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Conar exige que Motorola distinga RAM física de virtual em anúncios de smartphones

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O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) impôs à Motorola a obrigação de modificar suas campanhas, exigindo a distinção explícita entre a memória RAM física e a virtual em anúncios de seus smartphones. A resolução, tomada por unanimidade, impede que a empresa destaque a soma das duas capacidades, especificamente o recurso denominado RAM Boost, como se fosse uma única especificação de hardware.

Essa deliberação foi estabelecida durante uma reunião conjunta das 5ª e 8ª Câmaras do Conar, sediada em São Paulo, e sua abrangência alcança todos os meios de divulgação da marca, desde plataformas online e e-commerce até lojas físicas por todo o território nacional. A justificativa para a ação se baseia no artigo 27 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que estabelece a necessidade de veracidade nas comunicações e proíbe práticas que possam confundir ou enganar os consumidores.

Motorola Signature 27 – Reprodução/YouTube Crédito: Mixvale.com.br

A abertura deste processo ético resultou de investigações sobre a tática de marketing da fabricante, que divulgava smartphones com especificações de memória RAM de até 24 GB. A empresa alcançava esses valores ao combinar a memória física presente no aparelho com a funcionalidade virtual “RAM Boost Inteligente”. Embora a decisão do Conar não inclua sanções financeiras ou tenha caráter de sentença judicial, ela estabelece uma diretriz ética para a modificação das peças publicitárias, permitindo à Motorola a apresentação de um recurso formal.

O sistema RAM Boost opera com um método de paginação de memória, comumente referido como swap, que destina uma porção do armazenamento interno flash para manter aplicativos em segundo plano. Contudo, é crucial entender que essa área de armazenamento possui velocidades de leitura e escrita consideravelmente mais lentas do que a memória RAM física dedicada. É por essa distinção técnica fundamental que a expansão virtual não oferece o mesmo patamar de performance do hardware genuíno, o que levou o Conar a considerar que a soma direta das capacidades induzia o público a uma percepção equivocada sobre a verdadeira capacidade e fluidez dos dispositivos.

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A abordagem publicitária da Motorola, que somava as capacidades de memória, foi identificada em anúncios de diversas séries de smartphones comercializados no Brasil, abrangendo desde modelos de gama média até os mais sofisticados.

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Em contraste, as práticas de outras fabricantes do setor geralmente separam a informação sobre RAM virtual, relegando-a a seções menos proeminentes ou a notas de rodapé técnicas, visando evitar equívocos para o usuário comum. Nos materiais publicitários da Motorola que foram objeto da contestação, as explicações sobre a distinção entre a memória virtual e a principal estavam presentes apenas em notas de rodapé ou em fichas técnicas detalhadas, enquanto os valores somados permaneciam em destaque nos cabeçalhos e títulos.

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A contestação referente aos dados técnicos divulgados nas campanhas da fabricante passou por um processo de análise e deliberação que se estendeu por vários meses ao longo do ano.

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Através de um comunicado oficial, a equipe de comunicação da Motorola reiterou seu compromisso com a clareza para os usuários, afirmando que já havia iniciado a adaptação de suas plataformas. A empresa declarou: “A Motorola mantém seu compromisso com a transparência e com a clareza das informações disponibilizadas aos consumidores. Consideramos fundamental comunicar as especificações de memória de forma clara e objetiva. A alteração requerida pelo Conar já havia sido implementada em nossos canais próprios desde o início de agosto. Seguiremos desta forma, independente de o formato anterior, que era padrão do mercado, continuar sendo utilizado por outros fabricantes, concorrentes da Motorola. Analisaremos o teor da decisão, que já havíamos acatado, para avaliar ações adicionais.”

Contudo, apesar das declarações da companhia de que as modificações estavam em vigor desde agosto, análises efetuadas na loja online da Motorola revelaram, no final de setembro de 2026, a persistência de anúncios que destacavam a soma das memórias. A fabricante ainda dispõe da prerrogativa de recorrer da decisão do Conar e não especificou se irá formalizar essa contestação ou se apenas finalizará os ajustes necessários em suas campanhas publicitárias.