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A China registrou um avanço notável no cenário espacial ao efetuar, pela primeira vez, a recuperação em solo do estágio primário de um foguete após uma jornada orbital completa. O feito histórico, concretizado em 18 de agosto de 2026 pelo veículo Zhuque-3, foi liderado pela empresa privada LandSpace na Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng.
O lançamento ocorreu nas primeiras horas de 19 de agosto de 2026, no fuso horário chinês, correspondendo à noite do dia anterior no Brasil. Após cumprir sua fase em órbita, a seção inicial do propulsor retornou à atmosfera terrestre e realizou um pouso vertical controlado com precisão na área designada para sua recuperação, localizada em Minqin, na província de Gansu.
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— MixVale (@Mixvale) August 19, 2026
Este sucesso posiciona a LandSpace no seleto grupo de companhias globais capazes de reaver um estágio de foguete orbital em terra, marcando um progresso fundamental para a indústria espacial comercial chinesa. A principal motivação por trás dessa inovação é viabilizar a reutilização de componentes do propulsor em futuras missões, o que promete gerar significativa economia de custos e aumentar a frequência de lançamentos.
Com uma altura de 66,1 metros, o Zhuque-3 é composto por dois estágios de núcleo único e construído majoritariamente em aço inoxidável. Seus motores funcionam com metano e oxigênio líquidos, sendo que o primeiro estágio incorpora nove propulsores Tianque-12A, projetados para grande impulso e capacidade de reinício.
A parte do foguete responsável pelo retorno é equipada com múltiplos sistemas para guiar sua trajetória durante a reentrada atmosférica. Estes incluem aletas estabilizadoras, mecanismos de controle de atitude e pernas de pouso retráteis, elementos cruciais para desacelerar o veículo e garantir uma aterrissagem vertical segura após sua separação do segundo estágio.
O procedimento de recuperação representa uma das etapas mais complexas da missão. Após a separação, o primeiro estágio precisa gerenciar sua rota de reentrada, realizar ignições adicionais dos motores e reduzir gradualmente a velocidade até pousar com extrema precisão no local predefinido.
A LandSpace vinha realizando uma série de ensaios dedicados ao aprimoramento dessa capacidade. Em janeiro de 2024, um protótipo, impulsionado por um motor Tianque-12, efetuou uma decolagem e um retorno vertical ao solo após atingir aproximadamente 350 metros de elevação, demonstrando controle notável e precisão de pouso de 2,4 metros do alvo.
Em setembro de 2024, um novo experimento elevou a tecnologia a mais de dez quilômetros de altura, incorporando o desligamento e o reacendimento do motor em pleno voo. Este avanço na ignição em altitude foi vital para a capacidade de retorno e pouso controlado.
A recente aterrissagem bem-sucedida configura uma recuperação significativa para a LandSpace, que enfrentou um revés em sua investida inicial. O lançamento inaugural do Zhuque-3 ocorreu em dezembro de 2025, onde o segundo estágio levou a carga útil para a órbita, mas o primeiro não conseguiu completar sua recuperação, sendo destruído devido a uma combustão atípica.
Apesar do insucesso inicial, a missão pioneira gerou informações cruciais para o aprimoramento do sistema, permitindo à LandSpace inspecionar o desempenho da estrutura, da barreira térmica no reingresso atmosférico, do controle aerodinâmico e dos dispositivos de guiamento. O estudo desses dados foi fundamental para os ajustes que levaram ao êxito atual.
Este êxito do Zhuque-3 deve ser contextualizado dentro da estratégia espacial chinesa, que já havia obtido sucesso na recuperação de um estágio inicial de um foguete orbital em outra ocasião. Em julho de 2026, o país recuperou o primeiro estágio de um Long March-10B, mas por meio de uma estrutura montada em uma embarcação no mar, e não por um pouso vertical em terra.
A distinção é crucial: o Zhuque-3 marca uma fase avançada para essa tecnologia, tornando-se o primeiro foguete chinês a efetuar uma recuperação orbital em terra, com o estágio primário regressando de maneira controlada e realizando um pouso vertical. Essa abordagem da LandSpace espelha diretamente o modelo adotado pela SpaceX com seus foguetes Falcon 9, onde o veículo utiliza seus próprios propulsores para diminuir a velocidade e retornar ao solo para reutilização.
Dessa forma, a China agora emprega duas metodologias distintas para reaver estágios de foguetes orbitais: a interceptação marítima, evidenciada pelo Long March-10B, e a aterrissagem vertical em solo, agora comprovada pelo Zhuque-3. Essa dualidade de abordagens fortalece a capacidade chinesa na corrida espacial, permitindo flexibilidade e otimização de custos em diferentes tipos de missão.
A tecnologia de reutilização é vista como estratégica para o desenvolvimento do segmento espacial comercial chinês. O Zhuque-3 foi projetado para uma nova classe de veículos capazes de concretizar lançamentos com custos mais baixos, maior capacidade de transporte e uma frequência superior, impulsionando a competitividade do país no mercado global de lançamentos espaciais.