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Uma manifestação incomum tomou as ruas do bairro de Palermo Chico, em Buenos Aires, na última segunda-feira, dia 17 de agosto. Indivíduos caracterizados como Gandalf, o lendário mago da saga “O Senhor dos Anéis”, reuniram-se em frente à residência do empresário americano Peter Thiel, expressando descontentamento com sua recente atuação no país sul-americano. O ato foi uma resposta direta ao aporte de US$ 76 milhões realizado por Thiel na petroleira Vista Energy.
A cena peculiar, com manifestantes usando barbas postiças, chapéus pontudos e cajados, simbolizou a oposição à presença do magnata no cenário econômico argentino, especialmente no setor de recursos naturais. O investimento em uma empresa de petróleo por uma figura ligada à tecnologia de vigilância gerou um debate sobre a natureza dos capitais estrangeiros e seus potenciais impactos.
Durante o protesto, os participantes não apenas se vestiram como o icônico personagem, mas também adaptaram elementos da obra de J.R.R. Tolkien para expressar suas reivindicações. Eles entoaram cânticos provocativos, como “Quem não pular é dono da Palantir e não poderá morar na Argentina”, em uma clara alusão a uma das empresas de Thiel.
Uma faixa estendida reproduzia a célebre frase de Gandalf, “Você não passará”, com uma adição de teor pejorativo direcionada ao empresário. Outras paródias bem-humoradas ironizaram o uso de tecnologia e espelhos para prever o futuro, tudo com referências ao universo cinematográfico. A escolha temática não foi aleatória, mirando no conhecido apreço do magnata pelas obras de Tolkien, a ponto de batizar sua principal companhia de Palantir Technologies, em referência às pedras mágicas de vidência da saga.
Fundada em 2003 por Peter Thiel e Alex Karp, a Palantir Technologies surgiu no contexto pós-atentados de 11 de setembro e se especializou em análise de dados e vigilância em larga escala. A companhia presta serviços a importantes agências de inteligência e segurança, como a CIA e o FBI nos Estados Unidos, além do Exército americano e diversas forças policiais.
Com contratos de defesa que se estendem a governos estrangeiros, incluindo Israel, a Palantir é avaliada em dezenas de bilhões de dólares. No entanto, sua atuação é frequentemente alvo de críticas de ativistas e organizações de direitos humanos, que levantam sérias preocupações éticas e questões relacionadas à privacidade global, dada a capacidade da empresa de coletar e analisar vastas quantidades de informações.
Peter Thiel, um empresário, investidor e bilionário germano-americano, é reconhecido como uma das personalidades mais influentes do Vale do Silício. Sua trajetória inclui a co-fundação do PayPal, ao lado de Max Levchin, no final dos anos 1990, e a presidência da plataforma até sua venda para o eBay em 2002.
Em 2004, Thiel se tornou o primeiro grande investidor externo do Facebook, adquirindo uma participação significativa de cerca de 10% na rede social de Mark Zuckerberg. Além de co-fundar e presidir o conselho da Palantir Technologies, ele lidera o fundo de capital de risco Founders Fund, que investiu em gigantes globais como SpaceX, Airbnb e Stripe.
O investidor também é autor de livros sobre negócios e é conhecido por suas posições políticas conservadoras, além de seu apoio a projetos de inovação tecnológica e pesquisas sobre longevidade humana.