Categories: Notícias

Cientistas alertam para futuro caótico com aquecimento global e preveem carne de laboratório no século XXII

Share

A vida humana na Terra pode se tornar irreconhecível e caótica no século XXII, caso as tendências atuais de aquecimento global não sejam revertidas. Essa é a sombria previsão de um grupo de cientistas, que aponta para um cenário de condições climáticas extremas e profundas transformações na cadeia alimentar global.

Um estudo abrangente, conduzido por mais de 20 pesquisadores da Universidade Macquarie, em Sydney, Austrália, detalha os possíveis impactos de uma elevação contínua da temperatura do planeta. A pesquisa sugere que as consequências podem ser devastadoras se a inação climática persistir.

Enchente e carne cultivada em laboratório — Foto: Domingos Peixoto e Divulgação/Aleph Farms (foodtech israelense) Crédito: Extra.globo.com

Cenários ambientais extremos para o próximo século

Intitulado “Cenários para os ecossistemas no ano de 2100”, o trabalho foi publicado no Journal Australiano de Botânica. Ele examina o que aconteceria com os biomas da Austrália se a temperatura global subisse 4ºC e as concentrações de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera atingissem 800 partes por milhão (ppm) até o século XXII.

Embora o foco inicial tenha sido o continente da Oceania, os autores enfatizam que as conclusões do estudo possuem relevância e aplicação em escala mundial. O panorama projetado prevê que diversas regiões do globo enfrentarão eventos climáticos severos, com ecossistemas inteiros vulneráveis a incêndios florestais cada vez mais frequentes.

A escalada desses incidentes não apenas forçaria o deslocamento de milhares de comunidades, mas também resultaria na perda maciça de vidas de animais e plantas, comprometendo seriamente a biodiversidade e a estabilidade ecológica do planeta.

A transformação radical da alimentação humana

Diante de tal devastação ambiental, a segurança alimentar humana estaria em risco iminente. Conforme o estudo, a produção de alimentos essenciais, como carne e leite, precisaria ser drasticamente alterada, recorrendo à sua geração artificial em laboratórios para atender à demanda da população mundial.

Os pesquisadores descrevem um futuro onde a natureza da alimentação seria fundamentalmente diferente: “Daqui a 70 anos, muitos ecossistemas serão substancialmente diferentes. As mudanças climáticas são um dos fatores, com alterações associadas na incidência de incêndios, temperaturas extremas, secas, enchentes e dióxido de carbono na atmosfera. Mas outros fatores também podem se tornar importantes, como a substituição em larga escala do gado por produtos de cultura celular e tecnologias genéticas para a supressão de determinadas espécies.”

Essa projeção já encontra ecos na realidade atual. Alguns países, como Estados Unidos, Singapura e Israel, já autorizam a produção de carne de frango cultivada em laboratório, a partir da manipulação de células animais. Além disso, diversas empresas alimentícias ao redor do mundo já desenvolvem e comercializam leite produzido artificialmente.

Urgência na ação climática para evitar o cenário caótico

Para mitigar esses desfechos catastróficos, outro estudo, conduzido pela Climate Analytics, reforça a urgência de medidas drásticas. A pesquisa indica que o consumo de combustíveis fósseis, como gasolina e diesel, deve ser reduzido de forma significativa até 2035.

Essa meta é crucial para frear o aquecimento global e prevenir desastres naturais nas próximas décadas. O limite de aumento da temperatura global, estipulado em no máximo 1,5 ºC no próximo século pelo Acordo de Paris, é considerado o patamar máximo tolerável para a manutenção do bom funcionamento dos ecossistemas terrestres. As previsões da Universidade Macquarie mostram o quão longe a humanidade pode estar desse objetivo se não houver uma mudança imediata e global na política climática.