
McKenna West — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com
Uma enfermeira do Alasca está sendo alvo de uma ação judicial movida pelos pais biológicos de um bebê que ela gerou por meio de um acordo de barriga de aluguel. A disputa legal surgiu após a gestante, McKenna West, de 28 anos, se recusar a interromper a gravidez de uma criança diagnosticada com uma grave condição cardíaca, contrariando o pedido do casal e uma cláusula contratual. Os pais biológicos buscam uma indenização de pelo menos US$ 100 mil.
Nasheen Gilkar e Omar Ahmed, os pais biológicos, formalizaram o processo contra McKenna West semanas antes do nascimento do bebê no Texas. Além da compensação financeira, eles também pleiteiam valores adicionais não especificados, alegando conduta “maliciosa e ultrajante” por parte da enfermeira. O bebê, que nasceu com uma síndrome cardíaca complexa, está atualmente sob a custódia do casal, tendo passado por uma delicada cirurgia.
O contrato de gestação de substituição previa um pagamento de US$ 60 mil a McKenna, e incluía uma cláusula que permitia aos pais biológicos solicitar o aborto em caso de complicações fetais. Por volta da 20ª semana de gestação, o feto foi diagnosticado com síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, uma condição congênita grave e potencialmente fatal. Apesar do pedido do casal para a interrupção, McKenna optou por seguir com a gravidez.
Após a recusa, McKenna West viajou para o Texas, um estado onde a legislação reconhece a mulher que dá à luz como a mãe legal da criança, conferindo-lhe direitos que poderiam ser mais limitados em outras jurisdições. Essa mudança geográfica sublinha a complexidade das leis de barriga de aluguel nos Estados Unidos, que variam significativamente de um estado para outro, criando um cenário legal fragmentado para acordos de gestação de substituição e parentalidade. Este aspecto é crucial para entender a estratégia de McKenna e o desenrolar do caso.
O bebê nasceu em 12 de agosto. McKenna o nomeou Gabriel, enquanto os pais biológicos insistem em chamá-lo Rumi, evidenciando a profundidade da desavença. Uma advogada especializada em direito reprodutivo comentou que McKenna possui pouquíssimos direitos legais sobre a criança, indicando que as chances de ela vencer a disputa pela guarda são mínimas. O processo ainda enfatiza que a enfermeira tinha experiência prévia em duas gestações, sugerindo pleno conhecimento do funcionamento dos acordos.
A decisão de McKenna West de manter a gravidez e a subsequente batalha legal desencadearam um amplo debate nacional. O caso trouxe à tona questões complexas sobre ética na gestação de substituição, os limites dos contratos de barriga de aluguel, os direitos reprodutivos da gestante e o papel das leis estaduais em tais acordos. Tribunais e autoridades de pelo menos três estados estão envolvidos nos aspectos legais desta conturbada situação, que coloca em xeque a interpretação de acordos pré-nupciais em contextos de vida e morte.