
Crédito: Formula1.com
A equipe Mercedes enfrentou um início de fim de semana desafiador na Malásia, com a necessidade de ajustes significativos durante a noite para conseguir competir de igual para igual com a Red Bull. A sexta-feira, dia de treinos livres, revelou que o novo pacote de atualizações da escuderia britânica ainda precisa de otimização.
As novidades aerodinâmicas da Mercedes, incluindo modificações no assoalho, laterais e difusor traseiro, foram testadas pela primeira vez no circuito malaio. Contudo, o dia não transcorreu conforme o esperado para os “Flechas de Prata”, que viram concorrentes demonstrarem um ritmo superior em ambas as sessões de treinos.
George Russell foi o piloto mais veloz da dupla da Mercedes, garantindo a segunda posição no primeiro treino livre (FP1). Embora promissor para o time, ele ficou quase quatro décimos de segundo atrás do tempo estabelecido por Max Verstappen.
No entanto, tanto Russell quanto Kimi Antonelli perderam rendimento na sessão seguinte. Russell concluiu o segundo treino livre (FP2) em sétimo lugar, enquanto Antonelli ficou na oitava colocação, com erros cruciais em suas voltas rápidas impactando diretamente seus resultados.
Com Verstappen exibindo um ritmo forte tanto com pneus médios quanto macios ao longo do dia, Charles Leclerc liderando o FP2 e a McLaren mostrando melhorias progressivas, Russell reconhece a dificuldade de conquistar duas poles consecutivas. “No momento, Verstappen parece muito rápido, e o ritmo de corrida da McLaren também se mostrou veloz, mas nunca diga nunca”, avaliou o piloto sobre a concorrência. Ele descreveu a experiência de pilotar na pista malaia como “muito legal” e um “lugar icônico”, sendo sua primeira vez no circuito. Russell destacou que as condições climáticas locais provocam uma degradação de pneus “enorme para todos”, alterando significativamente o comportamento dos carros. “Acho que, como equipe, não conseguimos ajustar o carro como precisamos. Precisamos fazer algumas mudanças de configuração, porque estamos um pouco fora do ritmo”, completou.
No FP2, Russell começou utilizando pneus médios, trocando para os macios para uma única tentativa de volta rápida. Contudo, após registrar bons tempos nos dois primeiros setores, ele escapou da pista na última curva e não conseguiu contornar o balizador interno. Isso o obrigou a abortar a volta e retornar aos boxes pela entrada do pit lane, perdendo a chance de melhorar seu tempo.
Antonelli também teve sua volta com pneus macios invalidada por exceder os limites da pista. Esses incidentes contribuíram para que ambos os pilotos ficassem aquém de suas posições esperadas no top 10. Embora os erros de volta rápida não sejam a maior preocupação no momento, o desgaste dos pneus surge como um problema mais sério para a equipe, pois conversas entre Russell e seu engenheiro no FP1 sugeriram que a degradação dos pneus da Mercedes estava acima da apresentada por rivais como a Red Bull, o que pode comprometer a estratégia de corrida.
Russell comentou sobre o pacote de atualizações, afirmando sentir a “força descendente extra em algumas curvas”. No entanto, ele enfatizou que “com esse nível de superaquecimento e degradação dos pneus, isso acaba dominando tudo”. Ele concluiu que a prioridade é resolver essas questões de pneus durante a noite, considerando-as mais relacionadas à configuração do carro do que às próprias melhorias implementadas.
Bradley Lord, o vice-diretor da equipe, corroborou a avaliação sobre a dificuldade do dia, mesmo com os pilotos completando 56 voltas combinadas no FP2. “Provavelmente foi uma das nossas sextas-feiras mais desafiadoras da temporada até agora”, admitiu Lord. Ele observou que o cenário competitivo atual na Malásia se assemelha mais ao visto em pistas como a da Hungria – conhecidas pela alta degradação de pneus e exigência aerodinâmica – do que ao do último fim de semana em Baku, que tem características de circuito de rua e menor desgaste, o que explica a mudança no desempenho da equipe.
Lord destacou que o retorno dos pilotos sobre as atualizações tem sido positivo, com eles relatando mais downforce em curvas de alta velocidade. A equipe agora precisa garantir que o carro funcione em sua melhor condição com essas modificações. Ele previu uma intensa noite de trabalho para analisar os dados e acertar os detalhes. O vice-diretor também ressaltou que não há a possibilidade de reverter as atualizações para este fim de semana, o que significa que a equipe precisa maximizar o desempenho com o que tem em mãos.
Analisando os stints mais longos, Lord percebeu que o desempenho geral está bastante equilibrado. Ele apontou Verstappen como o piloto de destaque em ambos os treinos livres, utilizando diferentes tipos de pneus, mas previu uma disputa acirrada logo atrás. “Estamos bem nessa briga e, com algumas melhorias, podemos dar um passo à frente a partir daqui”, concluiu, mantendo um tom otimista apesar dos desafios iniciais.