos, resultado das complicações alimentares e da gravidade de seu quadro clínico.
Apesar dos esforços médicos e das diversas cirurgias, Mehdi não conseguiu se recuperar plenamente. Seu falecimento, em 12 de setembro, foi atribuído às complicações dos ferimentos e a uma infecção pulmonar, conforme noticiado por veículos de comunicação de oposição ao governo.
Além da dor da recuperação, a família de Mehdi enfrentou um pesado fardo financeiro para arcar com os custos do tratamento prolongado, adicionando mais uma camada de sofrimento à tragédia.
A morte de Mehdi Nosrati Bildashi ocorre em um contexto de intensa agitação social no Irã, onde uma série de manifestações populares tem desafiado o regime. Os protestos que culminaram nos ferimentos do atleta tiveram início no final de dezembro de 2025, alcançando seu pico no mês seguinte.
Inicialmente impulsionados pelo descontentamento com a difícil situação econômica do país, os atos rapidamente evoluíram para um movimento mais amplo de contestação contra a própria estrutura do governo iraniano. A repressão às manifestações tem sido severa, com relatos frequentes do uso de armas de fogo pelas forças de segurança contra os civis.
Organizações internacionais de direitos humanos têm documentado o uso de força letal, resultando em milhares de mortes e dezenas de milhares de detenções. O balanço preciso de vítimas, contudo, permanece incerto devido à falta de transparência e à dificuldade de acesso a informações independentes.
A tragédia de Mehdi não é um caso isolado entre os esportistas iranianos que se envolveram nos protestos. Outros nomes do cenário esportivo foram vítimas de ferimentos graves ou mortes em decorrência dos confrontos.
Entre eles, destaca-se Rebin Moradi, um jovem jogador de futebol de 17 anos das categorias de base do Saipa. Ele foi baleado em Teerã no mesmo dia em que Mehdi foi ferido, 8 de janeiro. Segundo o pai do adolescente, laudos periciais indicaram que Rebin foi alvejado pelas costas, à queima-roupa, uma evidência da brutalidade da repressão.
Outro caso comovente é o do ex-jogador de futebol Mojtaba Tarshiz, de 47 anos, que perdeu a vida ao lado de sua esposa durante manifestações na cidade de Qaemshahr. Tarshiz, que teve uma carreira notável no futebol iraniano, defendendo clubes como Tractor Tabriz, Nassaji Mazandaran, Fajr Sepasi Shiraz e Mes Kerman, tornou-se mais uma vítima da violência.
A morte de Mehdi Nosrati Bildashi e os relatos de outros atletas feridos ou mortos sublinham o alto preço pago pela população iraniana em meio aos protestos. A persistência da violência contra manifestantes e a dificuldade em obter dados precisos sobre as vítimas continuam a ser uma preocupação para a comunidade internacional.