
Bryan Johnson, de 45 anos, gasta US$ 2 milhões por ano na tentativa de desacelerar seu relógio biológico e 'voltar aos 18 anos' — Foto: Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com
Bryan Johnson, o excêntrico multimilionário americano do setor de tecnologia, conhecido mundialmente por sua incessante busca pela juventude eterna, fez uma declaração surpreendente ao público. O empresário, que investe milhões para reverter o envelhecimento, expressou dúvidas sobre a extensão de seus próprios protocolos de longevidade, levantando a questão se não teria ido “longe demais” em sua jornada. A reflexão veio à tona após um diagnóstico recente de uma doença autoimune, que afeta severamente seu sistema digestivo.
Aos 48 anos, Johnson revelou em uma postagem na plataforma X (antigo Twitter) que foi diagnosticado com uma condição autoimune que, segundo ele, faz com que seu estômago “devore a si mesmo”. Este novo revés em sua saúde o levou a uma profunda introspecção. “Tenho refletido sobre o assunto e me pergunto se não fui longe demais com essa história toda de longevidade”, escreveu, indicando uma possível reavaliação de sua abordagem.
Sinais de preocupação já haviam surgido em publicações anteriores. Semanas antes, Johnson havia postado sobre um procedimento que chamou de “clonagem” de si mesmo “como um recém-nascido”, admitindo que tal ideia poderia “assustar algumas pessoas” e evocar um “futuro distópico”. Essas declarações mostram uma crescente inquietação com os limites e as implicações de suas experiências.
Apesar da imagem de super-saúde que projeta hoje, a jornada de Johnson nem sempre foi de otimização. Sua infância foi marcada por hábitos alimentares pouco saudáveis, com consumo regular de fast-food e bebidas açucaradas. Anos mais tarde, o estresse, o ganho de peso e a depressão crônica culminaram no desenvolvimento de processos autoimunes que afetaram sua tireoide e o revestimento do estômago, resultando em gastrite autoimune (GAI).
O prognóstico para a GAI é desafiador, com a medicina convencional muitas vezes limitando-se ao controle da condição, que pode causar danos irreversíveis como deficiência nutricional, anemia e um risco aumentado de câncer. Johnson, que já lidava com hipotireoidismo desde os 21 anos, percebeu que sinais precoces de GAI, como baixos níveis de ferritina na ausência de anemia, haviam sido ignorados. Essa percepção impulsionou sua dedicação ao Projeto Blueprint, fundado em 2021, que o consome por cinco horas diárias em rigorosos protocolos de longevidade, com um investimento anual de US$ 2 milhões.
A fortuna de Johnson foi construída com a venda de sua empresa de gateway de pagamento, Braintree Venmo, para o PayPal por US$ 800 milhões em 2013. Antes disso, ele vivenciou um período de extrema pobreza e doenças no Equador, onde, segundo seu relato, vomitava constantemente e sofria de diarreia, perdendo muito peso. Essa experiência, combinada com o desejo de “fazer algo que melhorasse o mundo”, o levou a buscar riqueza e, posteriormente, a dedicar-se à saúde extrema.
O regime de Johnson envolve uma equipe multidisciplinar de dezenas de profissionais e uma série de intervenções controversas. Uma das mais notórias foi a “primeira troca de plasma multigeracional do mundo” em maio de 2023, onde ele, seu filho Talmage e seu pai Richard tiveram sangue drenado para extração de plasma. No entanto, o próprio Johnson abandonou o método dois meses depois, alegando falta de benefícios. Outro procedimento envolveu a substituição de plasma sanguíneo por albumina, buscando remover “poluentes não naturais” do organismo.
Apesar de Johnson afirmar que seus biomarcadores indicam uma idade biológica reduzida e uma felicidade sem precedentes, especialistas alertam que a base científica para muitas de suas práticas ainda é especulativa. A comunidade científica frequentemente questiona a validade e a segurança de intervenções não testadas em larga escala, especialmente as mais extremas.
Recentemente, o magnata também gerou controvérsia ao compartilhar detalhes íntimos sobre a saúde de sua namorada, Kate Tolo, uma biohacker australiana de 28 anos. Johnson divulgou publicamente que a vagina de sua parceira estaria no “top 1%”, baseando-se em análises de muco que revelaram a predominância de uma espécie bacteriana protetora. Este episódio destaca a natureza invasiva e por vezes inusitada de sua busca pela otimização biológica em todos os aspectos da vida.
A atual reflexão de Bryan Johnson sobre os limites de sua própria busca pela longevidade é um ponto de virada significativo, levantando discussões importantes sobre a ética, a ciência e os riscos associados ao biohacking extremo. O caso ressalta a complexidade de manipular o corpo humano em busca de uma perfeição que, até o momento, permanece elusiva e, em alguns casos, pode trazer consequências inesperadas para a saúde.